Após quase 2 temporadas completas, The Good Doctor decidiu reviver um plot já resolvido nos primeiros episódios da série, levando ao questionamento do que o roteirista bebeu e se ele sabe que caminho tomar. Shaun é portador da síndrome de autismo. Shaun possui limitações e dificuldades sociais. Shaun é um residente extremamente inteligente e que procura melhorar nos pontos em que falha. Os telespectadores sabem disso. Os personagens sabem disso. Então qual a utilidade da aparição de Dr. Han?

Não consigo encontrar a resposta em nenhum desses três últimos episódios, bem como não compreendo que rumo o roteiro esteja tomando. Han chegou ao hospital com poucos conhecimentos sobre a equipe e sobre o que eles passaram, porém em apenas 1 dia ele foi capaz de fazer uma análise completa de Shaun e determinar que devido sua síndrome ele é totalmente incapaz de ser um residente cirúrgico. Todos os médicos e a diretoria do hospital estão de acordo com a residência de Murphy, mas Han, com um único dia, sabe mais do que todos eles e o muda para a patologia?

É indiscutível que Shaun tenha suas limitações e que elas podem gerar problemas em alguns momentos, não obstante, não houve até o momento nenhum dano causado por ele que tenha sido irreparável; em contrapartida, suas contribuições na mesa de cirurgia em muitos momentos foram responsáveis por salvar o paciente quando ninguém mais tinha ideias ou esperanças. Se Murphy fosse removido da sua residência devido ao surto que teve na quarentena, ainda que fosse passível de discussão, seria muito mais lógico, afinal ele deixou de prestar socorro e ainda se tornou um problema no momento. Entretanto, ao longo dessas 2 temporadas, foi possível observar que Shaun não é o mesmo de quando chegou ao hospital no piloto e que ele é capaz de melhorar, ainda que seja em uma progressão mais lenta, sendo ridículo que voltemos a um plot já resolvido e ignoremos toda a batalha já feita para provar que Murphy merece a chance de ser um residente cirúrgico.

Ainda nesse sentido, é inexplicável a decisão de retornar com uma discussão já resolvida e acabar em uma cena com todas as consequências da quarentena. Melendez e Claire desrespeitaram uma ordem de não ressuscitação, Shaun teve um surto em um momento caótico e tudo foi resolvido após uma ameaça de Han com seu(ua) detetive particular? David Shore já escreveu loucuras em House, mas dessa vez ele se superou e em um sentido nada positivo.

As ações de Melendez e Claire foram muito graves e em nenhum momento a sobrevivência do paciente deve ser explicação para não ter uma discussão sobre o assunto. Ainda que eles não sofressem uma punição, o mínimo que a série deveria fazer é trazer o assunto à tona e discutir sobre a questão dos fins justificarem os meios. Com um roteiro preguiçoso e uma solução mirabolante, a tensão criada anteriormente serviu para nada além do desgosto de não ver um prosseguimento nessa trama que tinha todos os elementos para ser extremamente interessante.

A adição de Han até o momento foi inútil, desnecessária e prejudicial à série. Se não fosse pela direção e atuação brilhante de Freddie Highmore, protagonizando provavelmente seu emmy tape no momento do surto, e a amizade de Claire mais uma vez nos emocionando, essa reciclagem de trama teria servido para absolutamente nada. Dessa forma, a luta de Glassman contra si mesmo e os casos da semana se tornaram a melhor parte dos episódios, o que não é um bom sinal. Assim, nos resta esperar que David Shore volte do Carnaval ou qualquer loucura que ele tenha se metido, pois essa é a única explicação para o que aconteceu, e resolva toda a bagunça que ele criou em uma série que estava em ascensão.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-good-doctor-2x15-17-risk-and-reward-believe-breakdownApós quase 2 temporadas completas, The Good Doctor decidiu reviver um plot já resolvido nos primeiros episódios da série, levando ao questionamento do que o roteirista bebeu e se ele sabe que caminho tomar.