The Flash lida com mortes e viagens no tempo em Infantino Street, seu penúltimo episódio da temporada.

Existe sempre a errada interpretação de que pedir por uma série divertida, é pedir por uma série cômica. Comédia nem sempre é sinônimo de diversão. Entretenimento é divertido, algo que pode ser aplicado para a ação, aventura, terror e até suspense. Flash, porém, esteve (em sua terceira temporada) sempre no limiar do tedioso, ou irritantemente previsível. Se o último episódio da série, Cause and Effect, foi divertido por trazer a aura de um personagem descompromissado e também bem humorado, o desta semana expos sua diversão por ser bem conduzido e emocionalmente equilibrado, mesmo dependendo de uma cena já utilizada incansavelmente durante a temporada.

O que fez do penúltimo episódio algo bom, porém, não foi o uso repetido de algo que já vimos várias vezes, mas o casamento perfeito entre a emergência do momento criado por Savitar e a presença de Leonard Snart. Uma boa participação especial, como a de Wentworth Miller, é sempre louvável e saber que o personagem continua morto com certeza deve figurar como o pior erro já cometido pelo time por trás das séries do Arrowverse. Ter o Capitão Frio em sua versão mais amigável, saída direto de Legends of Tomorrow, era o que Flash precisava para contrabalancear a aventura, o suspense e com certos tons de bom humor.

É exatamente esse tipo de tratamento que espero de uma produção do Corredor Escarlate, uma que eleva a carga dramática, mas que não despreza certa leveza que o Flash pode e deve ter sempre. E mesmo quando desvia do protagonista, a série consegue fazer um bom trabalho, com Jesse L. Martin mostrando porque Joe é uma presença tão importante para o elenco. Seu momento de diálogo com a Iris não apenas nos oferece mais de ambos os personagens, mas também uma pequena amostra do potencial vocal do ator – algo que já sabíamos que existia graças a viagem a Terra 2 e a alucinação crossover de Duet.  O relevante aqui é que a série tratou pai e filha como pai e filha, algo que estava fazendo falta.

The Flash 3x22: Infantino Street
The Flash 3×22: Infantino Street

Trazer mais uma vez o fantasma da morte da Iris poderia ter sido um descarrilamento de trem para The Flash. Felizmente os roteiristas aproveitaram bem a proposta, fazendo do seu penúltimo episódio um interessante momento para o Corredor Escarlate, mesmo que os velhos problemas da série tenham aparecido para nos lembrar de que nem mesmo quando tudo termina bem, no ponto de vista narrativo, o roteiro pode ser lido inteiramente como algo bom – o que é uma pena.

A parte positiva é que Infantino Street conseguiu fazer do previsível momento da morte da personagem, algo bom. Existiu uma conexão sentimental muito grande entre o que já sabíamos que iria acontecer e o que realmente aconteceu. Enquanto muitos esperavam por um ponto chave em que Iris não morresse, dentro do que foi construído, fazia mais sentido vê-la perecendo. A gravação utilizada, assim como a trilha sonora, servem para alimentar o aspecto emocional de uma maneira que nenhuma visão do futuro havia oferecido antes. Este é um recurso narrativo bem utilizado, já que precisamos de um impulso a mais para realmente sentir a dor da morte de uma mulher que está na série desde seu piloto e que é extremamente importante para o herói.

Talvez a morte da Iris não seja definitiva, o que será um grande erro para a série. Contudo, e é crucial compreender a estrutura das produções do chamado Arrowverse, essa seria a segunda vez que o recurso da ‘mulher dentro da geladeira’ surgiria como grande motivador do esforço final entre herói e vilão. Neste aspecto a morte de Iris West se torna então um grande problema para uma série que nunca soube utilizar bem suas personagens femininas. Nada disso, porém, obscurece a qualidade do episódio. Só que ainda precisamos falar do que não funcionou, certo?

The Flash está, ainda, lidando com as consequências de sua viagem no tempo. Com um episódio para trabalhar a morte de Iris e o peso das interferências do Barry na linha cronológica, o roteiro decide, inexplicavelmente, trazer um personagem saído do passado para ajudar o protagonista. É irritante, confesso. Em se tratando da participação do Capitão Frio, é ótimo ter esse recurso disponível. Já quando ponderamos o que a série está tentando fazer com toda a temática de responsabilidade e viagens no tempo, fica um gosto bem agridoce na boca após o final do episódio.

The Flash está a um episódio de concluir sua terceira e tão sombria temporada, mas episódios como Infantino Street provam que é possível fazer um bom trabalho, mesmo quando a aura não é descompromissada e mergulha fundo na escuridão. Diversão não é o mesmo que comédia e até um capítulo tão atrelado a perda e sofrimento pode entreter quando a escrita é bem feita. Ainda prefiro meu Flash agindo como um farol de bons momentos, mais leves e melhores trabalhados, mas não consigo criticar negativamente um que eleva a carga emocional e que cria algo bem pessoal para o último embate entre Barry e Barry.

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Easter eggs e outras informações em Infantino Street:

– O nome do episódio, Infantino Street, é uma homenagem a um dos criadores do Flash e também do grupo criminoso conhecido como Rogues, nas histórias em quadrinhos, o Carmine Infantino.

– O Leonard Snart que Barry traz do passado está cronologicamente após os eventos de Left Behind, o oitavo episódio da série, mas antes de Destiny, que é onde Snart se sacrifica pelo time. A informação é confirmado quando Leonard vê a mão decepada do Rei Tubarão e confessa ter passado por algo parecido, que é quando o vilão Chronos o força a congelar a própria mão.

– Quando Barry diz que Snart é necessário por causa de seu ‘particular número de habilidades’ ele está fazendo referência ao filme Taken, do Liam Neeson – que é um dos filmes favoritos do Snart e que tem a atriz Katie Cassidy (Laurel Lance), em uma ponta.

– O cartão que aparece e faz menção a Sibéria é o mesmo usado em Legends of Tomorrow.

– Snart diz que ‘ele não tem amarras’, frase dita pelo personagem antes de sua morte em Destiny.

– Este é o último encontro entre Snart e Barry antes da morte do Capitão Frio.

– A última missão entre o Flash e o Capitão havia sido em Rogue Air, em que o Snart usou a frase “é sempre ótimo encontrar um fã”, que ele repetiu para o agente da A.R.G.U.S.

– O episódio se passa entre 22 e 23 de março, a data da morte da Iris West.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-flash-3x22-infantino-streetThe Flash está a um episódio de concluir sua terceira e tão sombria temporada, mas episódios como Infantino Street provam que é possível fazer um bom trabalho, mesmo quando a aura não é descompromissada e mergulha fundo na escuridão.