Nuances e sutilezas pontuam mais uma vez o brilhantismo do roteiro da série.

Conflitos de ordem pessoal permearam mais uma vez o episódio da semana de The Americans. Pudemos ver novamente os personagens lutando para lidar com situações que aparentam carecer de soluções possíveis.

Percebi novamente certo protagonismo de Philip em Pastor Tim, lidando com a agressão de Stan e finalmente contando a verdade para Elizabeth sobre a EST e o garoto que matou ainda criança. Isso aprofunda a complexa relação do casal para a audiência. Entretanto não sei ainda dizer se esse é um fardo de Philip quer de fato dividir com Elizabeth ou se prefere frequentar o seminário sozinho a fim de expiar seus demônios internos.

A impossible situation do capítulo ficou mais uma vez a cargo de Philip resolver, após leve atrito com Gabriel, handler do casal desde a temporada passada. Sinto que a discordância entre os personagens deve crescer no decorrer da temporada, principalmente no que concerne ao assunto do aliciamento de Paige. Philip tentou, sem sucesso, se livrar do pacote de armas químicas. Novamente tivemos uma cena brutal, com o espião tendo que tirar mais uma vida com as próprias mãos, causando ainda mais dano à sua psique. A sequência permitiu até mesmo certa tensão e suspense, me fazendo questionar se ele conseguiria descer do ônibus e passar despercebido.

O foco da preocupação de Elizabeth ainda residia em Paige e se ela teria contado o segredo dos pais ao pastor Tim. O terror se confirmou, primeiro com a escuta e depois com a confissão da filha mais velha do casal. Como imaginei, os Jennings cogitaram se livrar do pastor, mas obviamente que isso levaria à suspeita da filha, que deve imaginar, porém não tem certeza ainda da verdadeira natureza, muitas vezes assassina, do trabalho dos pais. Além disso, Liz teve de lidar com a notícia da morte da mãe, que deve somar ao peso dramático das decisões da personagem nos futuros episódios.

Outra cena, que pode soar à primeira vista aleatória, é a interação entre Stan e Henry. Nada em The Americans é por acaso, e no instante em que dei falta de Henry ele apareceu dividindo a tela com Stan. Acredito que ainda explorem essa relação de substituição de pai e filho e vice-versa na série para criar certa tensão de que alguma informação importante e sigilosa dos Jennings pode chegar aos ouvidos de Stan através do garoto.

Nina segue com sua vida na prisão, tentando ser altruísta mandando mensagens ao mesmo tempo que cava a própria cova. Pude notar através da interação entre Stan e Oleg alguma função para a personagem, ainda irrelevante e desinteressante para mim: eles ainda tentam (inutilmente) algum acordo para trazer a amada de volta para a América. Com o passar do tempo, esse núcleo russo da embaixada perdeu relevância e apelo para os arcos principais da série, pouco interferindo nos comandos do Centro como nos primeiros anos.

Pastor Tim foi um episódio minimalista em grandes acontecimentos, como a maioria do portfólio de The Americans. Ainda assim, cada fato tem repercussão imediata no desenvolvimento das tramas e personagens, jamais deixando a história estagnada, ainda que não haja nenhuma urgência frenética na resolução dos dilemas apresentados. A série dispensa pirotecnia e artifícios técnicos, de praxe na televisão aberta, para prender o telespectador.

Como bem observa e ratifica Elizabeth na sequência final, os Jennings estão com problemas, que dessa vez soam mais graves e transpassam a possibilidade de ser apenas paranoia. Como eles lidarão com essas adversidades?! Somente os próximos episódios poderão nos responder.

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