Não é não.

Segundo um levantamento realizado pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com o apoio da Uber, 97% das mulheres que participaram da pesquisa afirmaram já terem sofrido assédio enquanto pegavam transporte público ou privado. Quinta feira, 3 de Outubro de 2019, Laryssa Ayres, atriz brasileira, viralizou na internet ao ser divulgado um vídeo em que ela pedia para um homem se retirar de um vagão feminino. Provavelmente, nesse momento, alguma mulher está lutando para não ser assediada.

Representando de uma forma extremamente violenta e necessária, The Good Doctor, nos apresentou nessa semana o bom samaritano Josh, as consequências de sua ação e as reflexões dos outros personagens sobre o ocorrido. Embora Andrews tenha razão quando afirme que boas ações não costumam vir sem um sacrifício, seu discurso sobre como Josh não deveria ter ajudado a menina é um absurdo.

Considerando o Brasil e os dados do FBSP/Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. A cada 11 minutos uma mulher é violentada permanentemente. A cada 11 minutos a violência de gênero ocorre e demonstra como a sociedade é patriarcal, machista e suporta a deturpada ideia de dominância masculina. A violência de gênero não precisa ser um estupro, um feminicídio. Não precisa ter como consequência a mandíbula quase arrancada. Nas palavras de Marina Milhassi Vedovato, psicóloga e mestra em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e Adolescência da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp – “Podemos identificar a violência de gênero desde suas expressões mais sutis no cotidiano, como as ‘cantadas’ ouvidas pelas mulheres nos espaços públicos, a objetificação de seus corpos, a ausência de mulheres ocupando espaços de poder até ações de extrema violência como nos casos de violência sexual, física e nos casos de feminicídio”.

Sendo impossível saber como a mulher se sente e o que ela é obrigada a passar diariamente; não estando no lugar de fala; sendo produto de anos e anos de um machismo estrutural, os homens devem escutar e não só podem, como devem ajudar caso se deparem com uma mulher sofrendo assédio. Independente de quem seja. Não precisa pensar se fosse sua irmã, sua mãe, sua filha. Apenas pense que aquela mulher é um ser humano que está tendo seu corpo e seus direitos violentados. Ajude. Denuncie ao 180.

Passando aos demais assuntos do episódio, foi bonito ver como cada personagem teve sua lição e aprendizado. Após perder a presidência e voltar para um cargo inferior, era questão de tempo para vermos Andrews se sentir ressentido com Shaun. Todavia, foi interessante ver como o personagem evoluiu e procurou se convencer de que havia tomado a decisão certa de que Dr. Murphy merecia o emprego, do que ficar ranzinza e trata-lo mal como se fosse sua culpa.

Shaun, por outro lado, por mais precioso que seja e tenha motivos para não querer outro encontro, precisava de alguém para mostrá-lo que sua atitude com a Carly foi errada. Mais uma vez sendo uma amiga incrível e a melhor conselheira, Claire foi a única capaz de mostrar uma saída para o problema de Shaun, simplificando o eventual próximo encontro e tirando a carga pesada que a palavra carrega. Por muito tempo foi fácil shippar Murphy e Lea, porém cada vez mais se abre uma porta para considerarmos se não há a possibilidade de Claire tomar tal lugar.

Embora seja interessante explorar esse possível casal, a amizade de Claire e Shaun é uma das melhores partes da série e não sei se seria a melhor escolha interferir nisso trazendo o drama que Melendez e Lim estão vivendo. Claire já possui preocupações em sua cabeça e considerando que o próximo episódio tem o seu nome, a personagem com certeza terá uma trama muito maior, mais importante e relevante que um possível caso amoroso. Ainda que sua mãe esteja mais presente, não tenho certeza de que ela será um problema para a filha; assim, aposto mais em algo que possa acontecer no comando da sua primeira cirurgia ou algo que ainda nem vimos.

Pulando para o drama amoroso, Melendez e Lim já mostraram o primeiro conflito após misturarem a vida pessoal com o trabalho, deixando claro que não será algo fácil de conciliar. Felizmente, o drama foi resolvido no mesmo episódio e os personagens parecem ter compreendido que precisarão tomar muito cuidado ao trabalharem juntos. Espero que essa trama não cresça muito e cada um se destaque na temporada por jornadas distintas e individuais.

Por fim, Morgan e Park a cada episódio relembram mais a relação que Melendez e Lim tinham quando eram residentes. Misturando competição com um possível flerte, os dois residentes vêm trabalhando o máximo que podem a fim de mostrarem a seus superiores que eles são capazes e desejam ganhar mais responsabilidades. É sempre maravilhoso assistir competições entre residentes e é muito fácil se identificar a personagens que buscam se destacar, ainda que passem uma imagem de arrogantes. Não obstante, é impressionante como a reação do público a Morgan seja tão diferente a de Alex. Embora Reznick seja uma pessoa difícil de lidar e tenha sido grosseira muitas vezes, a personagem já demonstrou ser uma pessoa boa e que vem aprendendo ao longo do tempo. As atitudes de Park nos últimos tempos tem sido muito semelhante as da sua parceira e não há sentido em criticar apenas a Morgan, como bem fez Lim ao dar uma lição aos dois.

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The Good Doctor começou a temporada com o pé direito, trazendo temas interessantes e importantes para os casos da semana, e começando a dar um norte para os dramas dos personagens. Com o nome do próximo episódio sendo o de uma das personagens mais queridas, oremos para que o espírito de Shonda Rhimes não baixe em David Shore, e que nada de muito ruim ocorra com a Claire.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-good-doctor-3x02-debtsThe Good Doctor começou a temporada com o pé direito, trazendo temas interessantes e importantes para os casos da semana, e começando a dar um norte para os dramas dos personagens.