Survivor nos ensina o que acontece quando nos preocupamos mais com a economia do que com a própria sobrevivência.
Muito diferente do que acontece em Survivor, que segue com uma temporada excelente para comemorar os seus 20 anos de sucesso, o mundo passa por um momento muito complicado. Afetados por uma pandemia sem precedentes, vemos alguns setores da sociedade com discursos extremamente ignorantes, cruéis e que não encontram embasamento nem mesmo na teoria ou na ciência, seja ela médica ou mesmo econômica. É normal ouvir do infeliz que colocaram como presidente da república, do seu tio fascista ou de um empresário rico que não se acha velho apesar da idade de que o Brasil não pode parar. Precisamos priorizar a economia e não a sobrevivência. É impressionante como até em Survivor este discurso me veio à cabeça e apresentando a mesma falha que na realidade.
Infelizmente, já havia acontecido com Sandra e agora foi a vez de Yul ter a sua chama (e fire representes your life) apagada por privilegiar a economia e não a lei mais importante de Survivor, a sobrevivência. Os Fire Tokens vieram para complicar o jogo e pode ser mesmo que o grande vencedor será quem souber lidar melhor com a moeda, mas eles vieram também para confundir, para atrapalhar e para eliminar jogadores. No primeiro episódio da temporada, Nick ganhou um confessional dizendo que o vencedor será aquele que conseguir usar melhor a inovadora economia de Survivor. Contudo, estou começando a ter a impressão que, na realidade, vai ganhar quem não se deixar levar pelos Fire Tokens e manter o foco em na sua chama acesa. Depois de estragar a Twist da Redemption Island, talvez estragar a Edge of Extinction e os Fire Tokens seja uma missão para Sophie Clarke.
Muito diferente de Sandra, Yul não fez uma jogada maluca e que desse todo o poder desnecessariamente para alguém. Ele só se preocupou em fazer o mesmo que Michele fez no episódio passado, querendo os Fire Tokens do eliminado. Entretanto, possivelmente a situação toda deu gatilho em Nick, que se lembrou de Angelina e seu plano para conseguir a jaqueta de Natalie e resolveu que Yul era inteligente demais para continuar no jogo. Sandra e Yul precisam aprender a mesma lição que Roberto Justus, quando você está no grupo de risco qualquer coisa que você faça para ter uma vantagem diante dos demais pode ser um motivo enorme para a sua eliminação.
Esta, ao menos, foi a história nos apresentada no episódio. Talvez a questão toda dos Fire Tokens nem tenha sido tão essencial assim para o fim triste de Yul e uma aliança entre os jogadores New School já estava formada assim que a Swap aconteceu. É importante lembrar que Nick revelou que ele e Michele fizeram uma aliança antes da temporada começar e com a relação prévia dela com Wendell talvez o destino de Yul já estivesse selado. Podemos até dizer que ele teve a chance de eliminar Wendell no episódio passado, o que faria a tribo ter números iguais entre jogadores antigos e mais modernos, mas acredito que não havia nenhuma confiança entre Yul e Parvati para que isso acontecesse.
As alianças pré game são normais e influenciam sim o jogo em todas as temporadas com retornantes. Muitas vezes, o que ocorre na ilha acaba mudando os planos feitos por telefone ou pela internet, mas é óbvio que o combinado previamente tem sim o seu valor. Tenho certeza de que todos os jogadores das temporadas mais recentes conversaram bastante sobre o medo de enfrentar Parvati, Sandra, Boston Rob e Yul e isto pesou também na decisão de Michele e Nick.
Na minha visão, pelo o que foi apresentado no episódio, a decisão de eliminar Yul, absolutamente, não é a mais correta, uma vez que ele é muito mais confiável do que Wendell e ainda seria um escudo ótimo para se ter na merge. Nick disse que não queria ficar para sempre sendo liderado por Yul e pelos seus planos, porém seria exatamente isso que eu buscaria para o início da merge. Como Sophie disse muito bem na premiere, com a presença de Yul é garantia de que você não será visto como a pessoa mais inteligente do ambiente, o que seria um bom ponto de partida para a próxima fase do jogo. O vencedor de Cook Islands seria eliminado mais cedo ou mais tarde, já que é um jogador tão respeitado e tão temido pelos adversários.
Tenho uma grande impressão de que a edição nos enganou bastante e a aliança Michele, Nick e Wendell já estava funcionando a todo vapor desde a Swap. Tudo leva a crer que eles já estavam juntos antes mesmo da temporada começar e o próprio conflito de ex não me parece tão real assim.

