The Good Doctor levantou novamente uma questão complexa, polêmica e considerada tabu por muitas pessoas em She. Tratando sobre crianças transgêneros e a impotência de casais, o episódio da semana soube abordar os assuntos de forma respeitosa, abrindo o espaço para a discussão e trazendo informações que possivelmente eram desconhecidas para alguns telespectadores.

A transexualidade ainda é tratada por diversas pessoas como um transtorno mental em que o homem ou a mulher devido a uma doença, acreditam estar no corpo errado. Existindo uma intolerância gigantesca e uma ignorância altamente presente na sociedade, falar sobre crianças transexuais parece para muitos um absurdo que não deve nem mesmo ser proferido. Deixemos claro primeiro que a transexualidade não é um transtorno mental, mas o não reconhecimento do seu corpo biológico como o correto da sua identidade sexual.

Breno Rosostolato, psicólogo clínico e professor da Faculdade Santa Marcelina, em uma entrevista, abordou o tema explicando que o termo apropriado é “gender non-conforming”, isto é, crianças que não se encaixam como menino ou menina, sendo importante uma liberdade para que a criança naturalmente descubra onde se encaixa por meio de uma criação de gênero neutro pelos pais. O psicólogo ainda diz que afirmar o sexo como masculino ou feminino, ligando-o apenas ao órgão genital é um eufemismo, considerando que o sexo diz respeito ao comportamento, forma que a pessoa se identifica e outros aspectos que estão relacionados à mente.

Por se tratar de crianças, existe ainda uma discussão muito grande sobre a autonomia delas quanto à decisão em fazer a redesignação sexual, existindo grandes defensores dos dois lados. Se por um lado, diversas pessoas atuam como os pais e a avó no episódio, argumentando ser a criança muito nova e ainda não possuir capacidade para tomar uma decisão tão grande; por outro, há pessoas que afirmam não se tratar de autonomia, pois não se trata de uma escolha.

A resposta da Quinn, dando um choque de realidade em todos na sala, mostrando o quão furada era a desculpa para não terem retirado seus dois testículos, mostra o problema de pessoas cis e que não são capazes de compreender o que as trans sentem, possuírem o poder de tomar decisões por elas. Entretanto, é impossível crucificar os pais que tanto apoiaram a filha, por perceber que a atitude que tomaram se deve ao medo do possível sofrimento futuro da filha e também por estarem em uma situação que não compreendem bem e ninguém está preparado.

Acredito que o maior acerto do episódio foi não tomar uma posição e não tomar para si a responsabilidade de dar uma resposta sobre o que é certo ou errado, afinal ela não seria capaz, nem poderia fazer isso. A lição passada por “She” é que devemos fazer mais perguntas e tentar compreender, em vez de acharmos ser necessário sempre ter uma opinião e acabarmos falando sobre assuntos que não sabemos. Às vezes, a melhor posição é não tomar nenhuma, respeitando o outro e apenas lutando para que ele tenha liberdade de se expressar e ser quem quiser. Não precisamos fazer perguntas que soam tão ofensivas como Shaun faz, mas com certeza se todos buscassem a compreensão como nosso querido protagonista, o mundo seria bem melhor.

The Good Doctor 1x14: She
The Good Doctor 1×14: She

Seguindo para a outra questão delicada do episódio, foi extremamente prazeroso ver a voadora que Andrews levou ao descobrir que o problema era ele. Ainda que dê para simpatizar um pouco com o personagem, sua atitude machista, culpando a mulher por ter escolhido o trabalho alguns anos antes – decisão que ele tomaria igualmente sem sombra de dúvidas – e assumindo de imediato que a incapacidade era dela, me fez vibrar ao vê-lo tomar uma rasteira.

Além disso, foi uma saída legal do episódio para relembrar as pessoas de que as pessoas podem ter filhos sem ser biologicamente e que isso não diminui o amor ou faz delas menos pais. Com tantas crianças e adolescentes desamparados, em busca de amor, carinho e um lar para chamar de seu, a adoção é uma medida maravilhosa e que deveria ser vista positivamente e não apenas como um plano B para aqueles que são impotentes. Entretanto, será interessante ver como Andrews portará diante de tal situação e já espero ansiosamente pelo que virá.

The Good Doctor 1x14: She
The Good Doctor 1×14: She

E ainda que The Good Doctor seja sobre os personagens e use o hospital apenas como base para suas tramas, foi interessante vê-los relembrar que não são todos os residentes que serão escolhidos e que eles precisam batalhar mais por suas posições. Embora seja um embuste e fácil pegar ranço, a nova “inimiga” de Claire já é alguém que amo odiar e que com certeza trará um novo gás para os antigos personagens. Com seu jeito agressivo, competitivo e sabendo exatamente o que quer e precisa fazer, podemos não gostar de suas atitudes, mas não podemos negar que ela é extremamente capaz e inteligente.

Ainda nesse meio de competição, The Good Doctor deu mais uma pista de que Claire e Melendez terão uma relação amorosa e pela primeira vez consegui ver realmente um futuro sem forçar a barra. Os dois já vêm trocando olhares há um tempo e a química entre os personagens e os atores está cada vez maior; minha única ressalva e preocupação é acabarem limitando o sucesso da Claire ao relacionamento com o Melendez e excluírem totalmente a Jessica da série.

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Peço desculpas pela demora em escrever a review, porém por questões pessoais não pude realiza-las por um tempo. Retornarei ao prazo normal e espero ansiosamente pelos futuros episódios e nossas discussões.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-good-doctor-1x14-sheThe Good Doctor levantou novamente uma questão complexa, polêmica e considerada tabu por muitas pessoas em She. Tratando sobre crianças transgêneros e a impotência de casais, o episódio da semana soube abordar os assuntos de forma respeitosa, abrindo o espaço para a discussão.