Os momentos de glória do Richmond parecem que vão ficar como recordação para os torcedores. ‘Signs’ trouxe a continuação de derrotas que o clube vem enfrentando nas últimas partidas, e nem mesmo a presença de Zava consegue trazer vitórias. 7 derrotas seguidas e contando.
Os treinadores tentam fazer um panorama de onde está o erro e cada um tem uma percepção diferente, até se quiserem corrigir, eles precisam se alinhar. Rebecca chega na sala pouco antes da abertura acontecer, marcando sua entrada no episódio que foi de importante desenvolvimento para sua história.
O primeiro pedido feito por Rebecca nessa temporada foi vencer, e com essa sequência de derrotas, ela foi cobrar isso de Ted. Como a série consegue sempre criar um humor dentro de momentos mais tensos, foi engraçado ver a reação de todos intimidados pelo grito de Rebecca, restando ao Ted a tarefa de fazer um trocadilho em resposta para amenizar o clima. Como no começo da cena deu para perceber cada um com um ponto de vista, agora não foi diferente, cada pessoa na sala aponta uma direção como norte e para o time melhorar, a equipe toda precisa olhar na mesma direção.
Para dar continuidade à história de Rebecca, ela está numa cafeteria familiar para quem lembrou que foi ali o local que ela terminou com John Wingsnight. Ela encontrou na bolsa a caixinha de fósforo verde e até tentou se livrar dela, mas não foi ouvida e sem muito tempo para pensar, encontrou o próprio John ali. Poderia ser apenas uma ironia do destino ele estar ali com seu novo amor, mas foi a noiva dele trocar as palavras e chamá-lo de ‘príncipe encharcado’ que Rebecca gelou. Do mesmo jeito que Tish falou, mais um elemento apareceu no seu caminho e o choque de Rebecca com certeza é motivado pelo pensamento nas últimas frases ditas por Tish, que ela terá uma família e será mãe. Ela tenta falar com Keeley que está ocupada em uma reunião.
Esse quinto episódio também mostrou bastante os desafios de Keeley no trabalho, ela quer manter a empresa com poucos clientes para dar maior atenção e Jack concorda, e ao mesmo tempo tem Bárbara que enxerga o lado financeiro, em como seria bom para a empresa, e Shandy, que está criando seu próprio aplicativo. A postura de Shandy não me incomodava tanto até o episódio anterior, quando ela tomou atitudes sem autorização de Keeley, mas estar dentro da empresa que te contratou falando sobre criar novos projetos e uma suposta concorrente não é o melhor a se fazer. A demissão parece o único caminho a ser tomado, Jack orienta Keeley a fazer isso e a convida para almoçar.

No dia seguinte, Keeley descobriu que perdeu uma cliente por causa de Shandy e mantê-la na empresa não será mais possível. A notícia não foi bem recebida e na minha opinião a cena foi até longa demais, o episódio foi cheio de desenvolvimentos e essa parte foi a mais caída para mim, mas que bom que Keeley fez o que seria melhor profissionalmente. Essa demissão fez Keeley e Jack se aproximarem ainda mais, que acabaram ficando sozinhas no escritório quando descobriram a ovelha que Shandy colocou lá como vingança.
As características do personagens em Ted Lasso são mostradas de maneira sutil mas estão presentes, não era preciso uma cena da Keeley falando que sente atração por mulheres para sabermos que ela sente, desde a primeira temporada quando ela flertava com a Rebecca quando as duas já tinham mais intimidade. Conversando com Jack, Keeley disse que ainda fica triste ao falar do antigo relacionamento e não quer sentir isso agora, ainda parece que ficou algo mal resolvido entre eles e eu imagino que em algum momento eles irão conversar. Fora isso, Keeley está solteira e tem que viver mesmo!
De volta ao clube, os técnicos testam possíveis estratégias, mas nenhuma os convence que funcionará, e Ted recebe notícias que Henry estava envolvido em caso de bullying. Só é falado mais a frente que Henry foi o autor do bullying, e como ninguém imaginaria isso de primeira, Beard sugere meios para Ted estar em Kansas o mais rápido possível mas o destaque nessa cena foi para Roy, que descreveu uma cena de terror completa que até fez Trent derrubar sua caneca colorida. Muito intenso, Roy!
Com os técnicos não conseguindo ter uma estratégia coerente para seguir, o time não parece ter chances de vitória e Higgins vai comentar com Rebecca que talvez seja preciso mudar o técnico. É engraçado observar a reação de Rebecca, como de quem está ouvindo um absurdo e mudou de assunto. Vencer é importante, mas ela não parece estar disposta a abrir mão de Ted para que consiga vencer. Rebecca ainda está intrigada sobre a consulta com a vidente e pergunta a opinião de Higgins, que a encoraja a acreditar que videntes podem ajudar a enxergar de uma maneira que não imaginamos.

