Não importa se a fórmula dá certo, inevitavelmente ela cansa por não ser mais do que isso: uma fórmula.
É assim que enxergo a situação de The Blacklist hoje. Na teoria, a série funciona bem. Temos um enigma-mor, sub-tramas intessantes e um procedural criativo. Mas esse formato tem sido praticado de forma tão engessada, que nem chegamos à metade da segunda temporada e pra mim, essa fórmula já cansou. A estrutura de cada episódio também se repete cansativamente. Eu sinceramente não entendo porque insistir nesse mesmo ritmo, não consigo enxergar uma vantagem sequer nisso. Os queridos que comentam ali embaixo acham que a solução seria que o caso da semana durasse mais do que isso e eu concordo. Na verdade, considero bem-vinda qualquer alteração na cadência: blacklister da semana com o desafeto da vez de Red teaser safado do que realmente queremos ver + fanfarronices verborrágicas Raymondianas + caso resolvido graças a ajuda de Red + trilha musical com apensarem subliminar + cliffhanger. Toda semanzzzzzzz.
Sabe outra coisa triste? Quem assiste a promo do episódio seguinte já percebeu que ali está tudo que acontecerá de relevante ao mistério da santa tríade Red/Tom/Berlin. E talvez o mais grave: aquelas são as cenas finais do episódio! Ou seja, as cenas mais instigantes, as frases de (cof-cof) impacto, os plots que realmente interessam, eles condensam tudo isso e encaixam naqueles segundinhos da promo pra deixar a gente na fissura até a semana seguinte. Mas aí vem o grande perigo. A semana seguinte não entrega, as tramas não evoluem além do que vimos na promo e isso me deixa enfurecida tamanha a frustração. O desenvolvimento do plot principal não pode ficar espremido em uma cena perdida no meio do episódio e outra nos segundos finais. É muito descaso com a história que escolhemos acompanhar e, é claro, com a gente. Sim, eu estou indignada. Não, eu não vou abandonar a série.
Na falta de objetividade e de Berlin, os últimos casos tem remetido à força tarefa de Red, Dembe na semana passada e Samar nessa. The Blacklist tem tanto prazer em nos apontar na direção errada que fiquei com a sensação de que não foi ela quem matou o Scimitar. Mas independente de quem deu fim ao moço, Red fez um grande favor à agente e certamente isso não sairá de graça. Foi uma boa semana para Blacklist, mas a frustração com a formulinha batida me impediu de aproveitar mais.

Ainda sobre o prazer da série em nos enganar, Zoey não era mesmo filha de Red, mas de Berlin. Então a mocinha da foto não morreu e tudo não passou de uma armação para colocar Red como alvo de Berlin. Mas que planinho trabalhoso, hein? Acho que veremos aí muitos dos blacklisters passados, desde o fazedor de sopa (que não fazia sentido ter a foto da menina no livro uma vez que seu corpo não foi diluído, mas picadinho e enviado em diferentes remessas ao pai, o que na pegada de não fazer sentido, não faz o estilo de Red, concordam?) até o falsificador de DNA. O que significa que Red já está preparando para advogar seu caso para Berlim muito antes dele ser identificado. Mas é assim que Red passa na frente de todos, não é mesmo? Ele não mostra suas cartas até o momento ser conveniente para ele. Red então vai promover o encontro da família feliz, a contragosto da menina e não vai punir Berlin por Meera nem pelo polegar opositor da ex-esposa? Acho que em seu devido tempo, Berlim vai sim pagar por isso.
O mais fantástico de tudo é a possibilidade de Spader e Stormare trabalharem juntos contra um inimigo comum. Aparentemente eles ainda desconhecem quem esse seria, mas vai saber se essa não é mais uma carta na manga de Red, aguardando a vez de virar super trunfo. Como Red não dá ponto sem nó, Zoe só pode ser a filha de Berlin e o combo raiva e sangue frio mirados em Red por tantos anos ganhará um novo alvo, com esse combo elevado a décima potência. Brilha muito, Berlin! Quem seria capaz de tamanha crueldade e por que? Um sádico, não só pelo trabalho do envio do quebra-cabeça humano, mas pelo engenhoso plano de fazer com que Berlin acreditasse que Red fosse o responsável e o colocar para se livrar de um inimigo sem sujar as mãos nem correr riscos. Ms aí falta explicarem (entre outras dezenas de coisas) qual era a ligação entre os dois ou entre Red e a filha de Berlim, que justifique Berlin ter acreditado todo esse tempo que Red era o culpado.
Quanto a Tom, é mais fácil o Ratinho fazer uma participação especial revelando o pai biológico de Liz com um teste de DNA do que a agente matar o ex-marido. A coisa ali só vai ficar boa quando Raymond se envolver, bem, é assim com tudo mais na série, não é mesmo? Acredito que Tom vai: fugir, ser solto por Liz ou ser entregue a Red por Liz. Acredito mais ainda que Red sabe que Liz aprisionou o ex e a está testando. Para não ser morto por Reddington, Tom tem que oferecer algo muito valioso em vida. Veremos.
Só temos mais um episódio e entraremos naquele maldito hiato. Sim, semana que vem é Fall Finale e nem sei como me sinto a respeito. Há tanto a se dizer, que não imagino o que eles usarão de cliffhanger. Sinto que nenhuma possibilidade que cruza minha cabeça será suficiente para relevar a frustração que tem sido acompanhar a série, mas me prenderei a esperança. Ano passado a Fall Finale foi no episódio 10, no dia 2 de dezembro, esse ano adiantaram 2 episódios e 3 semanas. Que eles usem bem esse tempo e retornem em fevereiro com uma estrutura mais flexível e dedicando mais tempo ao que nos prende a The Blacklist. Ou correm o sério risco de nos perder.
















