Tenho que confessar que ‘International Break’ me deixou com opiniões bem divididas, gostei de muitos momentos na mesma medida que não gostei de alguns, e o caminho das histórias direcionados para o fim está causando um aperto de saudade mas também uma angústia porque ainda existem cenas que não são bem aproveitadas.

O episódio inicia com os comentaristas na tv falando sobre o sucesso do AFC Richmond na temporada e o importante destaque do Sam nas partidas, que deve trazer como retorno para ele o convite para a seleção da Nigéria. Logo descobrimos que Jamie Tartt, Van Damme, Dani Rojas, Moe Bumbercatch e Colin Hughes foram escalados por seus países e Sam Obisanya ficou de fora, uma surpresa para os técnicos, o time e até mesmo o próprio jogador. 

O boicote ao jogador foi justificado pela volta do empresário Edwin Akufu, que além de reservar todos os lugares no restaurante de Sam, pretende abrir um restaurante próximo ao Ola’s e ainda revelou que o convite para a seleção não aconteceu por sua influência. Sam oficialmente tem um inimigo que não vai largar o pé e eu estou curiosa nesse desfecho para a carreira dele como jogador e até mesmo nos investimentos, porque pelo visto, Edwin não vai parar de se vingar por um dia ter sua proposta rejeitada por Sam. 

No clube, Rebecca, Ted e Trent conversam sobre a novidade do Nate estar fora do West Ham e Higgins chega para contar que Akufu está de volta à cidade para formar a Superliga, que irá se reunir com os donos dos clubes. Rebecca sabe que Rupert estará envolvido nessa reunião e no mesmo momento recebe uma ligação dele, as coincidências da vida sempre presentes.

Ela recusou a ligação de Rupert mas no dia seguinte ele estava em seu escritório, sem ser anunciado, para convidá-la para a reunião sobre a Superliga do Akufu. Rebecca não perde a chance de insultar Rupert quando pode, mas já dá para perceber no comportamento dela que a presença dele não a afeta da mesma maneira de antes, mesmo que não seja agradável tê-lo perto, ela consegue se mostrar indiferente à intimidação dele, pelo menos por enquanto.

Sem conseguir respostas de Keley, encontrar Ted ou falar com Sassy, a dona do clube procura Higgins para pedir um conselho. Eu já achei ótimo nessa cena a ordem de pessoa que Higgins citou até ela pensar em falar com ele, mas ele ser a pessoa a falar para Rebecca que ela tem um lugar na mesa e deve ir à reunião me fez gostar ainda mais, porque Higgins tem visto como Rebecca está dedicada ao Richmond e como é importante que ela esteja ciente do acontecimentos dos outros clubes, independente das sua inseguranças em relação ao Rupert. 

No assunto Nate, sua primeira cena esclareceu que ele pediu demissão do cargo e sua casa estava rodeada de paparazzis. Essa decisão o deixou reflexivo em muitas cenas e quando anoiteceu e ele saiu de carro, eu cheguei a pensar que ele iria na casa do Ted se desculpar, já que em outro momento ele tentou fazer isso e não conseguiu, mas ele voltou na casa dos pais e foi dormir em seu antigo quarto. Foi um episódio em que o Nate se desligou do mundo externo e voltou a se conectar com o que traz significado para ele, apesar de eu ter achado que esse processo da demissão não deveria ser cortado. O episódio usou muito tempo dele dormindo e chateado, mas o importante era vermos como ele pediu demissão e sua justificativa para isso não apareceu. 

Eu tenho meu palpite que ele não concorda com a maneira como Rupert age saindo com várias mulheres, traindo a esposa e não gosta que o dono do clube não busca se conectar com a equipe de trabalho como ele estava acostumado no Richmond, e esse conjunto o motivou a querer sair do West Ham. Também fiquei pensativa sobre a possibilidade do Nate ter contado para repórteres que há comportamento inadequado no clube ou se foi essa notícia que fez Rupert ter uma nova secretária. 

Outra pessoa que teve o trabalho afetado foi Keeley, que descobriu que a empresa de Jack encerrou o financiamento para a KJPR. Uma pena a Keeley ter conseguido seu espaço no mercado de relações públicas e perder sua empresa porque Jack não concorda com as atitudes pessoais dela, e uma pena também a história da Keeley na temporada ter sido o romance que serviu para atrapalhar a carreira dela. A meu ver, o que salva é a personagem ser muito bem interpretada pela Juno Temple, porque ela consegue passar as emoções da Keeley e também entregar o carisma que me faz ter interesse pelas cenas dela. 

