O peso do heroísmo e o manto da culpa.
Ser um herói não é fácil, na verdade é uma das coisas mais difíceis que existem. O peso moral em cima do que você deve fazer em favor dos outros, é grande e carregado de indagações. Onde termina o herói e onde começa o humano por trás da máscara? Essas são as perguntas que The Flash tentará responder semanalmente em sua primeira temporada. Até agora, um serviço executado de maneira coesa, simples e bem trabalhado.
O ponto mais forte do episódio foi conseguir colocar o protagonista da série em segundo plano e dar o devido tempo e atenção para desenvolver os outros personagens. Isso não é uma tarefa fácil, afinal, a série se chama “O Flash” e não Flash e seus amigos, ou liga do Flash. Logo, enquanto a ideia de muitos é saber tudo o que precisamos a respeito de Barry, a dos redatores é de preparar primeiro o suporte para depois erguer a fortaleza. E é algo que eu apoio totalmente.
Isso por si só faz de “Things You Can’t Outrun” um episódio acima da média para um começo de temporada. Muitas séries lutam contra a correnteza para conseguir encontrar seu tom, mas não é nosso caso. A identidade já está bem definida e as personalidades agora começam a ser lapidadas. Através de Flashbacks que muito se assemelham aos de Arrow, estamos pouco a pouco conhecendo mais deste mundo e de nossos personagens. Com um diferencial, aqui não somos limitados por uma ilha, ou o prazo de cinco anos, não existe a obrigação de saber tudo, apenas o essencial.
Gostei bastante de como mudaram o foco para Caitlin e seu noivo. É interessante ver que a jornada do herói existe até mesmo para aqueles que receberam a promessa de se tornarem vilões. E por falar na doutora, olhem só que curioso: A CW/DC tem a estigma de sempre transformar as potenciais namoradas dos seus protagonistas em personagens pedantes, chatas e cheias de probleminhas que ninguém dá a mínima. Nos quadrinhos Iris é quem conquista o coração do Flash, na série, é Caitlin quem nos anima para um possível par romântico. Uma repetição de Smallville, com Clark e Chloe e Arrow com Oliver + Felicity. É fácil? Alguém me explica qual a receita que eles usam? É intencional? Honestamente, as cenas entre Barry e Caitlin transpiraram um relacionamento carinhoso e bem mais agradável do que o dele com a Iris. Por mim, nem teríamos casal, mas como a proposta do canal é sempre incorporar o romance jovem, dos males o menor, prefiro que seja a Caitlin.
Agora vamos falar de Robbie da casa Amell. Gente, eu levei o maior susto quando ele apareceu, realmente pensei que fosse o Oliver Queen. A semelhança entre os dois é muito grande e fico imaginando o quão esquisito ficará quando ele aparecer na série do primo, Stephen. Saindo desse choque inicial, quero saber como irão trabalhar o retorno do noivo “morto”. Todo mundo sabe, até já confirmamos aqui no Série Maníacos a presença de Robbie como o Nuclear. É algo que me deixa extremamente ansioso, mesmo sabendo do dito pé frio do ator. E gostei da forma com que pontuaram seu sacrifício, não foi algo acidental, como o caso do Barry. Nuclear se torna um herói por ser um. Imagino que a relação dos dois será um pouco explosiva.
Algumas ressalvas podem ser feitas quando pensamos no vilão do episódio. Ainda é tudo bem corrido, apressado e sem profundidade. Mas é algo que eu espero que vá mudar quando os bandidos mais high profile surgirem. Porém, The Mist é até um personagem importante no cânone do Flash e seu tratamento, assim como a execução da “luta” entre herói e bandido foi bem fraco. Todos nós queremos mais, certo? A série só acha que agora não é o momento de nos oferecer esse desenvolvimento. Imagino que estão guardando o chumbo grosso para o Capitão Frio (no próximo episódio), ou o crossover entre Flash e Arrow, que acontecerá lá na mid-season finale da série, mas nesse caso já seria tempo demais.

