The Flash, uma série que sabe provocar.

Se tem uma coisa que The Flash provou nesses cinco episódios exibidos até agora, é que ela é uma mestra na arte da provocação. Mesmo com um desfecho meio aguado para Plastique em um episódio um pouco “menos” do que os já exibidos e novamente utilizando a fórmula dos vilões dispensáveis, tudo funcionou muito bem para nosso Corredor Escarlate, que permanece interessante e extremamente divertido de acompanhar. Tudo isso jogando nossas expectativas pelos ares, mas sem nenhuma explosão considerável, por enquanto.

O ponto a ser centralizado aqui é o primeiro dilema moral que a equipe dos laboratórios STAR precisou lidar. Sans Souci não é uma vilã de verdade, ela é tão vítima quanto Barry e todos os outros meta-humanos. A diferença é que ela não pirou (tá, só lá no finalzinho e com uma ajudinha). E então, o que fazer a partir dessa nova barreira? Tudo o que Cisco, Caitlin e Wells prepararam ao começarem a lidar com essas pessoas modificadas foi visando detê-las. Criar uma prisão para conter as ameaças e com sorte, alguns deles se explodem no processo.

E como lidar com uma personagem boa, que não tem o desejo de se tornar uma vilã, ou arriscar a vida dos outros, mas tem um poder tão destrutivo quanto os que se bandearam para o lado negro? Não é fácil. Por isso, eu queria que o episódio tivesse lidado um pouco mais com essa situação. Até porque, sei que é mais fácil ter 20 vilões descartáveis do que ter 3 com  problemas relacionáveis e que ofereçam essa pausa para pensar nas nossas personagens. O melhor teria sido acompanhar a transformação dela também, aos poucos e quem sabe de uma forma parecida com que Arrow lidou com sua Caçadora.

Dilemas vendem mais que dramas amorosos (ou pelo menos deveriam), são bem mais interessantes e rendem dinâmicas mais atrativas. Ainda estamos no ponto em que Barry, Caitlin e Cisco são nuvens de ternura e comédia. Não temos a perder com um pouco mais de drama. Sei que a proposta de The Flash é se tornar o diferencial da DC na CW, já que temos Arrow para cumprir a cota do sombrio e mais realista. Mas não é por isso que precisamos viver em constantes piadas e risinhos, ou problemas que acabam em um copo de tequila super concentrada.

Por enquanto, quem destoa é o professor e sua imensa capacidade de influenciar, mesmo que só com uma pequena frase, ou dica. Foi bom ver como ele se aproveitou da fraqueza de Sans para fazer com que ela se desvirtuasse do caminho e buscasse sua justiça. Lentamente Wells vem saindo das sombras da duvida e se aproximando mais e mais do arquétipo do vilão.

E então entramos no ritmo da série, que mantém o passo acelerado e corre em busca de se estabelecer em todos os sentidos da mitologia do Flash. Se em Smallville demoramos anos para ver Clark Kent com todos os seus poderes, conforme estabelecido nos quadrinhos, aqui Flash já desenvolve bem todas as suas habilidades ao redor da corrida. Tudo bem, as vezes parece bem superficial, os cálculos matemáticos mesmo são apenas para despistar, já que a dica permanece a mesma: Corra mais rápido. Porém, ver Barry subindo um prédio, correndo sobre a água, é a prova de que não estamos acompanhando um crescimento lento, pausado e gradual. É para se acostumar com esse ritmo frenético mesmo. Seria mesmo meio estranho o homem mais rápido do mundo demorando um ano inteiro para correr mais aceleradamente. Certo? E esse favor, nós só temos a agradecer aos roteiristas.

E finalmente a relação Iris/Barry teve um avanço agradável para a série. Mesmo que desenhado ao redor dos sentimentos do Barry, a conversa dos dois entre amigos foi muito mais tocante e sentimental do que qualquer possibilidade de que futuramente eles se tornem um casal. Não foi o olhar de peixe morto para o Eddie, não foi a cena no telhado (bem Superman e Lois Lane), mas sim seu discurso emocionado pontuando o medo de perder alguém que, mais do que uma paixão, representa parte da família. Isso conseguiu mover mais do que qualquer outra interação nos episódios passados. E que permaneçam um pouco estranhos, longe um do outro, o que for necessário para nos darem mais diálogos parecidos com o que ambos tiveram. Assim se enriquece a participação dos deles e até fica mais fácil para quem sabe, aceitá-los como algo a mais no futuro. Afinal, Barry e Iris foram criados juntos, Barry a ama desde muito pequeno, mas nós só os conhecemos agora, não é o passado jogado em frases que irá nos convencer, é a dinâmica e a química que eles terão (ou não) no decorrer da série.

Quanto ao blog, esse ainda vou colocar em espera. Sei que Iris quer espalhar a palavra do Flash, mas em um mundo que já temos internet, twitter e inúmeras outras redes sociais, fica meio complicado aceitar que ela será a responsável por levar o “raio” para a relevância merecida. E não querendo ser chato, nem nada parecido, mas o Cisco está começando a me irritar um pouco. O alivio cômico em uma série em que praticamente TODOS os personagens já são bem descolados nessa área, acaba ficando forçado demais.

Terminando a review, apesar de ter achado a morte da Plastique bem sem sal, um tiro e tchau, gostei bastante do episódio. A construção de um possível novo vilão era tudo o que a série precisava. Temos o Capitão Frio já na manga, mas precisamos de diversidade e novos problemas para mover o Flash. Além das interações válidas e do senso de equipe que tivemos no laboratório, foi muito divertido poder testemunhar o crescimento de uma amizade e os riscos que o professor Wells oferece para todos. The Flash sabe provocar, sabe nos preparar, agora só falta descobrirmos se ela consegue entregar e surpreender, e até agora, minhas esperanças dizem que sim.

Easter Eggs e outras informações

– Veja que interessante. Nos quadrinhos Plastique faz parte do Esquadrão Suicida, no episódio Wells envia a ex-militar para uma missão… suicida.

– A forma que o Barry move o rosto rapidamente não é apenas algo típico do Flash, como Jay Garrick. O Superman também utiliza essa artimanha para evitar ser fotografado.

– General Eiling nos quadrinhos é uma espécie de mutante, com conexão direta ao Esquadrão Suicida. Com Arrow e Flash no mesmo universo, seria uma boa vê-lo interagir com Amanda Waller.

– Dois nomes relevantes apareceram no episódio: Harry Hadley, que esteve na HQ Capitão Átomo #1. E Cameron Scott, que é o codinome do Capitão Átomo.

– As dicas de que o professor Wells é do futuro só aumentam, com a frase “essa tecnologia não foi inventada ainda” só deixa tudo bem mais forte.  Só resta saber se a série vai mesmo seguir esse caminho, ou se ela só está no despistando.

P.S. Só um detalhe: A identidade do Barry não é secreta? Como ele revelou fácil para a Sans, sem nem conhecer a moça. Que isso, meu jovem? Tem que segurar o mistério mais um pouco. Nem 10 minutos e já estavam todos reunidos no QG.

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