Após a promessa de investigações e possíveis suspensões das licenças, fiquei surpreso ao ver que a série não pulou direto para tal drama. A entrega de dois episódios sólidos sem a utilização de um cliffhanger para prender a audiência mostra que os roteiristas possuem consciência do material de qualidade que vem entregando e possuem coragem para arriscar, não utilizando a fórmula batida.
Focando nas consequências pessoais advindas da quarentena, pudemos ver o desenvolvimento dos personagens dentro e fora do hospital, abrindo margem para compreendermos melhor quem eles são por detrás da máscara profissional e mostrando que embora eles lidem com mortes e diversos problemas complicados, isso não quer dizer que eles não sofram pelos motivos mais comuns que sejam.
Confirmando a previsão de que Morgan e Claire são uma dupla que precisávamos, os últimos acontecimentos mostraram que as duas possuem muito mais em comum do que aparentam; enquanto uma utiliza da arrogância para se blindar de críticas e decepções, a outra sempre estampa no rosto um sorriso, sendo sempre a mais gentil, a fim de conquistar todos. Não obstante, ficou claro que as duas se sentem sozinhas e que seus passados influenciaram esse medo de serem vulneráveis e arriscarem ter uma relação com alguém. Essa nova amizade extremamente inesperada para as duas ainda não teve tanto tempo no ar desde Aftermath mas já demonstrou ter realizado efeitos, vide a delicadeza maior de Morgan ao lidar com o caso de autismo e com o Shaun.
Correndo atrás de problemas deixados no passado, a quarentena permitiu que Park tivesse tempo para analisar sua trajetória até o hospital. Sem ter pacientes, cirurgias ou qualquer emergência que ocupasse sua mente, Alex pôde refletir, passar novamente um tempo com sua família e compreender sua culpa em tudo que aconteceu. Sua dificuldade não é muito diferente da de Morgan ou Claire, porém diferente delas, ele já possuía um relacionamento estável e existe um limite até que a outra parte aguente ser a única vulnerável. Quando nos comprometemos com outra pessoa, devemos confiar que ela saberá lidar com os momentos bons e ruins e devemos ter confiança suficiente para contarmos nossos maiores medos e inseguranças, sabendo que nada disso será utilizado contra nós. No momento que a relação começa a ser uma via de mão única, é muito difícil acreditar que ela dará certo. Ganhando abertura da Claire para desabafar, acredito que os dois podem usar essa amizade para melhorarem suas faltas de habilidade em confiar nos outros.

E se os relacionamentos viraram pauta principal nesses últimos episódios, o que esperar de Melendez e Lim? Fingindo que não gostam um do outro e utilizando a competição como uma forma de flerte escondido, era questão de tempo até os dois assumirem seus sentimentos e arriscarem suas carreiras por essa paixão. Entretanto, com a personalidade forte dos dois e a nova dinâmica que possuem, é difícil pensar que eles conseguirão manter esse segredo por muito tempo. A discussão devido a uma simples concordância na cirurgia mostra como os dois ainda não sabem a melhor forma de lidar com os sentimentos que possuem, e ainda que eu torça pelo casal, acredito que a investigação na quarentena não será o único problema em suas carreiras, principalmente em um momento em que Andrews pode abrir a competição de novo pela sua vaga.
Por fim, finalmente Shaun conseguiu compreender a ajuda que Glassman tanto precisava e com isso tivemos um dos momentos mais bonitos entre os dois. Embora Murphy seja um gênio e um médico incrível, Aaron também é excelente no que faz e sabe exatamente o que está passando; assim, ele não precisa de mais um médico, ele não precisa de mais uma pessoa que o lembre de que ele está morrendo, ele não precisa de alguém contando quantas vezes ele vai ao banheiro, ele só precisa de alguém que o lembre de que ele está vivo e que lhe dê forças para continuar lutando. Lea, cumprindo a previsão de que seria importante para “Glassy”, foi a única que entendeu e conseguiu lembrá-lo do porquê valer a pena lutar contra o câncer, sendo também a responsável por fazer Shaun compreender qual era seu verdadeiro papel ao lado do seu mentor.
Ficando chapados, fazendo loucuras e abrindo seus corações um para o outro, Murphy e Glassman finalmente foram sinceros e assumiram o que os estava incomodando. Ainda que parecesse loucura toda a viagem, os biscoitos e a antiga paixão possuíam um significado muito maior do que parecia. Aaron estava saindo de casa, estava vivendo, reparando erros do passado e fazendo loucuras. E sem que percebesse ele estava mostrando para seu pupilo que vale a pena correr atrás do que se deseja, que vale a pena sofrer pelo que se fez mais do que se arrepender pelo não tentado. Shaun parece ter percebido que se ele não for honesto com Lea agora, ele provavelmente fará igual seu mentor anos depois e talvez ele tenha perdido uma oportunidade por ter ficado calado. A decisão de conversar com Lea é arriscada, afinal isso pode gerar uma situação incompatível com a atmosfera de companheiros de quarto que os dois possuem, porém já estava na hora de nosso protagonista correr atrás do seu amor e não fingir que está tudo bem, tampando os ouvidos e ficando no seu quarto.
> 3 SÉRIES IMPERDÍVEIS DA NETFLIX!
The Good Doctor caminha para o fim da sua temporada com uma qualidade superior à 1ª temporada, desenvolvendo melhor seus personagens em nível pessoal e mantendo a excelência nos casos da semana, trazendo situações inimagináveis e extremamente emocionantes, afinal quem não desabou no momento que fizeram aquele corredor? A investigação com certeza está chegando, porém agora ela apenas será a cereja do bolo e não mais uma tentativa de sustentá-lo.
















