Depois de um episódio esplêndido, The Bold Type nos apresenta dois episódios bastante medianos. Eu amo as questões sociais que a série traz, mas as vezes sinto que falta profundidade nas tramas pessoais dos personagens. É como se os roteiristas tivessem medo de arriscar. Dificilmente a gente vê um arco dramático que perdure. As resoluções dos conflitos costumam ser episódicas e fáceis. Sei que a proposta da série é ser light, mas me preocupo que tudo acabe ficando raso demais.
Enfim, depois do sonho erótico com Leila, Kat acorda cheia de culpa. O que teria significado esse sonho? Será que é apenas carência causada pelo fato de Adena estar viajando? Mesmo cheia de dúvidas ela decide ir encontrar Leila em uma festa, afinal, ela é nova na cena lésbica e quer se divertir. Lá ela descobre que mesmo na cidade grande o mundo LGBT é bastante pequeno e que como uma novidade, ela é carne fresca. Com tanta atenção, é claro que rola um beijinho. Pelo menos não foi com a amiga de Adena e sim com outra qualquer. Kat passa um tempão no dilema de contar ou não para Adena sobre a traição, mas no final decide ser honesta.
Fiquei bastante surpreso com a maturidade de Adena. Ela entende que Kat está passando por “despertar sexual”. Um novo mundo cheio de possibilidades se abriu por Kat e a fotógrafa enxerga a necessidade dela de explorar seus desejos. Fiquei com muito medo disso significar o fim do nosso shipp preferido! Ainda bem que elas encontraram uma saída. É sempre complicado para uma equipe de roteiristas manter um relacionamento interessante depois que dois personagens finalmente ficam juntos. Muitas vezes fica bem chato. Como não quero ver meus bolinhos separados, achei interessante a ideia de abrir o relacionamento das duas. Vamos ver como isso vai se desenvolver. Adena veio com um monte de regras para manter sua integridade e de Kat, mas seu outro pedaço da laranja já viu que isso não funciona para ela. Ela quer compartilhar com a amada suas descobertas. Não sei se é melhor ideia… cadê as BFFS nessa hora?
Enquanto Kat luta para manter seu relacionamento vivo, Sutton entra de cabeça no modo party girl após ver o ex com outra. Provando que tudo que está ruim pode piorar, ela ainda é obrigada a vestir a nova namorada de Richard para uma festa e descobre que ela não é só um casinho. Coitada! Ela diz que sair com Brooke é só para conseguir contatos, mas fica evidente que é puro escapismo. Nenhum mal nisso, se tal comportamento não estivesse interferindo no seu trabalho e na sua saúde. Ainda bem que ela percebeu logo que não é isso que ela precisava e que Brooke não era amiga de verdade, alguém com quem ela podia contar. Ela só estava interessada mesmo no seu cartão corporativo. Inclusive, achei que a história de usar o cartão para cobrir os gastos de Brooke com drogas iria gerar sérios problemas, mas parece que a coisa ficou por aí mesmo. O resultado do afastamento da influencer foi, como era de se esperar, perder a influência dela. Bem cara de pau fingir que Tyler, o contato que poderia conseguir uma bolsa que Sutton precisava para um photoshoot, estava indisponível. Ainda bem que Oliver tem influência mais do que suficiente, é compreensível e lembrou a moça que eles formam um time (poderosíssimo). Espero que Brooke não volte porque ninguém precisa desse encosto.
Agora, quem teve bastante espaço nesses dois episódios foi Jane. Lembram que na season finale Jane escreveu um artigo sobre uma artista que protestava quanto a ineficácia da justiça em condenar aqueles acusados de abusos sexuais, história essa que levou Jacqueline a compartilhar o abuso que sofreu? Bem, por essa peça Jane foi indicada a um prestigioso (e fictício) prêmio, o Mandy Award. Embora ser indicada seja uma honra, isso também causou um certo desconforto para Jane, já que isso significava que ela precisaria ver Jacqueline de novo depois desta ter recusado seu retorno à Scarlet.

Para deixar a coisa ainda mais awkward, Jane consegue um bico no Daily Review que pede para que ela volte ao seu artigo, explorando o efeito dominó que uma denúncia como a de Jacqueline causa. Cara, olha como The Bold Type é antenada ao que acontece no mundo! O episódio Carry The Weigh foi ao ar no dia 05 de setembro de 2017. Exatamente um mês depois o The New York Times publicou as denúncias de décadas de assédio e abuso contra o produtor Harvey Weinstein, o que motivou muitas mulheres e homens a compartilharem suas experiências e deu origem ao movimento #metoo. Um ato de coragem de uma pessoa pode dar voz à outras e era justamente o que o editor do jornal queria que Jane explorasse. Lindo como isso mostra que só na unidade o mundo pode mudar. Jane deixa o desconforto para lá, escreve seu artigo, recebe seu prêmio e ainda consegue finalmente voltar à Scarlet!
Porém/contudo/no entanto, se em The Domino Effect estava super orgulhoso de Jane, em Betsy ela só me passou raiva. Ela descobriu que Sutton mantém uma espingarda em casa (trancada em segurança e sem munição). Acontece que Sutton participava do time de tiro de sua escola e mantém Betsy, o nome da arma, como recordação. A caça e o tiro ao alvo eram seu modo de fugir das dificuldades que passava em casa. Era um lugar onde ela podia ter controle de algo. Mas claro que Jane sendo Jane não quer nem saber da explicação da amiga e passa o episódio INTEIRO enchendo o saco.
Ok. Eu sou completamente contra o porte de armas. A sensação que fica é que toda semana a gente vê notícia de homicídio em massa nos EUA. As estatísticas são alarmantes. Só em 2018 já aconteceram 154 (isso até o final do mês passado). Além disso, 64% dos homicídios no país são ligados à arma de fogo. Isso acontece porque há uma grande facilidade para se adquirir uma arma. Os números revelam que há mais de uma arma de fogo para cada habitante nos EUA. Jane está coberta de razão em ser cautelosa quanto ao assunto e não querer uma arma em sua casa. Porém, mas uma vez ela mostra como é umbiguista e controladora. Ela não quis nem escutar Sutton, já veio jogar pedras e começou a derramar sobre ela seus traumas para conseguir o que queria. Ela sempre faz isso! Eu amei o esporro que a Jacqueline deu nela por não considerar a visão da amiga. Toda a chatice de Jane acabou tirando um pouco o foco da discussão sobre armas. O saldo foi negativo, uma vez que a antipatia que surgiu por Jane no episódio contaminou a causa que ela estava defendendo. Achei fofo como Betsy virou brincos, mas não gostei de como essa discussão terminou, com Sutton baixando a cabeça e mais uma vez se entregando às vontades da jornalista. Jane precisa crescer e aprender a ESCUTAR.
> THE HANDMAID’S TALE no #EmmyNaTNT feat. Carol Moreira e Mikannn!
Estamos chegando ao fim da temporada. Como voou! Faltam só mais três episódios. The Bold Type ainda é o xodozinho da minha grade, mas esta temporada – apesar de excelentes momentos – tem se mostrado um pouco aquém a anterior. Espero que a reta final seja tão boa quanto o 2×05.
The Bold Note: mil desculpas pelo atraso nas reviews! Tentarei ser pontual nessa reta final.






















