Quando eu li a sinopse do sexto episódio que informava o time em Amsterdam, eu imaginei muitos cenários possíveis, mas nenhum foi tão bom quanto o conjunto que formou esse episódio. Foi uma surpresa boa, interações que só seriam prováveis de acontecer longe do habitual Richmond e que aparentam ser o que cada personagem precisava no momento. 

‘Sunflowers’ inicia muito semelhante ao episódio anterior, com o time perdendo mais uma partida. Dessa vez, de 5 a 0, sem marcar nenhum gol em uma partida de amistoso, detalhe comentado pelo próprio Ted. A minha percepção sobre a série nunca foi que a história seria unicamente sobre futebol, mas que a vivência dos personagens complementariam as partidas e o andamento do time. Porém, os últimos episódios vêm trazendo muito aprofundamento em outras histórias enquanto o time continua sem um plano de ação eficiente e o só perde as partidas. Ted Lasso me conquistou demais desde a primeira temporada e apesar de eu gostar de saber mais sobre os personagens, o AFC Richmond estar na Premier League é um fato importante que não pode ser esquecido, precisa haver um andamento para reerguer o time e que bom que esse episódio veio para trazer a luz no fim do túnel. 

Após o fim do jogo, Roy e Jan Maas são entrevistados enquanto Keeley conta para Rebecca que irá viajar com Jack. Em outro momento nessa temporada, Roy disse para Keeley que daria uma entrevista quando fosse necessário e cumpriu sua palavra. Ele só não esperava receber o balde de água fria com as palavras tão diretas de Rebecca, sobre Keeley estar indo para alguém que acredita merecê-la. Ver o Roy irritado é sempre um bom, e essa informação não poderia acontecer em lugar melhor, ao lado do cartaz do Zava enquanto foi jogador do Ajax, que virou vítima dos chutes do Roy.

No ônibus para sair do estádio, os jogadores estão desanimados e Ted decide anunciar a noite livre para eles, até Beard se anima mas a diversão não é para todos: Roy chama Jamie para treinar e esse convite que poderia ser o fim do entusiasmo de Jamie em Amsterdam, se torna o convite para um dos melhores momentos do episódio. Enquanto a dupla corre pela cidade, Jamie transforma o treino em um passeio turístico, mostra os locais mais conhecidos para Roy até arruma bicicletas para eles andarem quando já anoiteceu. 

Para a surpresa de Jamie e do responsável pelas bicicletas, Roy não sabe andar e os dois caem na risada. Roy que não é de desabafar, conta que o avô iria ensiná-lo a andar mas como ele faleceu, Roy nunca tentou aprender, e é o significado que andar de bicicleta tem para Roy que motiva Jamie a ajudá-lo. Eu não sabia que precisava assistir essa cena até ver, Roy caindo inúmeras vezes, Jamie tentando ajudar e quase sendo vítima de uma bicicleta voadora, Roy animado quando conseguiu pegar equilíbrio e Jamie comemorando por ele foi sem dúvidas um dos pontos altos desse episódio. 

A proximidade dos dois nessa temporada me deixa muito feliz, eles estão aprendendo a aproveitar a companhia um do outro e conseguem ser maduros para se desculparem quando passam dos limites ou contar assuntos mais pessoais, como as duas visitas de Jamie ao país que estão ou a preocupação de Roy em Keeley estar namorando. Jamie descontraiu Roy quando o assunto ficou delicado, instalou uma nova lembrança sobre andar de bicicleta e mostrou o moinho de vento que Roy alegava não existir, acho que eu não poderia estar mais satisfeita com o rumo de Jamie, conseguiram melhorar muito o personagem! 

