Chegamos ao ponto em que The End of The F***ing World precisa mudar sua narrativa. Extremamente bem simbolizada pela trajetória com o carro, o início da viagem de James e Alyssa começou repleto de animação e energia, como a primeira vez que escutaram o único cd no rádio. Ao longo do tempo, com a repetição, os dois jovens precisaram encontrar outros escapes que o fizessem acreditar no sentido da sua trajetória, como Alyssa buscando transar com alguém e assim fazer algo rebelde, legal, que a destacasse, enquanto James percebia a necessidade de assumir que havia sentimentos dentro dele aflorando pela primeira vez e ele deveria continuar para ajudar a menina que antes sonhava em matar.

Entretanto, nessa montanha russa de monotonias e loucuras, um momento quebrou a sintonia que a dupla tinha, junto com a fantasia de que esse passeio era estritamente divertido e libertador. O assassinato protagonizado pelos dois demonstrou que eles precisam de um rumo, necessitam chegar a um fim e carecem de alguém que os proteja e ajude. Dessa forma, o sexto episódio da temporada vem como a ponte dos antigos James e Alyssa para seus novos “eus” e seus novos objetivos.

Essa série possui uma habilidade de transformar o mórbido em divertido que me impressiona. Utilizando o assassinato para dizer como se tornou mais fácil roubar um carro, ou o deboche para dizer que o arrependimento não será eles serem pegos, mas serem pegos pela moça que trabalha no posto de gasolina, The End of The F***ing World cria uma atmosfera divertida que gera automaticamente uma vontade no telespectador de embarcar na aventura, mesmo sabendo a quantidade de problemas que os dois estão acumulando.

Toda a sequência no posto de gasolina foi inteligentemente conduzida ao colocar um menino esquisito e infeliz com sua vida, agir erroneamente por motivos similares aos protagonistas. Frodo não consegue perceber a gravidade de sua ação quando tranca a sua chefe e permite que os criminosos saiam ilesos, porém é esse ponto que Alyssa e James já ultrapassaram e agora conseguem compreender. Por mais que tudo comece como uma pequena loucura inocente, os jovens sabem que não há mais volta e explicar todo o ocorrido será complicado, afinal se seus próprios pais não conseguem compreender o que os fizeram fugir, o que esperar daqueles que nem mesmo os conhecem?

A esperança dos jovens é encontrar o pai de Alyssa e buscar ali um porto seguro e um lugar para pensarem o que fazer para resolver suas situações. Não levar Frodo é o melhor para ele, ainda que no momento pareça sacanagem e a tristeza do menino dê dó. O mundo dos adultos está chegando cada vez mais rápido, as responsabilidades antes ignoradas e tratadas como humor estão cada vez mais palpáveis e assim como a quebra do carro, nossos protagonistas estão quase sem recursos e ideias.

Após a quebra da teoria de que James era psicopata e a percepção de que essa viagem não é mais apenas uma pequena loucura, a série precisa mudar a sua narrativa, focar no pai de Alyssa e trazer com essa trama algo que os ajude ou não a fugir da polícia. Com Yara Greyjoy cada vez mais perto de descobrir o paradeiro dos meninos, a esperança dos jovens está nas mãos do pai que fugiu ou na empatia da policial ao descobrir que o falecido não era uma pessoa boa. Entretanto, a empatia não é milagreira e após chegar quase ao fim do f***ing world, James e Alyssa não possuem mais saídas para fugir.

Almost the end of the f***ing review:

  • Frodo gente como a gente, derrubando chaveiros, bebendo leite direto da boca da caixa e achando que está abalando. Pena que a vida (James e Alyssa) sempre nos dá uma rasteira.
  • Quem nunca ganhou uma faca aos 13 anos? Adorei que pela primeira vez vi uma série debochando de como os pais das séries teens costumam ser sempre loucos.
  • Tenho que mais uma vez elogiar a trilha sonora dessa série.
REVISÃO GERAL
Nota:
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