
O maior prêmio da TV no melhor reality show de todos os tempos.
Spoilers Abaixo:
Desde o começo, no ano passado, The Glee Project foi um programa superlativo. Tudo era e é muito louco, muito engraçado, muito emocionante, muito sem noção, muito chocante, muito absurdo. Não há meios termos, apenas exageros deliciosos e que nos surpreendem toda semana, para o bem ou para o mal. Uma verdade: Quando TGP surgiu, a Summer Season americana ganhou mais brilho.
Sendo assim, é fácil entender os motivos de esse ter se tornado o passatempo favorito e indispensável de um grande número de viciados em séries. Até quem não vê Glee e não gosta de Glee acompanha as peripécias de TGP, para não ficar de fora do burburinho e não perder a grande diversão do momento. É realmente um fenômeno que os canais brasileiros ainda não compreenderam. Pessoalmente, creio que se algum canal pago investisse na transmissão paralela ou com pequeno atraso em relação à exibição original, haveria muita gente ligando a televisão.
Toda essa declaração de amor por The Glee Project já faz parte do saudosismo que fica em época de Season Finale. O reality ainda não foi oficialmente renovado, mas não deixo de torcer imensamente por isso, afinal, quem é que vai sambar na minha cara durante 12 semanas (sim, estou incluindo o episódio das audições)? Às vezes eu odeio TGP, mas no fundo, minhas reclamações são provas de amor com gotinhas de recalque. Aprendi com Nikki, fazer o quê?
Deixando a enrolação de lado, vamos falar dessa Finale que foi super emocionante, pelo menos para mim. Assistir ao vivo e sem spoilers fez toda a diferença e só quem fez o mesmo conhece a sensação. Eu realmente me envolvi com o elenco dessa segunda temporada – muito mais do que com o da 1ª – e por isso eu estava nervosa. Parecia que era quem concorria a um papel em Glee e tudo ficou ainda mais complicado porque dois participantes que absolutamente adoro estavam ali, pertinho de vencer.
Sim, eu estava apavorada de ver Ali vencendo essa naba. Desculpe o #TeamAli, mas preciso ser honesta. Torcida é uma questão emocional e como ano passado meu coração era de Lindsay Pearce, nesse, deixei 50% com Blake e 50% com Turquenga, embora na minha cabeça (e eu apostaria grana nisso) Turca fosse levar com a maior facilidade do mundo. Até quando minhas chances de satisfação superam as de desgosto, TGP samba na minha cara.
O último tema é Gleeality e, vamos combinar, o homework e o clipe são apenas “para constar”. Só seria diferente se alguém fizesse alguma merda muito grande, o que é improvável quando o – e aqui cito o filósofo e dançarino Zach Woodle – “maior prêmio da TV” está em jogo.
Logo Robert anuncia a música, “You Can’t Stop The Beat”, da trilha de Hairspray (musical que estava passando no Oxygen antes de TGP começar) e o twist maravilhoso que é a presença de TODOS os competidores eliminados. Ou quase.
Vemos Charlie saltar na frente de todos e agarrar Aylin, com seu “We’re back, bitches” e todo o espírito brincalhão de Scott Campbell, Michael em abraços efusivos e olhares secretos com Blake, Mario tentando tatear os colegas pra saber quem é quem, mas sentimos aquela pontada de angústia ao perceber que Xana, Dani, Maxfield, Tyler, Nellie, Lily e Japassiva estão ali, mas há buraco em nossa alma. CADÊ TARYN? Imagino que ainda comparecendo aos velórios de todos os parentes que ela “matou” como desculpa para sair do programa sem parecer uma covarde.
Com sede de vencer, Alien toma a iniciativa e comanda os colegas para a apresentação, que será agraciada pela presença de Chris Colfer, talvez o maior queridinho de Glee e a pessoa que inspirou o programa. Para quem desconhece a história, Chris fez audições para Artie e titia Ryan se reconheceu tanto nele que resolveu escrever um papel exclusivo para o menino e, assim, nascia Kurt. Como dá para notar, é de Chris Colfer a culpa de toda essa história furada de “inspiração” usada por titia Ryan para justificar qualquer decisão avulsa que ele tome em TGP.
O número musical é bacana e tudo, mas achei que Aylin deu uma sumida no todo. Blake começou bem e, como Ali grita mais que todos e faz mais caras de constipação que todos, é o grande destaque dessa performance, até porque, a divisão da letra foi bem injusta e ela cantou 70% sozinha, o que agride meus tímpanos um pouco, mas fazer o quê. Aguentei porque sabia que faltava pouco para nunca mais ouvi-la novamente.
Com muita fanfarronice, Chris Colfer diz que foi tudo lindo e todos ganharam. Sério? Por aí a gente nota que os mentores, em geral, foram proibidos de falar mal ou criticar negativamente, simplesmente para que qualquer decisão final fosse apoiada sem complicações. O clipe é anunciado como “Tonight Tonight” e a sessão de dicas com Chris serve para ajudar os finalistas a escolherem suas músicas para a apresentação final.
Hora de uma última vez com Zach zombando das habilidades “bailarínicas” da galera, atentando para o fato de que eles dançam melhor sozinhos do que em grupo. A primeira vez em que Alien não consegue acompanhar o pessoal com a cadeira chega, mas isso sequer tem peso na escolha, a essa altura do campeonato.
Na Cabine da Naja, Nikki continua exalando amor, mas sem deixar de lado aquela maldadezinha. Elogia o trabalho sólido de Blake, acha Alien divertida, mas não esquece as origens de treinadora vocal e bulinadora ao exigir que Turca cante sem ler a letra da música, algo que julguei desnecessário, mas, mais uma vez, isso sequer tem peso na escolha final, obviamente.
A gravação do clipe transcorre tranquila, ninguém erra a coreografia pelo menos e os elogios efusivos continuam. Inclusive, é nessa hora que ganhamos de Nikki o pensamento mais brilhante da temporada, quando ela explicita, em sua defesa por Blake, que ele pode até não ser o underdog clássico, mas que suas habilidades em atuação são tantas que ele pode interpretar qualquer papel.
Esse pensamento tão óbvio (e que deveria servir como único parâmetro no julgamento de The Glee Project) parece ter sido fundamental na decisão final, inclusive, porque Blake, como sempre, vai muito bem na gravação. Mais uma vez achei Turca sumidinha e até Xana apareceu mais que ela no vídeo. Alien adota a postura de “meangirl” e se esforça com tudo para fazer cara de nojo, algo que ela leva a sério durante todo o episódio.
Sim, eu sou implicante com Ali (repito, questão de gosto), mas tenho algo a dizer em defesa dela. Mesmo que apenas nessa reta final, Ali demonstrou certa astúcia ao notar que as repetidas menções às palavras como ‘bitch’ e ‘meangirl’ eram um sinal dos roteiristas. Convenhamos que Ali bancou a boazinha e se fez de fofa engraçadinha o tempo todo, mas pelo menos na Finale ela pegou esse “personagem” que todos juram que ela é e usou para tentar vencer. Eu respeito isso e o fato de ela superar certas dificuldades físicas, mas mesmo assim, nunca quis que ela ganhasse.
Verdade seja dita, Turquenga nunca precisou se preocupar com personagem. Ela veio pronta para Glee, como muitos disseram. Blake talvez seja a pessoa com maiores problemas nesse âmbito, porque a gente olha para ele e enxerga um cara popular e bacana. Não foi à toa que no clipe ele interpretou a humilde Rainha do Baile e ficou com a importante missão de fazer algo por si mesmo, que lhe garantisse o prêmio.
Chega a hora das apresentações finais e, confesso, eu estava tendo calafrios enquanto todos se preparavam nos camarins e a plateia era tomada pelos competidores de TGP, mentores, roteiristas e parte do elenco de Glee. Quando Ali entra para cantar Popular, do musical Wicked, estou torcendo contra como nunca antes na minha vida e sei que sou acompanhada no sentimento por centenas de fãs do programa, mas titia Ryan avisa uma coisinha:

Então tá, tia Ryan. Só na sua cabecinha oca que ninguém torce contra Ali. Pelo menos entre o público, isso é comum, mas o #TeamAli se mostrará mais forte do que nunca um pouco mais adiante no episódio, afinal, a menina é uma bolinha de luz, como descreveu Dianna Agron. Como tudo que faz, Ali foi bem teatral em sua última apresentação e realmente acho que ela é boa nisso e deveria ir fundo na carreira de atriz de teatro musical. Para a TV, acho que ela passa do ponto e precisa ser um tanto (bastante) mais contida.
Depois vem Blake, com uma interpretação muito bonita de I’ll be, de Edwin McCain. A música em si já é ótima e combina com a voz suave do menino, mas só isso, dancinhas e malabares com microfone não garantiriam nada para Blake, até que ele, DO NADA, resolve mostrar seu lado POETEIRO e manda essa sambada master:
“I’m the guy who will persist in his path. I’m the guy who will make you laugh. I’m the guy who strives to be open. I’m the guy who’s been heartbroken. I’m the guy who’s been on his own and I’m the guy who’s felt alone. I’m the guy who holds your hand and I’m the guy who will stand up and be a man. I’m the guy who tries to make things better. I’m the guy who’s the whitest half-Cuban ever. I’m the guy who’s lost more than he’s won. I’m the guy who’s turned but never spun. I’m the guy you couldn’t see. I’m that guy and that guy is me.”.
Na hora, fiquei completamente estática e emocionada com as rimas de Blake que, a despeito do julgamento alheio, traduzem quem ele é, de forma bem honesta. Parece bobo, mas ao se expor assim, ele arriscou, fez rir e chorar e ganhou até o coração gelado de certos roteiristas que, no programa anterior, o haviam criticado. Bastava olhar para a plateia, com Michael em cólicas o tempo todo, Mario se debulhando em lágrimas, Nikki, Robert e Zach completamente envolvidos.
Na vez de Aylin, à parte do vestido medonho, ela manda muitíssimo bem na interpretação de Rolling In The Deep, de Adele. Achei bom mesmo, porque essa música é difícil demais de encarar quando a comparação é com Adele. Amber Riley fica louca com a Turca e mais uma vez, Aylin reafirma sua vontade de ser apedrejada na Medina e chocar a sociedade muçulmana, algo que titia Ryan ama ouvir.
Quando todos vão opinar, Ali é a grande favorita e não tem um membro do elenco fixo de Glee que faça outra escolha. Apenas rechaço a afirmação de Dianna Agron sobre o lance da cadeira de rodas, porque Kevin McHale faz um trabalho exemplar com isso e quando Glee estreou a coisa foi tão chamativa que tinha gente que jurava que ele era cadeirante. Não acho que ele não tenha passado essas emoções e que Ali faça isso melhor. Um ator não precisa ter AIDS para passar a realidade da situação. Como exemplo, cito Philadelphia, com Tom Hanks. Didi precisa rever seus conceitos sobre atuação, sinceramente.
Já os roteiristas preferem Blake. Os mentores também já explicaram porque Blake é a escolha deles em diversos quesitos e aí, pasmem, tirando Amber Riley, a única pessoa que se levanta em nome de Turquenga é o fofíssimo (e injustiçado) Charlie, que faz um discurso sobre como ela vai unir o mundo ocidental com os muçulmanos na realidade pós 11 de setembro. Se isso não garantiu a Charlie pelo menos uma chupetinha, Turquenga não merece nosso amor (e nem o amor do Charlie).
Adorei toda aquela patacoada de Titia Ryan se dizendo dividida e indecisa. Um dos co-criadores de Glee chega a revirar os olhos quando titia diz “ano passado foi bem mais fácil”. Lógico. Foi mais fácil porque 1/3 dos participantes venceu, não é mesmo?

