Triggers promove o andamento da trama principal de Teen Wolf. O clima de ódio escala, tornando-se ainda mais opressor e assustador. Embora soe forçado e até mesmo piegas todo o lance das mãos enfaixadas e sangrando dos alunos, a sequência transmite a mensagem para o telespectador, ainda que o subestime, talvez pelo público alvo da série original da MTV americana.

A escola está a mercê dos fascistas, que tomaram o poder sem interferência alguma dos demais adultos/professores. Com o devido fator de suspensão de descrença aplicado, a alegoria continua poderosa para falar dos tempos atuais que vivemos no mundo.

Outra sequência tensa foi do personagem aleatório que surgiu apenas para perecer com poucos minutos de tela. Até entendo a tentativa de atenuar a violência da morte dele por estrangulamento, pois considerei o espancamento de Liam há alguns episódios atrás excessivamente violento e explícito. Mas achei a sequência de cortes deste muito mal executada pelo diretor, o que acabou tirando a seriedade e o impacto que a cena deveria (me) causar.

Outro caminho apontado por essa cadeia de eventos é a provável redenção do personagem Nolan. O padrãozinho já se mostra fraco e arrependido das escolhas preconceituosas que fez, sentindo remorso e hesitação. Não gostaria que ele viesse a se redimir não. Bolsominion não merece perdão! Mas brincadeiras à parte, sei da mensagem poderosa que a série pode passar com a redenção e arrependimento do personagem. Porém, se fosse eu o autor, não seguiria por essa vereda não.

Teen Wolf 6x16: Triggers
Teen Wolf 6×16: Triggers

A professora mestre dos disseminadores de ódio continua me divertindo com suas caras e bocas almejando grande interpretação. Está hilário, muito caruda ela! Uma cena em particular me chamou atenção, quando um de seus recrutados cerca o rapaz ruivo no vestiário, o coage, sendo que ele mesmo é uma criatura sobrenatural. É uma perfeita analogia dos tempos de ódio, conservadorismo e hipocrisia que vivemos, onde opressores fazem também parte de minorias.

Da tradição de Teen Wolf de juntar personagens improváveis, gostei do time formado por Liam e Theo. A dinâmica funcionou, com os desafetos resolvendo suas antigas diferenças no braço, para fazer com que o plano de Scott desse certo. Mas que fique claro que abomino qualquer forma de violência física e/ou moral, mas os personagens funcionaram juntos em tela, contribuindo para o andamento da história. #SeJuntasJáCausaImaginaJuntas

Já o quarteto formado por Scott, Malia, Lydia e Chris Argent teve um ritmo mais lento em tela, com uma missão fadada ao fracasso desde o princípio. Toda a sequência foi criada para que descobrissem o mapa e os planos globais de espalhar o ódio e a intolerância de Mumm-rá, ooops, Gerard. O personagem, que faz hora extra na Terra, continua desprezível e odiável.

Além disso, as visões nada claras de Lydia continuam me irritando um pouco. Apreciei a sequência em que ela arrebenta a porta para salvar Scottia no grito, porém só faltou o grito para causar mais impacto, já que ficou abafado do outro lado da porta.

Não obstante, todos os desdobramentos vivenciados pelo quarteto serviram também ao propósito de culminar no primeiro beijo de Malott (sou péssimo com shipps, não vou negar). Ok, a essa altura já aceitei que o casal vai existir e bola para frente e que sejam felizes beijando muito!

O retorno do pai de Scott ainda não nos diz se ele veio para ajudar ou atrapalhar as missões da matilha do filho. Mas adorei a interação dele com Melissa, quando ela replica que ele sabe sobre os seres sobrenaturais de Beacon Hills há apenas cinco minutos, completando que Scott e sua turma sabem e podem lidar com o atual problema sozinhos. Mas, a princípio, ele parece querer genuinamente ajudar o filho, mas aguardemos, pois as aparências sempre podem enganar em Teen Wolf.

A sequência final foi super tensa e climática e consegui antecipá-la juntamente com Lydia. A cena imediatamente me remeteu a filmes e séries que retratam ataques raciais da organização de capuzes brancos (que não merece minha menção aqui e em nenhum outro lugar) ou de filmes de ação/tráfico/crime organizado mesmo, quando há algum ataque para retaliar uma facção inimiga ou queima de arquivo.

A crítica não poderia ser mais pertinente e atual ao momento que o país “América” vive, quando é reforçado que as armas foram legalmente doadas aos moradores. A consolidação do discurso anti-Trump foi magnífica! E de quem será aquela poça enorme de sangue que Scott vê na cena final? Temo que seja de Melissa, o que me deixaria bem triste. Ou será do personagem mais irrelevante, que pelo que me lembro é o pai dele?!

> Minha Série Vs. Sua Série #3 Feat. Giorgio Tsoukalos 👽

Triggers mantem o bom ritmo da série de licantropos adolescentes, utilizando de métodos, técnicas e artifícios formulaicos que sempre funcionaram bem no programa. Apesar da enorme falta que faz Stiles na dinâmica do humor, Teen Wolf se encaminha bem para sua sequência final de quatro episódios, apontando que sua conclusão deva ser bem satisfatória, enquanto obra audiovisual de entretenimento.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorDancing Brasil 2×07: Noite Latina
Próximo artigoA 3ª temporada de Narcos mostra que guerra nunca esteve mais distante do fim
teen-wolf-6x16-triggersCom ritmo ágil, a história se desenvolve, mesmo sem grandes acontecimentos.