Preocupados com seus pensamentos, Ted e Rebecca se cruzam no corredor e de primeira não se percebem, notam ao mesmo tempo que fazem o cumprimento um ao outro trocado, ela falando coach e ele falando o nome dela. A estranheza entre os dois e a sincronia nessa cena ficou incrível, ainda mais na hora que Ted diz ser um vidente e Rebecca se desculpa por ter feito bullying com ele. Quanta conexão subentendida entre eles. A pequena conversa ficou estranha demais e os dois dão as costas mais uma vez juntos, é tudo tão sincronizado que a cena fica melhor a cada vez que assisto.
No núcleo de Nate, ele recebe o telefone da famosa Anastasia para marcar um encontro. Nate está em mais destaque como técnico do West Ham mas ele é desajeitado, é difícil para mim enxergar Anastasia com genuíno interesse em Nate e não com algum objetivo, seja por conta própria ou a pedido de Rupert, mas se for isso talvez só mostrem depois. Apesar de Nate agora ter status, ele não abandonou as origens e quis que o jantar fosse no restaurante de significado afetuoso para ele, mas claramente não era um encontro para conhecer as origens de Nate que Anastasia estava interessada e foi embora antes do jantar todo ser servido. Fiquei com pena de Nate por ser abandonado assim e Jade me surpreendeu aparecendo lá para confortá-lo e terminar o jantar com ele. No fim das contas, Nate conseguiu o que queria há um tempo, a atenção de Jade.

Como falei que esse episódio foi importante para Rebecca, a ida ao obstetra para checar sua fertilidade representa Rebecca enfrentando seus medos e indo atrás do que é importante para ela. Desde a primeira temporada quando ela falou que não queria acabar sozinha (1×04) e quando ficou em pedaços quando soube que Rupert quis ter filhos mas não com ela (1×09), sempre ficou claro que Rebecca queria construir uma família com filhos e como o relacionamento com Rupert foi devastador para ela, abriu mão da sua juventude, de seus amigos, de seus sonhos por um homem que não a respeitava. Na incerteza pelo futuro, Rebecca quer saber se pode ter esperanças de ter seu sonho ser realizado, e acho incrível representarem uma mulher de meia idade que é bem sucedida profissionalmente e não quer apenas ser a ‘boss ass bitch’, ela também quer viver um amor e ter uma família.
Rebecca fica imóvel ao pensar sobre um contato de emergência porque naquele momento ela não enxerga se tem alguém e antes que fique mais desesperada, o médico a chama. Ela não consegue sequer falar para o médico que está em busca de saber se pode engravidar, parece tão distante do que ela enxerga que o médico completa a frase dela e sugere exames. Mesmo sem garantia, é inevitável Rebecca não ter esperanças porque tudo o que ela quer é poder acreditar que um dia poderá ser mãe.
Nos treinos para a próxima partida, os jogadores estão sem expectativa de vitória, mas Jamie corta a negatividade para incentivar o time, e Zava o interrompe para fazer discurso motivador, roubando o momento do Jamie. A cada episódio Jamie tem aparecido com algum comentário pontual ou alguma pequena cena engraçada, quero muito o episódio que vai focar mais na história dele. O discurso de Zava sobre o time agir como equipe e que eles ganharão jogando juntos funcionou como uma despedida do personagem, que não apareceu para a partida contra o Manchester City e depois anunciou sua aposentadoria dos campos. A demissão repentina de Zava pegou o time de surpresa e como era de se esperar, mais uma derrota aconteceu.

Como os momentos difíceis para o clube tendem a acompanhar momentos difíceis da vida dos integrantes, quem recebeu a próxima notícia ruim foi Rebecca. A ligação do médico que ela estava adiando atender trouxe a informação que imaginava, provavelmente de baixa fertilidade ou impossibilidade de gravidez porque não ouvimos o que o médico dizia e ficamos apenas com a reação da Rebecca. Que cena impecável, Hannah Waddingham que vem a cada episódio apresentando uma Emmy tape, entregou mais uma nesse momento em que Rebecca tentou se manter firme durante a ligação mas também estava devastada por não receber uma confirmação positiva. Rebecca liga para Keeley mais uma vez e sem resposta, passa mais uma vez um momento difícil sozinha. Ei, isso deveria ser uma série de comédia!
No pós-jogo, os técnicos estão em análise sobre a partida quando Ted começa a ter uma crise de ansiedade que é afastada pela ligação de Henry. Na conversa com o filho, ele descobre que já aconteceu o pedido de desculpa e o que me chamou atenção foi Ted ensinar para Henry um jeito de manejar a raiva do jeito que seu pai ensinou. Depois de saber como a morte do pai foi traumática para Ted, não vou ficar surpresa se ele conversar com alguém sobre como foi afetado pela ausência do pai ou como é difícil para ele estar longe do filho por não ter tido o pai pela maior parte de sua vida. Após desligar, Ted quase tem uma crise de ansiedade de novo e consegue se tranquilizar mentalizando que Henry está bem, como foi bom ver a cara do Ted sereno após se acalmar.
E assim, ele conseguiu falar com o time e o Ted motivacional está de volta. Para a cena ficar descontraída, o believe rasgado cai bem na hora que ele fala sobre acreditar. Ele termina de rasgar causando gritos e ótimas reações em cada um (vale a pena assistir de novo para reparar) e o fim do discurso foi ainda melhor porque para acreditar não é preciso ter um cartaz colado, é preciso que esteja nas intenções de cada um. Mas por mim, eu espero que colem um novo cartaz ali, a parede do vestiário não será a mesma sem um cartaz amarelo e azul em cima da porta.












