Reciclagem nem sempre é bom.
Eis que, após algumas longas e tenebrosas semanas sem poder sequer considerar a hipótese de assistir um episodiozinho de qualquer coisa (pesadelo, né?), eu voltei, ingênua como sou, achando que ia curtir The Blacklist (e muito mais) por aproximadamente três horas seguidas (ao infinito e além).
Primeiro, fica o protesto. A polícia federal não assiste série não? Que bagunça foi essa? Triste, triste, lamentável. Voltem a falar de direitos autorais quando me oferecerem a possibilidade de assistir online, na hora que eu escolher, mediante pagamento razoável e direto à NBC. Ou ao Spader. (E, quando chegar lá, eu ainda tenho uma teia de argumentos mais pra defender o livre compartilhamento de seriados. Um deles é a felicidade geral da nação. Se foi suficiente pro Pedro I, deve servir pros descendentes de seus súditos).
Segundo, vamos à reflexão que me levou a iniciar a resenha. Não, nada contra reciclar latinhas nem consumo sustentável. Tudo, porém, contra reciclagem de histórias batidas, ainda mais na mesma série. Roteiristas, pelos deuses, tenham piedade da gente, nos ajudem a vos ajudar. Produtores, queridos, bonitos, olha, tiver precisando, largo tudo e passo a fazer roteiro. Juro que não vai ter mais nenhum episódio nessa série sobre milionários querendo burlar a morte através da ciência – por mais lindas que possam ser quaisquer palavras postas na boca do President to be James fucking Spader, pois nem o discurso dele salvou dessa vez.
Olhando por outro lado, no entanto, e tentando ser bastante otimista em relação a isso, reconheço que, mesmo num episódio cuja história principal – do episódio, frise-se, ainda que com a repetição da palavra – é completamente descartável, há algo de bom, que merece elogio. Como sempre, alguns detalhes da imaginação megalomaníaca desse povo se destacam, e tivemos, nesse episódio, um cara morando num avião que reabastece no ar. Sensacional. Só podia estar fazendo besteira mesmo.
Necessário mencionar também que Red se inspirou – ou não hehehhe – no assalto ao Banco Central de Fortaleza, Ceará, Brasil, risos. Não cavaram um túnel subterrâneo pro cofre, mas a ideia foi quase a mesma. Vejam, procurando, a gente acha brasilidade em tudo. E, se não acha, a gente força a amizade, porque ô bicho “inxirido” é brasileiro, ainda mais nascido no Ceará. Chegue mais, Raimundão, que a gente te ensina outros truques que a irreverência somente sonha.
Agora, vamos ao grande acerto do episódio e, possivelmente, dessa temporada: Tom love of my life for all eternity and a second more Keen. (Parênteses para dizer que, temporada passada, eu quis muitas vezes que ele morresse logo para não estragarem tudo, mas até que valeu a pena aguardar).
Argumento nº 1 para afirmar que Tom foi tudo de bom nesse episódio:

Eu te darei o céu, meu bem, e o meu amor também.
Argumento nº 2:

Sujo e lindo. Beijinho no ombro pros inimigos. cofcof Ressler.
Argumento nº3: Alguém ainda não se convenceu? Pois assiste de novo, pulando as partes dele, e me diz o que sobra. Red brincando de mestre de obras? Red corrompendo um aleatório qualquer e sua noiva? O elenco policial sendo irrelevante? Até o divo James Spader está tendo dificuldade de evitar a cara de tédio.

Brincadeiras à parte, eu realmente gostei muito do caminho tomado para encontrar o terrorista Karakurt. Não dava nada no começo por isso. Uma caçada que envolve somente duas personagens, ambas afastadas tanto do núcleo Red/Keen como do conflito, monótono, mas que está lá, FBI x CIA. Ainda mais, uma caçada a alguém que não promete mais que nenhum dos listados – os seres nomeados e numerados nos episódios, que teoricamente deveriam ser fodões pro Red se importar em anotar o nome deles numa listinha –. E, por fim, uma caçada sem nenhum objetivo final muito claro, o que será evidente no próximo episódio.
Mas até que não foi ruim não. Foi o mais interessante até aqui, desde aquela épica cena do Tom criando a história de sua mais nova e pouco duradoura personalidade. Mesmo o casal Sutton não incomodou, na verdade, acrescentou mais que a maioria das personagens de sempre. Quero saber o que aconteceu com a noiva, tadinha…
E, por mais batida que seja a cena em que vem um fodão e declama a coreografia de luta a ser encenada em seguida, “eu vou fazer isso, você aquilo, e isso termina assim”, e daí os bobões obedecem, bom, ainda assim, eu gostei. É uma reciclagem de tudo, porque até em fanfic deve ter aquele tipo de cena, mas eu gostei. Sei lá, é o Tom, e ele estava lindo mesmo sujo. Além do que, é bom de vez em quando alguém ser fodão, além do muso Spader.
3×07: Zal Bin Hasaan

