“Quando a memória vai embora tudo que resta é a emoção.”
Após diversas reviravoltas no último ano, The Good Doctor voltou reorganizando o hospital e nos levando a refletir sobre a sobrevivência e a vida. Introduzindo a possível jornada de alguns personagens nessa temporada, os casos da semana ganharam mais espaço e conseguiram conduzir a trama com maestria, tocando em um assunto delicado, extremamente identificável e impossível de dizer se há uma conduta correta a tomar.
Aceitar a morte de um ente querido é uma condição que ninguém está preparado para passar, sendo fácil a decisão de realizar qualquer procedimento que seja necessário para que tal pessoa sobreviva. No momento em que estamos diante da possível morte de alguém que nos importamos, o sentimento de impotência se torna tão sufocante quanto a ideia de perder aquela pessoa, sendo loucura pensar por um momento sequer que talvez não fazer nada seja a melhor opção. Devido o egoísmo humano e a constante necessidade de termos controle sobre as coisas, a visão da pessoa que está acompanhando o enfermo, quase sempre se encontra nublada, totalmente tomada pela emoção, impedindo que se raciocine logicamente os prós e contras para aquela pessoa que passará por grandes procedimentos para sobreviver.
Analisando de uma forma mais fria, porém necessária, Alex estava correto desde o início e Morgan soube transmitir a mensagem para a senhora com uma abordagem delicada. Embora fosse possível e fácil realizar a cirurgia, tal procedimento é apenas o início de um longo e exaustivo processo de recuperação. Provavelmente grande parte das pessoas já conviveu com algum parente ou conhecido que passou por quimioterapia e radioterapia, e sabem como o tratamento não é fácil, como afeta o paciente e como a qualidade de vida daquela pessoa durante todo esse processo piora bastante. Assim, a decisão de colocar um senhor com demência em um tratamento pesado, tendo que ser relembrado a todo o momento o motivo de estar careca, de estar tomando vários remédios e outras situações envolvidas no procedimento, praticamente invalida o tempo de vida por enquanto ele se tratar e não garante que ele ainda terá muitos anos pela frente. Nesse sentido, Disaster nos mostrou ao longo de 45 minutos a linha tênue entre viver e sobreviver, e que às vezes amar é deixar ir.

Falando em matéria de amor, a reação dos personagens ao encontro de Shaun traduziu muito bem o sentimento de todos os neurotípicos ao escutarem o caso, uma vez que não conseguimos compreender que alguns pequenos detalhes para nós podem ser desastres para pessoas no espectro do autismo. O que Shaun procura é uma relação fácil, em que ele não tem que se controlar a todo o momento, não precisa raciocinar cada pequena ação e pode ser ele mesmo, algo extremamente compreensível e que todos buscam. O que Shaun procura é um relacionamento amoroso com alguém que o aceite como a Lea fez. E se já achamos difícil encontrarmos pessoas que nos aceitem como somos, é impossível julgar Murphy pela descrença de que se aventurar em novos encontros e relacionamentos valha a pena.
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Por fim, o relacionamento de Melendez e Lim definitivamente será um conflito que ainda será explorado pela série, podendo prejudicá-la em seu novo cargo e colocando em cheque o questionamento clichê de sempre sobre relacionamentos no trabalho serem possíveis ou não. Particularmente, acho esse tipo de trama cansativa, fácil de tornar novelesca e que apenas prejudicará ambos os personagens. Dessa forma, espero que no final a Lim não seja prejudicada no seu novo cargo, pois ela já demonstrou ter humildade, competência e merecimento máximo em sua nova empreitada.
















