Embora The Good Doctor esteja em uma maré mediana, perdendo bastante o fôlego e reciclando tramas clichês, a série continua acertando nos casos da semana. Não é de hoje que sabemos a capacidade de David Shore apresentar pacientes com diagnósticos misteriosos ou segredos escondidos e é nessa habilidade que mantenho meu interesse semanal.
Trazendo três temas muito interessantes e que a grande maioria da população lida, a série conseguiu abordar a busca pelo corpo perfeito, a cobrança maior em cima de mulheres e a o sentimento de necessidade de nunca mostrar a fragilidade ou vulnerabilidade. A existência de redes sociais e a liquidez das relações impulsionou que todo mundo utilize suas redes como uma vitrine, vendendo uma fantasia e uma pessoa que os outros querem ver, sendo quase impossível achar alguém que se mostre pelo que realmente é.

Aproveitando o gancho para desenvolver a relação de Morgan e Park, o contraste de matches que o personagem deu ao vender seu corpo e ao vender uma imagem mais intimista foi imensa. Deu para notar como Morgan tem uma dificuldade muito grande de mostrar seu lado vulnerável, ainda mais quando dominou o jogo da praticidade e do flerte superficial. Park ir contra essa onda não o faz superior, porém demonstra sua maturidade e como ele realmente quer algo além de um jogo.
Chega em um ponto em que devemos aceitar que a trama vai para um caminho mesmo que não gostemos disso, e portanto, aceitei que Morgan e Park se tornarão um casal. Optando pela forma mais básica de entretenimento, David Shore utilizou a velha fórmula de uma personagem esnobar a outra e só perceber que gostava quando sente que irá perder. Estamos vendo uma relação de adolescentes entre adultos, algo totalmente incompatível com Park principalmente, porém não tem para onde fugir.
Espero que na fase final desse caminho, em que obviamente Morgan irá se abrir, realmente nos seja apresentado um momento de vulnerabilidade genuína. A personagem tem muitas camadas e dar um enfoque nisso pode ser um grande acerto.

Falando do outro casal, achei interessante optarem por ser uma menina, pois já estava esperando que fosse um menino e Shaun retornasse ao medo de seu filho sofrer igual ele sofreu. Focando mais sobre as necessidades de Lea, estou ficando feliz com todas as situações em que ela está se impondo com cuidado e respeito, mostrando a Murphy que ela conhecesse suas dificuldades, mas que eles precisam tentar achar um meio termo juntos.
Para me deixar completamente feliz, apenas gostaria que o trabalho de Lea voltasse a ser mostrado, pois como disse Lim, espero que ela não tenha que escolher entre sua carreira e ser mãe. Achei até engraçado esse diálogo uma vez que vemos o roteiro trabalhar o lado pessoal e profissional de Shaun, mas não existir o mesmo tratamento a Lea.
The Good Doctor continua apresentando episódios medianos e não compreendo o motivo de David Shore só desenvolver relacionamentos amorosos. A fuga no alcool utilizada por Andrew durou 2 episódios, o estresse pós-traumático de Lim durou 3 episódios e várias pequenas tramas de Claire são jogadas. A impressão momentânea é que temos dois casais e vários personagens que apenas estão ali para cuidar de seus pacientes. Inexiste trama, motivação, medo e alegria dos residentes, de Glassman, Lim, Andrews e Claire. Séries médicas nunca foram sobre os casos da semana, elas são sustentadas por seus personagens e os pacientes se tornam a cereja do bolo, afinal eles duram quase sempre 1 episódio apenas.
The Good Doctor precisa de um norte. Vários personagens foram afastados por motivos ridículos e não é possível que nem assim o roteiro dará conta de trabalhar direito com os que restaram.






