Do jeito que a coisa estava, já tinha entregado tudo para Jesus, porque Ali parecia a escolha do momento. Quando ouvi o nome de Blake, tive um mini ataque cardíaco e dei um grito histérico. Eu não estava acreditando naquilo. Mas admito, gostei MUITO (muito mesmo) da decisão.

Imagino que a maioria dos comentários será anti-Blake porque o #TeamTurca é massivo. Apesar da minha torcida ser dela, era também do Blake (do Michael e da Lily, esses lindos) e comemorei do mesmo jeito. Minha única chance de infelicidade era Ali por sete episódios em Glee. Eu não suportaria.

Infelizmente eu compartilho dessa sensação triste que é não poder ver Turquenguinha em Glee, mas tenho a sensação de que, um dia desses, ela vai surgir por lá, afinal, Ryan Murphy pode decidir incluí-la a qualquer momento. Ele manda na porra toda. As campanhas dos fãs no twitter já estão ajudando titia a ter essa noção melhor do que qualquer outra coisa.
Sobre Blake, nesse momento, eu gostaria que as pessoas que reclamam exaustivamente da vitória, fizessem a análise da temporada e pesassem a solidez das performances do rapaz em todos os episódios. Eu estou com Nikki e acredito que ele tem potencial para se dar bem em Glee e, na verdade, em geral, como ator, que é a carreira que ele já persegue, com bastante profissionalismo, diga-se de passagem.

Mas se vocês me perguntarem: Porque Blake realmente ganhou? Eu digo apenas que a barra de vida de ser um meio-cubano branquelo é algo que gera MUITO mais drama e identificação. Os milhares de imigrantes ilegais que o digam. #BRINKS
P.S* O bebê de Nikki não nasceu. Aguardem o plot do parto para a Season 3 de TGP.
P.S* Damian fez ou não fez UMA BAITA diferença no clipe? Ou não, né?
P.S*Foi bom estar com vocês no calor desse verão tão sambativo. Tomara que ano que vem tenha muito mais!
P.S* E não é que Japassiva realizou o sonho de conhecer Chris Colfer? O maldito não expressou a menor emoção no vídeo, mas está todo saidinho no twitter. Confiram:



















