So help me God.

Spoilers Abaixo:

Digamos que você trabalha em uma empresa, e em um dia qualquer comete um erro terrível, que põe em risco seu emprego e suas relações profissionais. Como você reagiria momentos após descobrir seu deslize? E como estaria seu ânimo no próximo dia? E na próxima semana?

Como eu já disse aqui The Closer tem um jeito peculiar de guiar seus episódios, variando do drama à comédia com muita facilidade e eficiência. Mas essa mudança não faz bem somente à estrutura dos episódios, mas também aos personagens. No fim de “Forgive Us Our Trespasses” Brenda tem um momento triste em que constata que o cerco a sua volta está se fechando com rapidez e todos os seus colegas de trabalho podem ser penalizados. Ela volta a comer chocolate compulsivamente e chora. Nos momentos iniciais de “Home Improvement” ela distribui suas habituais caras e bocas e provoca momentos divertidíssimos no escritório do seu advogado e seu preço abusivo. “Forgive Us Our Trespasses” tem um caso da semana pesado envolvendo um pastor encontrado morto em um motel em circunstâncias obscuras, e “Home Improvement” traz um caso onde a peça-chave para sua resolução é um anão de jardim. Isso não quer dizer que Brenda Leigh Johnson é uma mulher engraçada, nem que dia ou outro os casos da LAPD tomam caminhos que qualquer um riria caso visse (como acontece naqueles episódios “engraçados” de CSI). Essa dualidade de ritmos, ações, conseqüências, são tão bem arquitetadas como elementos estruturais que acabam afirmando mais ainda a sensação de estar vendo personagens reais e humanos em situações reais e convincentes. Nada é preto no branco e nenhum comportamento é abrupto. Essa é uma das razões pela qual eu amo The Closer. Agora vamos analisar separadamente os episódios.

“Forgive Us Our Trespasses” teve um caso da semana com muitas reviravoltas, com o foco no domínio religioso de um pastor sobre sua família e os segredos que sua morte revelou. A série sempre consegue analisar com eficácia esses assuntos mais polêmicos, e embora o número de idas e vindas tenha feito o caso perder o ritmo lá pro meio do episódio além de algumas inserções mal planejadas de humor aqui e ali por parte do roteiro, os momentos finais da trama foram marcantes com a confissão do assassino e a atriz Kate Burton (Grey’s Anatomy) estava ótima como a matriarca. Mas o destaque mesmo foi mais uma vez a atuação maravilhosa de Kyra Sedgwick e sua correria pelo escritório com a chegada inesperada do advogado que representa o caso Shootin’ Newton (Curtis Arsmtrong) que distribuiu intimações entre a equipe de Brenda, se recusa a sair do ambiente e ainda tenta causar um desconforto entre os oficiais. Típico advogado chato. Embora Brenda consiga lidar com a pressão dos seus subordinados no trabalho, ela finalmente desabafa na sua casa com Fritz. O seu “What Have I Done?” foi de apertar o coração.

“Home Improvement” é mais um exemplar da potência cômica da série, que garante que um episódio com caso da semana normal como esse tenha momentos especiais. A morte de um ex-condenado por pedofilia trouxe sim momentos tensos, mas pela quantidade de suspeitos se avolumando a cada nova pista, as figuras excêntricas durante a investigação (o motorista mal-educado, o encanador que “nunca aceitou suborno”, o casal dono do imóvel da vizinhança), e o carisma de Brenda durante a investigação (desde seu sapato apertado até sua visita à open house com segundas intenções), o episódio conseguiu entreter e servir como um bom plano de fundo para a trama principal. Fora que a cena em que a Brenda pede para a criminosa erguer o anão de jardim é mais engraçada que a última temporada inteira de algumas comédias.

E então… Brenda tem seu advogado. E ele é ninguém menos que o Jacob de Lost (Mark Pellegrino). Help me god. Sempre achei sua atuação em Lost limitada, mas aqui ele realmente me incomodou, recebeu as nuances do personagem pelo roteiro de maneira sutil mas interpretou o advogado Gavin Q. Baker como se estivesse em uma daquelas novelas das sete, implorando para que conseguisse fazer alguém rir com seu péssimo timing. Como The Closer tem um roteiro que faz até desconhecidos como Heath Freeman terem atuações dignas de vitória no Emmy minhas esperanças para que o ator se encontre no papel estão longe de acabar, mas a impressão inicial foi frustrante. A confusão com o pagamento da taxa altíssima de Gavin foi divertida, principalmente porque os motivos de Fritz pagá-lo eram MUITO maiores que o do Chief Pope (quem consegue ficar sem o canal de Tênis?).

Embora nenhum dos dois episódios possam ser listados como um dos melhores, a sétima temporada de The Closer continua muito sólida e agradável de se ver. A contagem regressiva já começou, todos os personagens agora estão posicionados, que venha o embate entre Brenda Leigh Johnson e a Capitã Sharon Raydor!

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