Um episódio pra Samar chamar de seu.
Indo direto ao ponto, acho um pouco, na verdade, bem muito, cara de pau dos roteiristas dar, dia após dia, ao telespectador, uma série em que as personagens secundárias simplesmente não importam, para, do nada, fazer um episódio todo só para uma delas – e a mais chata. Ou isso se chama falta de enrolação e de vergonha na cara, ou não sei mais de nada nessa vida.
Explico melhor. The Blacklist é, ou promete ser, uma série sobre Raymond Reddington, o criminoso mais muso, divo e procurado do mundo, sendo fodão e usando a estrutura do FBI de acordo com os seus intentos obscuros – isso tudo posto na quote linda da season 1: “FBI works for me now”.
Nessa tal de lista negra, o que importa é Red, e os outros servem mais em razão das relações que travam com ele. O protagonismo de Liz, a segunda pessoa na história, inclusive, gira em torno justamente disso: afinal, qual a ligação entre eles? – eis o grande mistério da série, comumente apostado na teoria pai e filha, porque todo mundo cresceu vendo Star Wars e quer mais cenas na linha “Luke, I’m your father”.
Enfim, o que funciona em The Blacklist é Red. Ponto. E isso é bom. É para ser assim, e, somente partindo daí, as outras personagens podem ter algum destaque ou ser bem trabalhadas. Não tem muita opção não. Daí porque, a essa altura, antes de uma pausa longa, é extremamente frustrante que venham quarenta e três minutos para uma personagem que, poxa, é terciária ou quaternária – secundária é demais pra ela, sem querer ser chata, mas já sendo.
Há outro ponto que me incomoda: o momento. Eu acho muito legal quando uma série pega detalhes do momento, da vida real, dos noticiários, de algo que está aí para ser mesmo discutido. Acho muito legal e acho absolutamente normal. O que me incomoda é, de novo, a cara de pau de querer impor uma ideia, em vez de deixá-la à disposição do público, ainda mais quando a imposição tem cheiro de quatro décadas atrás.
Sério, às vezes eu acho que pegam roteiros da guerra fria e trocam o nome “russos” por “terroristas muçulmanos” e pronto. Fim. Só que, poxa, o mundo mudou, eu creio, e os Estados Unidos também. O público médio não é mais o mesmo, não é mais tão desinformado ou tão abestado, quero crer, para não sentir que disseram “vamos fazer um episódio sobre terroristas muçulmanos malvados, o que não tem nada a ver com a história, mas vai fazer as pessoas pensarem sobre… bem, não importa. Vai ser sobre terroristas muçulmanos malvados hoje”.
Eu sinceramente não me divirto nem um pouco em reclamar de Blacklist, mas está difícil. Muito. Nessa temporada, não há mais nenhum vínculo ou lógica entre os nomes listados. Os “casos da semana” estão de doer o coração e provocar cochilo no telespectador. Até quando eles acham que o amor do público ao Spader vai manter a audiência e o interesse na série? Pode chegar um ponto em que, justamente por conta desse amor, as pessoas parem de assistir, para deixá-lo livre para um trabalho melhor.
Sei que deve ter quem tenha gostado – e não vou ser hipócrita: eu julgo. Sou arrogante o suficiente para julgar negativamente quem diga que está tudo certo –, e também sei que algumas pessoas preferem ler um resumo do episódio supostamente assistido, como há aqueles que pensam e dizem “é entretenimento, assisto só por assistir”… bem, eu me entretenho com coisa boa. Até o ruim tem quer ser bom. E quem resenha quando gosta se desmancha em elogios, quando não… reclama mesmo. C’est la vie.

Nem o Spader está feliz.

E essas são imagens de divulgação.

