Em um episodio centrado em Philip, o duque de Edimburgo, a turnê real, a crise econômica e no canal de Suez foram o foco.
A longa jornada do duque de Edimburgo é relatada neste segundo episódio da temporada. A relutância de Philip em seguir na turnê solo foi deixada de lado, enquanto seu secretario pessoal, Mike, ajuda a transformar a turnê oficial em um passeio de “camaradas”. Desde a temporada anterior é possível enxergar em Philip tudo o que a família real quer desesperadamente não ter de lidar, a monarquia é um dever e não privilégio, as restrições são inúmeras e todas as regras não combinam com Philip; em contrapartida, Elizabeth II foi educada para se ater as regras da coroa.
Enquanto isso no Reino Unido, o primeiro ministro, Anthony Eden, começa a apresentar sintomas mais fortes de sua dependência em anfetaminas. As estratégias utilizadas por Eden para contornar a crise do Canal de Suez não foram certeiras, porém sua irracionalidade em lidar com o problema é atribuída a influencia da sombra de Churchill; é difícil apontar, com certeza, a motivação do primeiro ministro, mas como citado por Elizabeth II na temporada anterior: a parte eficaz deve ser saudável de corpo e mente.
A situação econômica e política é extremamente delicada, a imparcialidade da Rainha deve ser mantida e não existe alternativa a não ser o apoio a Eden para manter a obrigação constitucional do monarca perante ao seu reino. O canal de Suez era controlado pela Grã-Bretanha e a animosidade entre o primeiro ministro Eden e o presidente Nasser era visível desde a última visita de Anthony ao Egito. A ideia de Eden de arranjar uma operação militar anglo-franco-israelense não foi bem vista, sua má decisão acarretou em uma crise ainda pior, coisa que a Rainha não esperava ter de lidar no momento; até porque ela não pode agir em assuntos do tipo.
Ainda na Inglaterra, a Mrs. Parker, esposa de Mike, não está disposta a aguentar o descaso e infidelidade do marido. Se as conexões de Mike fossem comuns, seria mais um caso de divórcio – mesmo que a separação não fosse bem vista na época – sem repercussões além das sociais. Martin e Michael estão demasiadamente preocupados com as conclusões que a imprensa pode tirar, naquele tempo os boatos sobre Philip ainda eram escassos e para a manutenção da coroa era melhor que continuassem assim. É notável a fama do duque de Edimburgo e sua suposta infidelidade, um assunto sempre ignorado por Elizabeth II, no entanto ainda eram os primeiros anos de reinado da monarca.
“Ele especificou a Jamaica? O que será que ele receitaria para o resto de nós?”.
– Elizabeth II
É óbvia a intenção de Philip em aproveitar seu tempo com menos obrigações de consorte e como ele mesmo aponta, sua vaidade é tremenda. A entrevista com a bela repórter foi maravilhosa, apesar de não ser o suficiente para fazê-lo mudar ou qualquer coisa do tipo, a irritação gerada pelas questões levantadas por ela foi muito merecida. Algumas atitudes de Philip são muito controversas, ele sempre foi uma figura polêmica com uma coleção de gafes para a coroa; sua firmeza ao educar Charles e a forma como se porta não combinam, mostram a grande falha de caráter do príncipe consorte que é muito bem retratada na série.

O matrimônio real precisa demonstrar solidez, apesar da monarquia não interferir politicamente, a representação da figura da Rainha é importante até mesmo para a estabilidade econômica internacional. De início a história de Elizabeth II e Philip se assemelha a de Victoria I e Albert, como o amor juvenil por parte da monarca, o comprometimento com a família, a preferência da família real por um outro consorte (preferivelmente britânico), mas enquanto Albert era dedicado a família e a desempenhar seu papel de consorte, Philip não está disposto a nenhum dos dois papéis. Lord Mountbatten descreve Philip como um espírito aventureiro, talvez até o momento ele ainda não tenha se adequado a mudança de vida depois da morte de George VI, mas a turnê real foi uma ideia que conseguiu piorar o comportamento e infelicidade do consorte.
Para Philip, a inércia não é uma alternativa. Os encontros com os nativos, com as mulheres e os bajuladores não foram o ponto alto para o consorte, o resgate de um náufrago trouxe um senso de utilidade que ele ainda não tinha sentido. O príncipe tem buscado atividades que o fazem sentir-se liberto, mas quando ele é necessário mostra iniciativa e bom trabalho. O discurso natalino realmente não pareceu com algo que Philip diria – o duque só não é mais inapropriado do que a princesa Margareth – e a resposta da Rainha foi ainda mais tocante para despertar o senso de solidão que se instalou. O que atrapalha muito Philip em se adequar a situação familiar é sua forma de pensar, o machismo, racismo e outros preconceitos não combinam com sua vontade de modernizar e seguir as novas tendências do século XX, é um grande conflito interno que não deve ajudá-lo em nada.
O retorno de Philip deve estar próximo e a situação do divórcio dos Parker, agora com provas do adultério, deve ser um complicador para manter o casal real em harmonia. A crise econômica e o afastamento de Anthony também devem continuar sendo abordados, a dependência do Petróleo era ainda maior na década de 50 e os planos britânicos para manter o império e as colônias não devem se beneficiar com a crise. A primeira instabilidade no reinado de Elizabeth II deve desequilibrar um tanto as coisas na família real e uma outra turnê na Commonwealth não deve ser a solução para manter o império.
God Save The Queen 1: é difícil entender Philip, suas atitudes são por vezes muito instáveis e egocêntricas. No entanto, os deveres monárquicos são tão complexos e muitos não se adequam (como o tio da Rainha, Edward VIII);
God Save The Queen 2: o afastamento de Eden para a Jamaica ainda não é definitivo, mas apresenta Elizabeth II a mais um contato politico além de Churchill e Eden;
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God Save The Queen 3: a ideia de Mike da competição de barba foi divertida, também um grande indicativo sobre a natureza da turnê e referência para o nome do episódio.






















