A boa luta continua com The Schtup List e mostra que a série não vai ser privar de por o dedo em certas feridas.

A eleição de Donald Trump, além de recente, é um tema que ainda gera muitos debates na sociedade americana, soa como um assunto mal resolvido. Ao utilizar o novo presidente como estopim para um plot para Adrian e Barbara, a série não só mostra que não vai se afastar do debate político tão relevante para o país, como também resolve por dois personagens que vinham mais apagados no centro da ação.

Além disso, o roteiro foge do lugar comum, ao invés de críticas ao presidente temos uma discussão interessante sobre o indivíduo dentro de uma comunidade. Quem acompanhou os debates durante o período eleitoral sabe que Trump não agradou muito às minorias durante a campanha e poucos eram os negros ou gays que os apoiavam publicamente, sempre sob grande criticismo. Aqui a situação não é diferente, em uma firma liderada por negros, Julius admitir que votou em Trump é algo corajoso e as consequências já começaram a aparecer. O que fica é uma dúvida sobre até onde o indivíduo acaba se limitando por conta das exigências de um grupo social no qual está inserido. É estranho parar para pensar no quanto nos podamos para não correr o risco de rejeição.

Quem também ganhou um plot para chamar de seu foi Lucca, que viu em Colin Morrello (Justin Bartha) a chegada de um bom rival e um interesse romântico interessante. A química está lá e as interações dos dois durante The Schtup List foram ótimas, e, apesar de a história de rivais no trabalho que acabam se envolvendo não ser nova, creio que as chances de dar certo são boas.

O novo casal-que-ainda-não-é-casal esteve ligado ao caso da semana, que trouxe mais um tema sensível nos dias atuais: terrorismo. O caso do médico que prestava assistência remota a um paciente na Síria e foi acusado de terrorismo traz bons pontos de discussão. Primeiro há o dilema ético: pode o médico negar tratamento a um ser humano por sua afiliação com o terror? Acho que para essa pergunta a resposta óbvia é não, ainda mais se pensarmos que o cliente nem sabia da relação do paciente com os terroristas. Outro ponto interessante, que vem com o desfecho do episódio, é a forma como o governo utilizou o judiciário para armar o ataque aos terroristas. Eticamente falando, tá tudo errado, mas e moralmente? Os fins justificam o meio? Neste ponto eu não sei o que achar.

The Good Fight 1x03: The Schtup List
The Good Fight 1×03: The Schtup List

Por fim, temos Maia, que depois de uma ótima cena com a mãe no começo do episódio, resolveu confiar no pai e tentar descobrir o que realmente aconteceu no esquema do qual ele foi acusado. Ao tomar um partido no caso, Maia pode estar comentando um erro e confiando na pessoa errada, mas a forma com o roteiro vem trabalhando o caso é digna de elogios justamente por isso, você não sabe quem é culpado e quem é inocente. Por mais que o óbvio aponte para algo feito por Jax e pela mãe de Maia, seria muito arriscado assumir isso com 100% de certeza. Na review anterior até quis abraçar esta ideia, mas hoje vejo que o melhor é não se apressar. Bom também foi ver Maia aprendendo na pele lições valiosas sobre o trabalho no qual está começando.

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O terceiro episódio de The Good Fight manteve o bom nível da série até aqui e atendeu a algumas expectativas em relação a vários dos personagens que estavam mais renegados a segundo plano. A trama central andou um pouco e o caso da semana foi muito interessante, nos presenteando com mais uma semana de ótimo entretenimento.

Notas de um julgamento em The Schtup List:

  • Com um pouco de atraso preciso elogiar a abertura maravilhosa da série. Que coisa linda.
  • Marissa arrumou um companheiro de cena que pode render bons momentos.
  • Aliás, Marissa sensacional enrolando Jax no telefone.
  • Barbara dizendo que certas pessoas não pagaram sua cota ainda: “Bicha, pague meu dinheiro!”
  • Aliás, Barbara, vamos parar de pegar no pé de Diane? Já cansou.
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