Quanto a relação entre Barry e seus “pais”, não tenho muito do que reclamar. Neste momento é bem complicado dedicar um flashback para qualquer um dos dois, que seja mais isolado e menos centralizado na infância do Flash, mas a série tem feito um bom trabalho em cima disso. As cenas no presídio, ou a busca pelo Detetive West pela solução do crime, enquanto tenta fazer com que Barry desacelere é uma adição agradável ao roteiro. Acima de tudo, nos dá a dimensão de até onde Grant Gustin é capaz de chegar, e o moço precisa aquecer bem suas capacidades de atuação, de boneco de cera já basta um certo arqueiro verde da cidade vizinha.
Do namorico entre a Iris e o Eddie tudo o que posso dizer é: ZzZZzZzZzZ! Sono define. Não sei se a série está focando nos dois por causa da possibilidade futura do Eddie se tornar um vilão, ou se é porque eles querem nos despistar do fato do professor Wells ser o verdadeiro antagonista. A realidade é que esses dois estão mais chatos a cada minuto em cena. The Flash, assim não tem como te defender, amiga.
Se vocês leram minha review do episódio passado, fiz uma teoria a respeito da identidade do professor Wells, você pode ler tudo aqui. Já neste terceiro episódio, algumas frases ditas pelo professor levantaram os já habituais alarmes em cima da teoria. Ao analisar o momento em que ele faz seu discurso, sua interação com a equipe e os olhares, tudo leva a entender que a explosão no reator foi premeditada, almejando a criação do Flash.
Sei que muitos de vocês (eu também, de certa forma), consideram Wells como o Flash Reverso, grande antagonista do Barry nos quadrinhos, mas toda essa fixação do professor em gerar eventos que culminem na criação do corredor escarlate e a fatídica: “Eu esperei séculos para que isso acontecesse”, me fazem ter mais certeza de que ele possa ser o Pária. Um personagem saído dos quadrinhos e com a missão de observar eventos chave nas diversas dimensões existentes na terra. Também não descarto a possibilidade dele ser o Flash Reverso, já que um dos maiores objetivos do cara é ser o inimigo do Flash. Criar seu inimigo não fugiria a regra da insanidade desse camarada amarelo.
Concluindo, eu sei que a série ainda apresenta alguns pontos fracos em sua concepção. Os vilões ainda permanecem bem avulsos e esquecíveis e todo episódio parece terminar no mesmo tom. Porém, com a ideia de trazer para dentro da história principal o desenvolvimento de Caitlin e as relações dos outros personagens, como Iris e Eddie, a série conseguiu entregar um texto bom e totalmente oposto do tedioso, ou medíocre. Sei que muitos querem cenas explosivas, lutas coreografadas, mas agora o momento é outro. Antes da tempestade vem a calmaria, e é na calmaria que precisamos conhecer mais a fundo aqueles que darão (ou não), força para superar as dificuldades que estão por vir.
Easter Eggs e outras informações
– No cinema do começo do episódio, dois filmes estavam em exibição: Blue Devil II: Hell to Pay e The Rita Farr Story, uma referência clara a Blue Devil e Elasti-Girl (cujo nome real é Rita Farr). Ambos eram dubles de filmes que eventualmente ganharam superpoderes.
– Waid Boulevard é uma conexão com Mark Waid, escritor de quadrinhos que cuidou por muito tempo de várias edições de The Flash.

– No episódio Barry diz que não quer um museu em seu nome, nos quadrinhos é construído um museu em homenagem ao todos os Flash, com destaque especial para o Barry.
– O Capitão Singh pede o arquivo “Orloff”. Nos quadrinhos o professor Pytor Orloff é um geneticista que cria a chamada Trindade Vermelha, um grupo de velocistas geneticamente modificados.
– Caitlin diz que ela e Roonie eram como gelo e fogo, nas HQs tanto ela quanto Roonie são conhecidos como Killer Frost e Firestorm, cujos poderes são, respectivamente, gelo e fogo.
– A área antes do centro da câmara do acelerador de partículas é chamada de “Reator Area 52”, mais uma ligação com os Novos 52.
– Big Belly Burger também existe em Starling City, de Arrow.
~ Próximo episódio teremos Felicity, para a alegria da nação~















