Há um modo de voltar no tempo e recuperar o fôlego perdido?

Independente de críticas ou audiência, não há como negar que The Big Bang Theory já faz parte de um seleto grupo formado pelas melhores e mais bem-sucedidas comédias da TV. E, a menos que haja um grande desastre, a série jamais deixará seu lugar cativo neste grupo.

Porém também é notório que, ao menos nas duas temporadas anteriores, o show vinha apresentando seu período mais inconstante (o que é até esperado considerando o tempo no ar). Dito isto, fica clara a intenção de reinventar-se e reencontrar o caminho da estabilidade, e já podemos ver os resultados neste início de nona temporada. E tenho que dizer que tais soluções têm sido extremamente gratificantes.

The 2003 Approximation é um grande exemplo de como a série vem procurando recuperar sua identidade mais próxima das primeiras temporadas sem que, para isso, perca a continuidade relacionada aos pontos em que já evoluiu. O episódio fecha este primeiro mês com chave de ouro e constrói um alicerce mais seguro para o futuro próximo da série. 

Cedo ou tarde Leonard teria que decidir morar com Penny em definitivo e, obviamente, isto geraria um surto em Sheldon. E, apesar da obviedade, a execução do plot foi impecável. A sequência em que ele decide que voltaria a viver como em 2003 é ótima e a transformação do apartamento hilária, assim como as entrevistas com os possíveis novos companheiros (confesso que queria o Stuart) e, especialmente, a assinatura do contrato e entrega da chave. 

E o desconforto de Leonard no jantar com Penny não foi menos engraçado. Também pudera, tantos anos de convivência e ela quer uma mudança tão drástica assim, de uma hora pra outra? Fiquei a cena toda torcendo pra ela escolher comida tailandesa enquanto olhava pras caras que Leonard fazia. E é tão bom ver que a série consegue sim usar conteúdos tão enraizados em sua mitologia sem que soe cansativo ou mesmo repetitivo. 

Fiquei muito contente também com o plot de Raj e Howard. Ainda não parei de cantarolar Thor and Dr. Jones e sei que o hit ficará grudado em minha mente por muito tempo. Contudo, mais que a música, a formação da banda e processo de composição foram momentos deliciosos de se assistir. Mas bom mesmo foi quando os dois fizeram as pazes e retomaram a carreira depois que a banda foi desfeita. Foi tão bacana que nem me incomodei com Emily (mesmo ela sendo, claramente, a Yoko Ono do Footprints on the Moon). As referências à cultura pop/nerd estavam ali e se encaixaram perfeitamente a cada instante. 

E este tem sido o ponto principal neste recomeço de The Big Bang Theory. É sim importante que haja novidade, que invistam nas tramas românticas dos casais e que a série se reinvente, mas esta essência, que esteve muito em falta nos dois últimos anos, não pode ser perdida. Acredito que, pela primeira vez nesta jornada, podemos dizer que a série realmente está caminhando à maturidade. 

E é justamente este amadurecimento que fortalece o lado cômico, pois estamos podendo voltar mesmo no tempo e sentir o que sentíamos (ou quase) lá no início, sem que se perca o que foi acrescentado com o tempo. Poder rir das situações e das referências usadas é muito mais interessante do que quando os únicos momentos cômicos eram gestuais caricatas ou piadas sem contexto. E os méritos são exclusivos do texto que voltou a ser afiado como antes. Está tudo perfeito? Claro que não, mas ver que a série vem recuperando seu potencial já é um avanço que, honestamente, eu nem esperava mais. 

Observando com carinho: 

1. Sacanagem do Chris Pratt em não responder a oferta do Sheldon.

2. Alguém dizia “fala com a minha mão” em 2003?

3. O olhar e o tom de voz de Amy defendendo Sheldon me fizeram torcer mais ainda para eles reatarem.

4. Tem como não se contagiar com a dancinha do Raj?

5. Sheldon, o cãozinho de estimação de Leonard e Penny. Como nunca fizeram esta associação antes?

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