Diferente de um passeio pela cidade, o time se reuniu no hotel para decidir os planos da noite e a indecisão tomou conta da maior parte deles juntos. Eu gosto muito das cenas dos jogadores juntos, o jeito que cada um vai reagir a alguma fala mas as inúmeras cenas na recepção do hotel me cansaram um pouco, elas eram intercaladas com outros núcleos no episódio mas toda vez que voltava para eles, parecia não ter andamento. ‘Sunflowers’ é o maior episódio da série até o momento e eu não consigo enxergar tanta necessidade de um episódio tão grande quando ele possui algumas cenas que não são tão construtivas e parecem enrolação. Fora isso, a decisão final de ter uma guerra de travesseiros foi a melhor escolha que poderiam fazer, me lembrou na hora o pré-jogo em Liverpool (1×07) quando Ted sugeriu fazer uma guerra de travesseiros ou assistir filme mas o time sempre escolhia assistir filme, se o técnico descobrir que essa foi a noite deles, vai ficar chateado de não ter participado junto. 

Quem também ficou de fora da guerra dos travesseiros foi Colin, que se desculpou com o time falando que não estava se sentindo bem, mas saiu em busca de uma balada e o único que notou foi Trent. Quando Colin percebeu a presença de Trent pela primeira vez, quis despistar o jornalista mas ele foi atrás e contou que sabia da sexualidade de Colin. Acompanhar esses dois no episódio também foi muito bom, Trent começou a falar de quando se assumiu e na vez de Colin foi bem emocionante, a vontade dele de viver apenas uma vida e poder comemorar a vitória do jogo com um beijo da mesma forma que os outros jogadores fazem, que bonito terem escolhido contar essa história na temporada. E no fim os dois voltaram na balada e curtiram a noite.

Outra dupla que aproveitou Amsterdam de um jeito diferente foi Higgins e Will, que estiveram no distrito da luz vermelha. Foi engraçado ver a reação de cada um quando Higgins falava o destino da noite e até Will perguntou se estava tudo bem em casa, mas ele queria conhecer o local que o ídolo Chet Baker morreu. Como é típico do Higgins apreciar boa música, ele encontrou um local com banda de jazz ao vivo, aproveitou o show com Will e acabou tocando no palco. Os dois juntos seria a interação que eu menos imaginava, mas gostei muito!

Já Rebecca, viveu uma noite atípica com um desconhecido e sendo sincera, eu acredito que ela precisava viver esse momento descontraído e tranquilo para ela enxergar que coisas boas podem acontecer para ela. Tudo se iniciou com ela distraída no telefone, andando pela ciclovia e na tentativa de desviar das bicicletas, caiu no canal. Perdeu o celular e foi se aquecer na casa do cara do barco (vou chamá-lo assim porque nem a Rebecca sabe o nome dele). Nos dias atuais, uma situação dessas só poderia estar na tv mesmo porque aceitar tomar banho na casa de um desconhecido, tomar um chá que veio com bilhete de piada sobre drogas e usar a roupa da ex companheira é demais pra mim, mas vou voltar às boas intenções do momento. 

Rebecca ficou encantada com a casa aconchegante e o quarto de uma criança, aos poucos ela também foi cedendo com a gentileza do cara do barco que ofereceu cozinhar para ela e ainda fazer massagem no pé, parece bom demais para ser verdade. Essa sequência foi outra que eu achei muito longa mas a ideia de construir a atração entre os dois foi bem feita, a conversa fluiu, Rebecca aproveitou o momento agradável, quis ficar mais tempo, cantou, dançou e recebeu a massagem no pé até cair no sono. 

Achei respeitoso quando ele a cobriu e foi dormir no quarto separado dela, e pela quantidade de vinho que ela bebeu, perguntou a ele de manhã sobre o que aconteceu na noite passada. Esse momento pode ter gerado interpretações diferente porque as palavras não foram ditas mas mostrar que eles dormiram separado para mim já foi o suficiente, mas a questão chegou até ao autor do episódio Brendan Hunt (Coach Beard) que curtiu alguns tweets sobre eles não terem dormido juntos. O que não há dúvidas é que aconteceu uma conexão entre eles e foi uma noite proveitosa para os dois e pode ter ficado por isso mesmo, porque eles se despediram sem nem saber o nome um do outro. Na trajetória de Rebecca e nas previsões de Tish, ela de cabeça para baixo, molhada e segura aconteceram nesse episódio, agora só os próximos episódios vão mostrar se Rebecca sentiu os raios e trovões na hora do beijo ou se acontecerá com outra pessoa.

