Em dois episódios carregados de crítica social, The Blacklist continua um pouco mais do mesmo depois do retorno de Elizabeth Keen a vida legitima. Serial killers sempre são os melhores temas para se abordar em dramas policiais, mas a série não conseguiu empolgar nesse episódio como Criminal Minds faria, também não soube definir as tramas paralelas de forma concisa. Já o Caretaker demonstrou uma pequena, mas firma, melhora e explorou um plot de conspiração fantasiada que poderia bem ser real.

There’s no shame in your decision”

– Samar

Começando com o “The Drexel”, a adaptação de Lizzy e a sua escolha em deixar o bebê ainda é o destaque de seu plot, Red foi deixado um pouco de lado depois da profunda conexão que teve com Keen durante a fuga dos dois. Outra trama que não consegue encontrar seu caminho é a de Donald e Samar, os dois não são interessantes juntos e parecem insistir em tocar no assunto de novo e de novo; Ressler fez muito mal ao despedir Navabi, porem chega dessa história cansativa.

O que a Samar disse sobre o bebê e a adoção foi tudo bem acurado. Liz sente vergonha e o telespectador também espera uma outra atitude dela, ninguém realmente se colocou no lugar dela ou tentou entende-la como a Navabi o fez. É um assunto delicado e complexo, uma boa escolha para abordar, mesmo sendo incompatível com um drama policial, mas os motivos dela ainda estão equivocados e parecem superficiais da forma como desenvolveram.

O próximo da lista é um serial killer bastante excêntrico, o enredo apesar de ser diferente conseguiu ser clichê ao mesmo tempo; a analogia de que os assassinos em série vêm seu crime como obra de arte é bem over já. O Drexel usa sua “arte” como forma de expressar alguma indignação social, apesar da ideia ser válida, não pareceu um motivo convincente para incluí-lo à lista. O interesse oculto de Reddington foi o ponto alto do episódio, o mistério de Rostova é curioso e tem a chance de devolver o fator de empolgação a série depois da ótima primeira metade da temporada.

Tom Keen é um problema a parte, a confiança restaurada de forma repentina de Liz nele foi malfeita. Apesar do amor e gratidão por ele, acreditar em um homem que mentiu até sobre o nome é um pouco difícil de aceitar essa nova fase dos dois. Adoro Tom e o personagem tem muito potencial, só que não fica crível eles quererem dar essa família feliz que Elizabeth sempre quis sem trabalhar mais esse plot. Depois da situação com Gina, as coisas deveriam ter mudado e mesmo que as intenções dele tenham sido as melhores, não se pode confiar em alguém instável assim.

Partindo para o “The Caretaker”, esse capítulo trouxe uma conspiração ao menos interessante para o meio sem fim que Raymond está metido. Esse suspense todo com Katarina Rostova tornou-se um tanto repetitivo, ao invés de passarem algumas dicas por episódio preferem deixar o telespectador no escuro total e isso não atrai mais audiência como fazia na primeira temporada.

O conceito do guardador de segredos é interessante, uma pessoa guardar os segredos mais poderosos de corporações, governos e pessoas importantes foi crível no universo de Reddington. O Caretaker e seu sistema pareciam eficientes e funcionavam de maneira sensata, por isso mesmo o começo desse plot não fez muito sentido. O objetivo de Raymond, como sempre, permaneceu às escuras, só que desta vez a intenção dele foi completamente ineficiente e resultou em algo pior do que continuar esse mistério todo.

O uso dos tubos pneumáticos inutilizados pelos correios americanos servindo como um propósito criminoso lembrou bastante White Collar, no entanto toda a operação sendo terceirizada parece um risco que o Caretaker não podia ter se permitido; se a operação dos tubos fosse comprometida qualquer segredo poderia ter sido interceptado e isso foi um erro um tanto grotesco no enredo.

Então a descoberta de Janus não foi tomada como a parte principal, mas o sequestro da filha e essa armação dela foi uma conexão até interessante para incrementarem o episódio com uma ameaça de ataque terrorista; envolver os alemães no meio disso tudo também foi uma opção interessante e mostrou a importância do Caretaker existir. Apesar de uma trama elaborada, o desenvolvimento deixou a desejar, não conseguiram fazer um episódio envolvente e cheio de ação como antes. Em parte, a situação de Liz e Tom contribuiu com isso.

… For better and definitely for worse”

– Elizabeth

Sem conseguir entregar um episódio verdadeiramente empolgante após o fiasco com o Director e a organização dele, The Blacklist tenta inventar uma trama que envolva Elizabeth em algo interligado a Raymond novamente. Só assim conseguem dar a impressão de que Keen importa para alguma coisa e que ela não é “mais uma pessoa comum”, mas falham em desenvolver um plot que realmente consiga transmitir isso. Por enquanto nada dessa nova ameaça foi interessante o suficiente para segurar o fã de séries para mais uma temporada. Tem que melhorar muito ainda.

No.1: Liz e Tom deveriam ser deixados um pouco de lado para que o foco principal seja melhor desenvolvido.

No.2: esses mistérios do Red são bem repetitivos, precisam sair do mais do mesmo com esse personagem.

No.3: apesar do Harold ter sido um ótimo apoio pra Lizzy, ninguém se importa com esse plot dele e da Charlene então é melhor procurarem algo melhor pra ser o filler.

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