The Chi voltou com tudo, nos avisando que muitas reviravoltas acontecerão e que mais uma possível morte está a caminho. Utilizar de pequenos spoilers para prender a atenção do telespectador é uma técnica muito boa. Considerando que a série nunca utilizou essa fórmula, sua escolha dá uma nova roupagem a série e cria uma atmosfera de quebra cabeça em que iremos montar de pouco em pouco. Muito já aconteceu no primeiro episódio e por isso dividirei em partes.

Kiesha e a adoção

Após desistir do aborto, somos apresentados a uma Kiesha com 8 meses de gravidez e um plano de entregar o bebê para um casal adotivo. Recordando do passado da personagem, é fácil compreender o motivo de ela rejeitar a Octavia, existindo um grande medo de que toda a dificuldade que passou por ter pais divorciados se repita com a criança.

Faltando apenas um mês para o parto, fica no ar o questionamento se a Kiesha encontrará um casal que goste a tempo, podendo obrigá-la a tomar uma decisão entre dois caminhos que por enquanto não deseja, ficar com o bebê ou entregá-lo para a Octavia. The Chi não costuma apresentar personagens apenas para sumir em um episódio, então aposto minhas fichas que Octavia terá uma participação maior, todavia a decisão de não abortar já foi um tanto controversa, podendo existir uma grande possibilidade que os roteiristas queiram mostrar como é ser mãe de uma criança que foi fruto de um grande trauma.

Emmett e o quarteto romântico

Não é novidade que Emmett esteja envolvido em alguma bagunça criada por ele mesmo. Embora na sua cabeça o pedido de casamento tenha sido até mesmo uma forma de mostrar que ele ama e quer a Tiff, era óbvio que ao se tornar uma pessoa melhor, sua consciência pesaria. Sabemos que é questão de tempo para surgir uma torta de climão e o flashforward deixou isso bem claro ao mostrar Emmett trancado no banheiro e o olhar de estranhamento entre Tiff e Dom.

Falando em Dom, seu relacionamento com Darnell foi a cereja do bolo para toda essa trama novelesca e posso dizer que a cena dos quatro assistindo filme foi maravilhosa. Diferente de Emmett, ela consegue arcar rápido com as consequências dos seus atos e contou para seu atual namorado. Embora muitas pessoas possam criticá-la ao ficar amiga de Tiff, não faria sentido ela contar a verdade no lugar do Emmett e colocar em risco seu emprego.

Será interessante ver o personagem lidando com os sentimentos e outros problemas além do dinheiro, vendo que ter sucesso é bom, mas não resolve tudo.

Otis e Tracy

Um pouco inesperado, mas em uma possível tentativa de manter a personagem na tela, a química entre Otis e Tracy ficou clara desde o primeiro segundo. Embora Ronnie tenha morrido, foi inteligente da série pular o luto da personagem, afinal já a vimos sofrendo muito tempo por causa do seu filho e dessa forma ela voltaria a ter a mesma trama.

Vê-la empenhada e poderosa no seu projeto foi uma escolha acertada e independente do que acontecerá em relação ao Otis, espero que sua amizade com Jada e Dre apareça cada vez mais, pois a interação delas no restaurante foi sensacional. Embora acredite que ela se envolverá com Otis, a construção da personagem está relembrando uma viúva negra, deixando no ar que talvez quem tenha que tomar cuidado seja ele.

Imani e Trig

Embora Imani tenha alertado e dito que não queria que Trig trabalhasse para o Otis, vimos como ele o fez por Jake. Está escancarado na cara do casal que nenhum dos dois está gostando da situação, porém como Otis tem dinheiro para ajudá-los a cuidar de Jake, o orgulho teve que ser engolido.

Como dito pelo showrunner Justin Hillian, essa decisão do Trig leva ao questionamento se o fim justifica os meios. Com o objetivo de dar uma vida melhor para Jake, trabalhar para alguém tão perigoso e colocar sua namorada no meio valerá a pena? Trig e Imani estão no topo da minha lista de quem pode ter atirado no Douda.