Ela ficou devastada precisando desmontar o escritório e foi afogar as mágoas no Crown & Anchor. Foi bem interessante nessa cena a Keeley se apresentar e perguntar o nome da Mae, porque apesar dela já ter ido ao pub outras vezes, ela sequer sabia o nome da dona do estabelecimento que sempre trata bem seus clientes. E como uma boa conselheira, ela fala para Keeley que ao atingir o topo da montanha, o que resta são os relâmpagos, e isso significará algo bom ou ruim caso ela esteja preparada ou não. Uma reflexão que serve para Keeley mas também para a história de outros personagens da série. 

Enquanto isso, Roy é convidado para comemorar o dia do tio com Phoebe. Como pode ela ser a melhor criança dessa série! E a celebração só melhorou, ela convidou Jamie porque acha que eles são melhores amigos e ainda deu de presente uma camisa tie dye pro Roy, que gerou uma ótima cena dele chegando ao clube usando cores. É bonito ver como colocam a presença da Phoebe despertando o melhor lado do Roy, ele se preocupa em estar presente na vida dela e de usar o presente que ela fez porque sabe o quanto significa para a sobrinha. 

No Richmond, os jogadores que ficaram no clube se reuniram para assistir aos jogos e torcer pelos conhecidos, mas o clima da amizade estava só ali, porque Dani Rojas fora do Richmond é quase uma versão invertida. Não é amigável, não faz brincadeira, sequer cumprimentou o colega de time Van Damme, e ainda acertou o nariz do goleiro durante a partida. Esse lado competitivo não combina com o Dani, prefiro o lado dele feliz amando o futebol. 

O futebol é muito mais que um jogo para os que admiram, e esse foi o foco de Rebecca na reunião sobre a Superliga do Akufu. Ela decidiu ir a reunião e se arrumando, fez o ritual para se sentir grande no ambiente, ali se enxergou como criança e foi uma cena linda, no começo um momento de insegurança mas logo depois orgulhosa de quem se tornou e onde está hoje. Rebecca já falou que em muitos momentos é a única mulher no ambiente e coloca essa armadura de intimidadora para passar respeito, e com o rumo da proposta de Edwin Akufu, o discurso que ela faz é o único que merece ser respeitado mesmo. 

Como foi bonito assistir a evolução da Rebecca que começou querendo destruir o Richmond e agora enxerga que futebol significa muito para os torcedores, que aquela paixão não pode ser retirada deles, os empresários ali podem ser donos do time mas o time não pertence a eles. A proposta da Superliga vai contra esse pensamento, elitiza as partidas e torna inacessível o esporte que possui fãs por todo o mundo. Eu achei até uma evolução da Rebecca contar a história do Rupert, sobre ser uma criança sem dinheiro e depois conseguir comprar o clube, lembrou do acontecimento de uma maneira positiva, mas ele não deixa de mostrar quem é de verdade e no final tentou beijá-la, porque ele acha que passar um momento agradável com ela implicaria nela estar atraída por ele novamente mas está longe disso. 

A cena ainda teve uma construção linda com o Nate tocando violino ao fundo (o ator tocava violino na infância e comentou em seu twitter como foi especial gravar essa cena), as falas de Rebecca narrando o time assistindo Jamie entrar em campo com a camisa 24 em homenagem ao Sam, e a emoção na medida certa do jeito que Hannah Waddingham sabe fazer. A reunião acabou com Akufu furioso, sua proposta não teve mais espaço depois das falas de Rebecca e todos levaram um banho de comida. 