Cooper, Tom e Karakurt se esforçaram tanto, queriam um episódio melhor.
De todo modo, quem gostou está mais feliz que eu, agora, e vai continuar satisfeito com a vida, a série e tudo o mais, sem precisar da minha chata, crítica e arrogante aprovação, então… Deve ser um mundo melhor. Até invejo.
Mas, já que estamos aqui, vamos ao episódio da menina Samar. Para justificar a inserção no mundo dela, Red, em sua jornada para “exonerar” Liz, encontra um colaborador reticente. Usa, então, como moeda de troca, um terrorista que ele não tem a menor ideia de quem é ou onde está, mas se dispõe a colocar o FBI para procurar – porque, sim, o FBI trabalha para ele.
Por coincidência e porque quis o roteiro forçar a barra, Samar tem um envolvimento passado, pessoal e profissional com aquele terrorista em específico, que, no fim, pasmem, ou não, que nem ela se chocou muito, era seu irmão caçula, há pouco “ressuscitado”.
Entre irmão morto, irmão vivo, irmão terrorista, eu não vi nenhuma significativa mudança de expressão da atriz, nem senti nenhuma emoção, além da minha própria indignação direcionada pela história toda. Foi lamentável o episódio, mas ela poderia ter aproveitado a deixa. Oportunidade perdida.
E houve ainda um momento que, eu suponho, devesse ter sido triste, mas foi no mínimo engraçado: “é pra Liz? Pode levar meu irmão e fazer fois gras, de boas”. Sei lá, depois de tanto discurso para que a Liz voltasse e respondesse perante o sistema legal e tal, aí diz “vai, de boas, leva meu irmão malvado”. Sei não. Limites.
Ah, o Tom. Falemos do Tom que é melhor. E, hoje, especialmente, do casal Cooper. A caçada ao Karakurt chegou ao fim. Taí o Karakurt e, bem, ele não está disposto a confessar, o que era bastante previsível. Ainda assim, as cenas na casa do Cooper foram as melhores do episódio. Sério, podia ter sido o episódio todo lá. Muito melhor. E não só porque o “outro” terrorista foi ruim, mas porque foi massa mesmo.
Obs. da maior importância: Dembe está bem. Dembe está bem. Dembe está bem. Dembe está bem. Dembe está bem. Aleluia, irmãos.
Obs. 2: A vingança veio por meio do Director. Matias, se chama Matias a peste, Solomon foi oficialmente torturado.
Obs. 3: Estou com dificuldades técnicas para baixar o 3.08. Como faz?
3×08: Kings of the Highway