Kevin, Jake e Otis (prefeito ou mafioso?)

Kevin e Jake não tem um minuto de sossego e mais uma vez a série lembrou como crianças negras são obrigadas pelo mundo a se tornarem adultas mais cedo. Após a reverberação do caso do George Floyd era óbvio que a série traria para as telas a violência policial. Embora essa brutalidade exista desde sempre e no piloto tenhamos visto como a polícia apenas aumenta o medo em vez de soar como segurança, o assunto está em alta na mídia e felizmente o mundo está falando sobre. Dois estranhos, que trata sobre tal tema, ganhou como melhor curta no Oscar e ficou claro que se você fica calado, significa que você é a favor do status quo. Não basta não ser racista, é necessário ser antirracista.

E com tanto para se falar, o showrunner Justin Hillian disse que eles decidiram aproveitar algo único da série, a existência de um prefeito negro com muitos ramos ilegais/desonestos. Segundo Justin, colocando Jake como vítima, Otis acaba sendo afetado e fica de frente a uma escolha, tentar fazer o correto ou continuar fazendo seus esquemas, fechando os olhos e pensando apenas na sua visão pública. Assim, o título no jornal “prefeito ou mafioso?” acaba resumindo a decisão que o personagem deverá fazer.

Na hipótese de Otis procurar fazer algo sobre os policiais, poderemos esperar que diversas pessoas brancas do alto escalão fiquem contra ele. Além disso, com Otis fazendo inimigos políticos, é possível que a doação de dinheiro que ele ganhou contra Camille pare de existir e ela ganhe esse apoio. Muito está em jogo e depois de Trig e Imani, coloco na lista de suspeitos algum político, policial que queira pará-lo caso ele lute contra a brutalidade policial.

Kevin, Jake e Jemma

Embora Kevin tenha se declarado para Jemma, vimos como ela ficou irritada com ele por não se posicionar politicamente e apenas aceitar o que está errado. Pouco tempo depois, ao ser vítima da violência policial junto com Jake, ficou claro que os amigos terão muitas brigas uma vez que Jake acredita ser necessário se impor e lutar contra a injustiça, enquanto Kevin prefira fugir, abaixar a cabeça e ficar na sua.

Não existe certo e errado, afinal nenhum deles merecia ter que lidar com isso, ainda mais sendo tão jovens. Jake sendo criado por pessoas que sempre colocaram a cara para bater não sabe o que é abaixar a cabeça. Kevin tendo sido testemunha de assassinato e lidado com tantos problemas, parece só querer ter algum momento de paz.

Provavelmente no meio do caminho essas divergências se tornarão maiores, aproximando Jake e Jemma, chegando na cena do flahsforward em que eles estão se beijando. Ainda que a série traga diversos temas pesados que infelizmente eles são obrigados a lidar na infância e adolescência, é bom ver como eles conseguem também trazer um drama teen. Com a talaricagem de Jake, creio que nem o maior sorriso de Papa será capaz de fazê-los voltarem rápido a serem os três mosqueteiros.

Episódio 5

Já foi confirmado que os eventos vistos no flashforward passarão no quinto episódio, sendo uma ideia muito inteligente da série. Utilizando o mistério, mas sem abusar e enrolar, ficaremos ansiosos, aflitos e curiosos por cinco episódios, existindo tempo para tratar de todas essas reviravoltas nos outros cinco episódios da reta final. Usar um cliffhanger no último episódio da temporada já foi uma tática boa, porém após ser tão usado por todas as séries, a maior surpresa é jogar um episódio caótico no meio da temporada, demonstrando que o roteiro sabe criar mistério, mas também sabe desenvolver suas consequências, tendo uma qualidade tão boa que não precisa se apoiar em cenas de choque e a imaginação do público.

Esse primeiro episódio me alegrou bastante e estou extremamente empolgado para a temporada. Provavelmente a melhor volta que a série teve e mostrando que embora a época do Brandon fosse boa, sua saída foi tudo que a série precisava e provavelmente nem sabia.

REVISÃO GERAL
Nota:
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