E foi esse momento do Nate tocando violino que fez o pai dele falar o que ele sempre quis ouvir. Nate se assustou com a presença do pai e pediu desculpas por incomodar com o barulho, porque sempre pensou que o pai não gostava de ouvi-lo tocar, mas o pai se desculpou por passar a impressão errada. Ele contou que sempre viu potencial em Nate e errou ao pressionar demais o filho para ser melhor em tudo, mas ele nunca soube a maneira certa de educar um gênio. O espanto de Nate veio junto com a emoção por saber que o pai sempre acreditou nele, e que bom que essa realização aconteceu para ele porque acho que vai ajudar no processo de se arrumar com as pessoas que ele magoou e nesse episódio começou com Will. Nate entrou escondido no Richmond, arrumou todo o vestiário e deixou um recado para Will com um ramo de lavanda, que era justamente o que Nate implicou no primeiro dia que o novo ajudante chegou ao Richmond. 

Outra conclusão aconteceu para Roy e Keeley e apesar de bem fofo como aconteceu, com a carta de Roy explicando suas inseguranças para Keeley e a caligrafia horrível dele, a volta do relacionamento deles ficou subentendida e também não foi mostrada. Algumas cenas foram grandes demais, outras nem precisavam ter acontecido ao longo da temporada, e com tantos núcleos para serem resolvidos, os momentos mais esperados para acontecer ficam de fora. Espero que se for para eles ficarem juntos mesmo, que tenha uma conversa entre eles e que não escolham apenas deixar subentendido que aconteceu. 

Rebecca foi até a casa de Keeley e contou para ela da reunião, também descobriu que sobre a empresa e está disposta a ajudar a amiga, os próximos passos da KJPR já podem ser traçados. Ela viu Roy descer a escada e não precisou ser dito nada, eu gosto muito do jeito que ela se comunica com Keeley só com os olhares e como ela deve ter entendido que foi um bom desfecho para Keeley. Não é difícil entender o que a série quer mostrar, minha crítica é para a escolha das cenas que colocam nos episódios que nem sempre são bem aproveitadas e por consequência, algumas cenas que poderiam estar presentes são cortadas. 

Os jogadores retornam para o clube e como as partidas iriam acontecer em uma semana, alguns dias se passaram e quando Ted vai levar os biscoitos para Rebecca, vê que ela está admirando o quadro novo em sua sala. Esse quadro que era o mesmo que Rebecca estava encarando no piloto da série, mas dessa vez com uma expressão muito diferente, porque agora ela não associa mais o quadro à pessoa que a presenteou (Rupert) e sim admira a obra de arte que se chama ‘Football Player’ de David Hockney. 

O distanciamento dela com Rupert e a evolução da personagem se comprovam quando ela diz para Ted que ela enxergou que não precisa mais derrotar Rupert, ela ainda quer ganhar, mas por todos eles, pelo Richmond. Eu não fui a única a ficar encantada com essa fala porque o olhar fascinado do técnico disse muito, e logo após dizer que também quer ganhar por todos eles, levou um banho de chá. Por esse paralelo eu não esperava nesse momento, mas que bom que o Ted entendeu que aquela cuspida é como um ritual de boa sorte para eles.  

-Menções que não podem ficar de fora: 

-O Trent especialista em papo de garota, ninguém duvida que ele é! 

-Nesse episódio Rebecca tirou da bolsa a caixinha de fósforo com o boneco de soldado que Ted entregou para ela na primeira temporada. O dia que Rebecca visitou Tish e ela falou sobre o “green matchbook”, a tradução literal é a caixa de fósforo verde que Rebecca recebeu de Sam, mas esses soldados que o Ted entregou são chamados de “match box green army men”. Eu estou surpresa demais que não deixaram essa passar e realmente voltaram com os soldadinhos. 

-Jamie deu o kit oficial da Inglaterra para Roy, trocando as letras do sobrenome dele de E para U. Que risada boa eu dei nesse momento e até com a Phoebe percebendo o que ele tinha escrito! 

-Achei bem fofo a Keeley comprando o globo de neve de Richmond para Bárbara e no final ela devolvendo simbolizando que iria ficar para trabalhar com ela. 

REVISÃO GERAL
Nota:
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ted-lasso-3x10-international-breakA escalação das seleções surpreendeu pela ausência de Sam no time da Nigéria e a participação de Edwin Akufu veio para mostrar que Sam tem um inimigo declarado. Nate se demitiu do West Ham e parece estar em processo de se desculpar com quem ele magoou, enquanto Rebecca mostrou que entendeu a importância do futebol para aqueles que amam o esporte. A ausência de Ted no meio de tantas histórias acontecendo é que deixa mais a desejar, ele é quase um personagem secundário.