Concluindo as aventuras em Amsterdam, ainda no hotel, Ted fala para Beard que está preso na própria mente e precisa pensar diferente, na hora deu para perceber que isso era tudo o que Beard sonhava em ouvir do amigo. Ele prepara o chá falando do amigo motorista (quem lembra no primeiro episódio quando Beard sabia do alucinógeno que o motorista do ônibus ia tomar) e todo especialista nas experiência que o chá pode causar, e claro que dei boas risadas com o Ted não conseguindo beber o chá enquanto Beard já tinha virado o copo. Beard estava agoniado querendo sair e Ted, no tédio sem planos para a noite e ignorado por Rebecca, decidiu tomar o chá e sair. 

O primeiro destino foi o Museu Van Gogh, que trouxe uma cena linda do Ted admirando o quadro ‘Os Girassóis’ enquanto o funcionário do museu narra o trecho de uma das cartas de Vincent van Gogh para o irmão Theo van Gogh de 8 de fevereiro de 1883 e faz uma analogia com o que Ted está vivendo com o clube, se ele sabe que está praticando o que é destinado a fazer, não importa quantas vezes falhe, ele precisa continuar tentando. Além de dar nome ao episódio, o girassol também tem um significado importante para Ted por ser a flor do Kansas e ele ainda recebe o caderno de recordação do museu com essa pintura estampada.

Em seguida, Ted vai ao restaurante temático americano que ele encontrou mais cedo e ali foi o seu paraíso. As comidas, as decorações, até dardos e jogos clássicos passando na tv tinham lá, ele ficou fascinado e quando fez o pedido, começou minha segunda parte favorita nesse episódio. Ele começou a debater sozinho sobre triângulos e pirâmides, viu Nate no lugar do garçom e quando a garçonete trouxe seu molho barbecue preferido, tudo parecia fora da realidade demais, até ele provar o molho e ser transportado para seu universo à parte. Essa sequência com efeitos visuais e o Ted reagindo às histórias sobre a origem dos triângulos e suas aplicações foi ótima de assistir, até eu viajei junto com ele e também foi o momento marcante para o técnico em que ele teve a epifania sobre futebol e começou a fazer rascunhos do que poderia colocar em uma partida. Era esse o momento que eu tanto esperava, Ted entendendo de futebol e sugerindo um plano para o time!

Para encerrar o episódio, o time volta ao ônibus, Beard aparece caracterizado e conta para Ted que o chá não fez efeito. Será mesmo que o chá estava fraco e não fez efeito em Beard, será que Ted que bebeu o chá premiado ou será que Ted estar num ambiente que lembrou de casa, fez ele ser transportado para o pensamento que trouxe o entendimento que ele precisava? Essa resposta não sei se irá existir, mas eles vão colocar em prática e testar com o time. 

Quem também se juntou ao ônibus foi Rebecca, que logo foi cobrada por Ted sobre as mensagens que ela não respondeu. Citar a quantidade de mensagens e gifs foi bem específico, Ted! Roy e Jamie voltaram de bicicleta e o episódio encerrou com todos cantarolando Three Little Birds – Bob Marley & The Wailers, e estou torcendo mesmo para que tudo fique bem. Como é agradável assistir de Ted Lasso, até semana que vem! 

REVISÃO GERAL
Nota:
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ted-lasso-3x06-sunflowersA noite em Amsterdam trouxe experiências que cada um precisava no momento e a esperança de melhoria no desempenho do time, Ted finalmente entendendo futebol. O episódio foi mais longo do que precisava, mas ainda assim consegue ser agradável do jeito típico da série.