Depois de encerrar a história de Salem de uma forma broxante e sem sentido, já era esperado que a série varresse para debaixo do tapete os problemas financeiros que fizeram com que a Ethicure tenha existido. Se por um lado é absurdo ver como os roteiristas não conseguem seguir uma linha de desenvolvimento, por outro lado é reconfortante assistir episódios divertidos e esquecer a bomba que foi grande parte dessa temporada.
Finalmente desenvolvendo outros casais e outras relações, a nova amizade e parceria de Lea e Jordan já é uma das melhores ideias da série e conseguiu fazer com que Lea entre de vez no círculo do hospital sem parecer que é apenas a noiva de Shaun. Além disso, Jordan já demonstrou ser uma personagem interessante, cheia de camadas e que tem uma ótima química com quem quer que divida a tela com ela, sendo maravilhoso ver duas personagens com tanto carisma se apoiarem e possivelmente ganharem espaço com seu novo projeto.
E na onda de relações novas, a entrada de Jerome foi significativa não apenas pela representatividade, mas para dar uma nova roupagem a Asher que sempre voltava aos problemas e traumas causados pela família no passado. Ver o personagem mais leve, bobo e apaixonado mostra que nossas cicatrizes não nos resumem e que ele não precisa carregar aquele peso pelo resto da vida.

Deixando o plot principal de lado, foi inteligente dos roteiristas escolherem um clichê que nunca tem erro, o uso acidental de drogas por médicos. Várias outras séries médicas já fizeram um episódio com essa história e é maravilhoso ver como os atores ao se divertirem com o roteiro mais leve e bobo, conseguem entregar mais química e uma maior habilidade em alterarem rapidamente suas atuações para cenas de comédia e drama.
O uso de drogas se torna uma desculpa verossímil para colocar personagens falando abertamente tudo que sentem, acelerando o desenvolvimento de uma relação e não precisando gastar vários episódios com um lenga lenga de problemas criados por falta de diálogo. Embora possam surgir medos e anseios nesse momento de sincericídio, como a série deixou aparente na reação de Morgan, grande parte das relações são catapultadas para um local melhor que possivelmente demoraria anos para chegar ou até mesmo não chegaria, uma vez que as pessoas tem dificuldade de se permitirem ser vulneráveis.

The Good Doctor continua perdida em sua própria história, não sabendo onde está, para onde ir e o que fazer, entretanto, está sendo capaz de voltar a apresentar episódios reconfortantes que fazem o telespectador ignorar os problemas e apenas relaxar após um dia estressante. Uma cortina de fumaça interessante, mas uma solução temporária.
