O que você está esperando?
“What you waiting for, what you waiting for?” Começo pela música somente para dizer aos caros companheiros Spadermaníacos: quem não viu, devia assistir antes de ler. :DDDDDDD Melhor episódio da temporada, fácil, mas também um dos melhores e mais gostosos episódios de assistir da série.
Agora, sim, é o momento de me derreter em elogios. O episódio me prendeu do começo ao fim, e eu estava com fome. Bem, estou, porque segui direto para escrever. E, mais, é um episódio que demonstra o quanto se pode ser incrível de maneira muito mais simples e fluida.
Palmas, palmas, palmas (telespectadora exultando de satisfação). E nem precisou de transatlântico, submarino, nave espacial, avião que abastece no ar, crise alimentar mundial nem nada. Os reis da estrada, bando que dá nome ao episódio, foram sensacionais. Volto a eles já já.
Vamos do começo. Logo de início, o último episódio desse ano mostra a que veio: Lizzie fica sozinha, abandonada, num posto de gasolina, no meio da estrada (isso que dá não ouvir uma história do Red inteira, você nunca vai saber quando será a última). Sem nenhuma explicação. Eu voltei até Punk, a levada da breca, na desoladora cena em que ela se vê abandonada pela mãe no supermercado.
Sem brincadeira, sem ironia, sem nada disso. Porra, cadê o Reddington?, foi a primeira coisa que me veio a cabeça. Para ele deixá-la ali, sozinha e menor abandonada, sem lenço nem documento, somente poderia haver duas explicações: A. um plano genial, elaborado com Dembe (por causa da conversa de “aquele outro assunto”); B. Mr. Solomon, para causar no finale.
Daí que me surpreendi, logo após, ao perceber que era um sequestro mal planejado por um bando aleatório, mas perfeito para a situação – os reis da estrada. Sensacional. Os atores foram ótimos, os figurinos deles, dos guardas locais, as músicas…. mais disso, por favor, produção!
Num raciocínio lógico, claro que eles não representavam nenhum perigo. Só que eu não pensei nisso assistindo. Eu vi genuinamente uma situação de tensão, porque eles não tinham a menor ideia do que estavam fazendo. E, sim, eu fiquei sem piscar a cada soco ou tiro na direção do Red. Socaram Raymond Reddington! Várias vezes. Não, não foi a primeira vez, mas doeu em mim, mais do que no Spader, possivelmente.
E todo o resto funcionou perfeitamente, sem enrolação. Como eu já disse antes, a história tem que ser em torno do Reddington, não tem jeito. Ele tem de ser a figura central de cada episódio, para daí irem se posicionando os outros, brevemente, em situações que, sim, girem em torno dele. Em time que está ganhando não se mexe, ainda mais quando não há outro artilheiro.
Agora, Elizabeth Keen, querida, você precisa morrer, sério. Temos que te matar. Somente posso concluir assim, porque, amiga, toda vez que você dá outro nome por aí, as coisas melhoram. Eu sinceramente achei que iam te infantilizar de novo e de novo, talvez te fazer sentar no chão e chorar, mas foi muito acima do que eu esperava. Foi bom. Eu ri da sua voz, eu quis te ver mais em cena. Deu para ver que Megan Boone merece mais espaço, só que esse tipo de espaço.
O conflito Ressler – Navabi – Aram, por sua vez, não brilhou, mas também não incomodou. Até surpreendeu. Ressler teve um momento de esperteza que eu não vi chegar, quando pediu para Aram verificar o notebook. Navabi não fez muita coisa, além de ser uma bitch amigona para Keen. E Aram, pasmem, contribuiu significativa e conscientemente para o desfecho final – se você leu até aqui, pediu – a prisão de Liz.
Aram, Aram, eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, mas não posso, e foi tudo só a dor de cotovelo. Poxa, se fosse para reclamar de algo, seria desse momento mal amado e cretino, de entregar a coleguinha, depois de tudo que vocês fizeram sem contar ao Ressler, ou sem pedir a opinião dele, simplesmente porque ela quis fazer tchuco tchuco com ele, não contigo. MAS, contudo, todavia, entretanto, eu não vou reclamar. Por motivos de: não gosto dela e amaria anunciar que ela tá saindo da série, mas, infelizmente, ela continua nos créditos do próximo episódio.
Na continuação da missão “Saving Liz” de Cooper, Tom e, bem, é o jeito, Charlene, a Mrs. Cooper, teve muita emoção e agitação, perseguição, chip, revelações bombásticas de um fofo casamento infeliz, tudo para deixar claro que eles vão segurar Karakurt até titio Red vir dizer o que e como fazer. E também para ocupar o Mr. Solomon, pra gente não se esquecer dele até janeiro.
E, no núcleo powerful bicthes do alto escalão, teve a cota de revelação pouco notável/morte de aleatório do episódio. Não vou dizer que sentirei saudades, mas vou dizer que já quero saber qual foi a das últimas palavras. Só que… só em janeiro, agora.

Falsiane feelings.
Bem, voltando aos reis da estrada. Eu, no lugar deles, teria reinado só um pouquinho melhor e pedido o autógrafo do sequestrado, porque, ne, nunca se sabe. E o colete por certo valeria mais no ebay que o casaco. Bom, fato é que eles, no fim, causaram realmente um problema, talvez bastante difícil de reverter – nunca, nunca duvidemos de criminosos pouco organizados. Eles causam.
Esse ano, então, terminou com um saldo ruim para Red. Muito dinheiro apreendido. Dembe preso. Liz presa. Ninguém devolveu o casaco. E ainda teve umas porradas que, olha, com a idade, fica mais difícil de lidar. Se ele tivesse facebook, já estaria dizendo “2015, ande, vá embora e não volte mais”.
E esse negócio de Liz presa realmente foi uma surpresa, ao menos pra mim. Achei que ela fosse terminar matando alguém e se chateando com o Red, pensei na possibilidade dela se entregar, pensei até que ela poderia ser, finalmente, como eles gostam de dizer, ser “exonerada” das acusações de terrorismo. O que seria preocupante, porque não a quero mais no FBI não. Uma vez sem terninho, não vejo pra que colocá-lo de novo.
Mas. Todavia. Contudo. Entretanto. O Ressler chegou perto demais. Liz foi presa. Não confio nos “protocolos” nem por um segundo, mas confio na lógica. Ela não vai morrer na prisão nem fora dela, claro. Ainda assim, eu realmente não sei como vão fazer agora. Red deve encontrar Tom e Cooper, claro, mas somente um Karakurt bastaria?
Pra concluir, ficamos com a quote do dia, ou do ano, para refletir, bem agora que se aproxima o período festivo: é por isso que eu não vou a reuniões de família. RED, Ray. E eu só queria dizer que nenhuma, eu digo, NENHUMA foto dos presidenciáveis será melhor que esta:

Tem meu voto! MUSO. DIVO. President to be.
Até janeiro, se eu não for despedida do Serie Maníacos.






















