Após dois episódios caóticos, The Good Doctor desacelerou sua narrativa, deixando de lado por um momento a parte profissional e focando no desenvolvimento pessoal das personagens. Sendo a medicina a base de todo o enredo, a mudança de ares poderia ser benéfica ou extremamente prejudicial para o andamento da trama; assim, Aftermath teve a difícil missão de ser um episódio quase filler com a dosagem correta de quantas informações teríamos sobre as consequências do ocorrido no hospital.

Embora a resolução da quarentena tenha sido rasa e decepcionante, os roteiristas lembraram que diversas situações ocorridas durante o caos não poderiam passar despercebidas e felizmente criou uma trama que tem potencial para ser extremamente interessante. As regras quebradas durante a quarentena elevam o debate sobre a justificativa dos meios de acordo com seus fins, sendo possível a existência de diversos argumentos inteligentes e possibilitando que possamos ver a medicina de uma forma mais humana e não apenas como se fosse uma sequência de ações predeterminadas e apenas direcionadas pelo conteúdo de um livro.

Finalmente abrindo a boca para falar algo interessante e que tem a sua razão, Andrews pontuou que a medicina é muito maior do que as regras determinadas pelo conselho, sendo difícil respeitar todas as limitações quando há cenários infinitos que podem aparecer no hospital e que podem nunca terem sido vistos antes. Entretanto, embora Audrey tenha quebrado a regra para colocar ordem na quarentena e Shaun tenha conseguido superar o surto sem causar danos a outras pessoas, Melendez violou a ordem de não ressuscitação sem qualquer motivo que aparente ser justificável.

Acredito que nenhum deles perderá a licença, no máximo ficando suspensos por algum tempo, porém muito mais importante do que o resultado, as discussões trazidas durante a investigação e a audiência serão de extrema valia para uma reflexão sobre qual é o limite do médico para salvar a vida humana. Se pararmos para pensar, ninguém fez algo que prejudicou os pacientes, porém consequências ruins poderiam ter ocorrido; Melendez poderia não ter conseguido salvar o paciente e o pai teria morrido atoa, Shaun poderia não ter conseguido se reerguer e Morgan não conseguiria, por conseguinte, ajudar a todos a tempo, Lim poderia ter causado maior caos ou gerado um processo contra o hospital. Até que ponto suas ações são justificáveis e qual deve ser a punição caso algum limite tenha sido ultrapassado? A discussão acerca da violação da regra e a proporcionalidade da punição é um tema extremamente interessante e que provavelmente não trará uma resposta final totalmente correta, afinal esse debate existe há anos e provavelmente continuará existindo.

Não obstante, enquanto as más notícias não chegam, as personagens tiveram um pouco de paz e pudemos conhecer um pouco mais sobre cada um. Não existe muito que prever ou comentar sobre cada história, afinal elas devem se tornar enredo secundário no resto dos episódios, porém foi interessante ver a vulnerabilidade de cada um e entender um pouco o motivo de Morgan se portar como fria e cruel e Park ser extremamente fechado, por exemplo.

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Talvez o relacionamento de Melendez e Lim, e Shaun e Lea possam trazer consequências para suas atuações no hospital, distraindo-os e criando problemas futuros, mas ainda é cedo para dizer como serão suas reações. É difícil imaginar que nenhum contrapasso ocorrerá e que essas relações apenas melhorarão com o tempo, afinal dramas amorosos são os mais recorrentes e fáceis de serem comprados pelos telespectadores, porém, após tantos problemas, espero que os dois casais consigam passar por qualquer contratempo rapidamente, deixando que suas crises sejam mais pessoais e menos clichês.

REVISÃO GERAL
Nota:
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