Com eXploited The Gifted se aproxima mais de uma verdadeira série ambientada no mundo dos X-Men.
Quando começou a ser produzida The Gifted recebeu muito do boost da franquia dos X-Men. Primeiro episódio dirigido por Bryan Singer, o idealizador dos mutantes no cinema, lá nos anos 2000 e nome referência para a Fox durante muitos anos, parceria com a Marvel Tv e a pressão de ser a outra série dos mutantes, depois de Legion, trouxeram muitas expectativas para a novata. Por um bom tempo as expectativas foram supridas. Não estamos falando de uma série que irá, no futuro não muito distante, inundar seus personagens principais de roupas coloridas e lutas fantásticas com vilões poderosos, mas sim de um material que respeitava bem o que os “mutunas” eram nas páginas das histórias em quadrinhos, com um dimensionamento bem mais complexo do que os filmes fizeram.
Com seu décimo episódio a série conseguiu se aproximar do que ela deveria ter se tornado bem antes. Manipulações, descentralização de personagens e união de propósitos movimentaram eXploited de uma maneira que eu já estava desacreditado com a série. E em se tratando de uma produção com apenas 10 capítulos, até o momento, ver sua audiência desanimada figura como um grande problema para o time criativo.
O problema com The Gifted é que após vários acertos com a proposta do material, colocando a família Von Strucker para perceber o problema ao redor do preconceito e da exclusão de mutantes, apenas por terem nascido da maneira que nasceram, a série se tornou extremamente genérica e fraca. Dramas amorosos nada interessantes, como o de Blink, Dreamer e John não acrescentaram muito. Problemas fúteis como a paixão de Lauren, ou o lado irrefreável de Andy, que agora já mudou, também não cooperaram. Por um bom tempo a série pareceu não querer engrenar e só agora, após a morte de uma personagem chave e a chegada de uma nova “vilã”, a produção pareceu disposta a encarar novos desafios e mostrar a que veio.

É quando introduz Esme e suas outras duas irmãs que The Gifted realmente mostra sua capacidade de imergir o telespectador na mesma mitologia de heróis, vilões e traições de X-Men. Todo leitor da franquia de mutantes da Marvel sabe que telepatas não são pessoas bem aceitas em qualquer grupo. Quer seja pelo potencial devastador de ter alguém capaz de controlar outras pessoas, ou pelo simples fato de não existir privacidade enquanto um mutante com estes poderes estiver na sala, de Jean Grey a Emma Frost, é senso comum que esse dom traz grande potencial para devastação. É exatamente por isso, por exemplo, que o Professor Xavier passou boa parte do seu tempo ensinando seus pupilos a se protegerem de ataques mentais. Bom, como estamos falando de um subterrâneo mutante com pouco, em alguns casos nenhum, treinamento, Esme e as outras cuckoos poderão oferecer algo que Magneto oferecia para os jovens alunos de Xavier, o risco mutante.
Enquanto estamos falando das Sentinelas, do laboratório criador de drogas para controlar mutantes, o potencial da série é bem limitado. Quando inserimos outros mutantes com planos desconhecidos e visões diferentes daquelas que nossos heróis compartilham, é que realmente somos apresentados a algo que ainda não foi feito dentro da produção, apesar de ter sido exaustivamente repetido no cinema. Ter Esme como alguém que está perseguindo sua própria missão e que oferece risco para ambos os lados da guerra é incrível e demorou muito para acontecer em The Gifted.
A série poderia ter se beneficiado muito mais desse formato se tivesse inserido as telepatas bem antes, substituindo parte do drama amoroso, ou problemas familiares que apenas seguraram a trama e não a deixaram atingir o potencial necessário. A partir de eXploited já consigo ver um panorama bem mais interessante para a série dos mutantes, uma que antes eu não conseguia graças ao ambiente genérico e sem muita vida em que eles estavam confinados. É preciso que existam maiores conexões com o material de origem e um pouco mais de diferenciação, assim como Legião fez, para que a série realmente mostre um lado inesperado, cheio de surpresas e que aproveite verdadeiramente o potencial de anos de tramas e histórias. Pegue Agents of S.H.I.E.L.D. como exemplo, ou a própria Legion, ambas foram além da fórmula batida e conseguiram criar eventos memoráveis para seus personagens. E ser memorável deveria figurar como a principal missão de The Gifted.
Easter eggs e outras informações em eXploited:
– Como já mencionado antes, as irmãs Cuckoo funcionam como uma mente de colmeia e usualmente falam juntas, ou completando as frases uma das outras. Inicialmente eram cinco e não apenas 3, mas acredito que duas não devem ter sobrevivido aos experimentos científicos – ou será que sobreviveram? Resta saber se a “mãe” das personagens um dia aparecerá na série, precisamos de uma Rainha Branca urgente.
– A sala em que os irmãos Strucker foram levados é revestida de Adamantium, encontrado no Canadá. Essa é uma clara referência ao Wolverine e suas garras do mesmo material.
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– Também vale mencionar que o adamantium foi encontrado em uma base militar abandonada, a mesma da Arma-X. Será que teremos nossos personagens visitando o lugar futuramente? Bom, eles já sabem onde está.
