É difícil perder mais um jogador das antigas e especialmente Yul, o jogador que me ensinou que o cérebro é o músculo mais importante do jogo. Com um jogo social e estratégico na medida certa, Yul, mesmo numa Era em que os challenges eram muito mais valorizados, conseguiu bater Ozzy, que deixou de ganhar apenas um desafio de imunidade na merge em Cook islands. Um feito que poucos que assistiram a Survivor recentemente conseguem dimensionar.
Yul nos ensinou também que idols podem ser muito mais valiosos para construir pontes e alianças do que pelo seu poder principal, do qual ele nunca precisou. Foi muito bom tê-lo de volta depois de tanto tempo, nos trazendo a nostalgia que esta temporada tão especial precisava. Menos badalado do que outras lendas, Yul era um vencedor necessário nessa festa, dada a sua enorme contribuição para a evolução no jogo. A partir dele, Parvati pôde bater os músculos de Ozzy em Micronesia e outras muitas outras estratégias se originaram.
Além de um grande e respeitável jogador, é evidente que estamos falando de um cara excepcional, que estava lutando para uma causa muito maior do que o próprio enriquecimento. Em tempos em que somos obrigados a ouvir que dinheiro é mais importante do que a vida, Yul estava jogando para doar toda a grana para o combate da ALS, doença que acometeu a esposa do seu querido amigo e memorável jogador, Jonathan Penner. A luta pela vida de todos, inclusive dos adoentados, é uma missão que nem todos com dinheiro valorizam. Não, ele. Yul é gigante.
Muito diferente do que algumas pessoas dizem na internet, Winners At War está longe de se tornar uma Game Changers. Apesar da esperada saída precoce de alguns consagrados vencedores, o restante do elenco não se compara aos participantes da trigésima quarta temporada do reality. Estamos falando de pessoas que já venceram, que são grandes jogadores e que conseguem sim manter o nível de entretenimento. Nem mesmo o pior do elenco (que muda para cada um de modo subjetivo) se compara à Sierra, Troyzan e Brad Culpepper. Temos ainda pessoas como Kim, Tony e Jeremy, sem dizer que todos estão mostrando que estão com sangue nos olhos e são aptos a jogar.
Faça Como Sandra, Fique em Casa

A Edge of Extinction seria a oportunidade perfeita para que, pela primeira vez na história, Sandra estivesse num júri, o que seria um consolo para os fãs que a amam ou que odeiam a twist. Todavia, não posso deixar de aplaudir a sua sensatez em não dar palco para Edge of Extinction e se retirar de um jogo em que ela não tem a menor chance. Num momento muito delicado para todo o mundo, Sandra dá o recado perfeito: fique em casa e não se exponha por aí atoa.
Para começar, eu gosto bastante da ideia de sabotar a intenção dos produtores em insistir numa twist tão ruim como Edge of Extinction, mesmo que em alguns momentos ela até que se justifique por conseguir manter grandes personagens em tela. Gosto ainda mais de Sandra mostrar o que sempre foi a sua marca no reality, a sua personalidade. Tem que ser uma mulher forte e decidida para ser a primeira da temporada a ir embora, sabendo que não tem a menor chance de retornar ao jogo. O resto que lute para chegar a segunda vitória, coisa que ela já fez há muito tempo.
Para quê Sandra precisa passar fome e sofrimento? Ela é a rainha e não precisa provar nada para ninguém. Em números, o vencedor da temporada, no máximo, irá igualar a sua marca, mas dificilmente igualará a sua majestade. Sandra deu um show de humildade, assumindo os seus erros e dizendo que, assim como os demais, ela é humana e passível de erro. A sua marca em Survivor e sua majestade nunca ninguém vai conseguir tirar dela.
Eu não quero ver a Edge of Extinction de volta nem pintada de ouro, mas imagino que ela poderia ser melhorada caso, no final das contas, não fosse apenas um challenge físico que resolvesse quem retorna ao jogo. Para mim, as coisas seriam muito melhores se a produção desistisse do challenge como critério para o retorno. Tal critério só beneficia os mais fortes fisicamente e sabemos que força física está longe de ser um atributo tão relevante no Survivor atual.
Seria bem mais interessante se os moradores da Edge of Extinction fossem, ao menos a um Tribal Council, e que precisassem de estratégia e jogo social para retornar ao jogo. Os Fire Tokens ajudam nesta tentativa de mantê-los jogando alguma coisa, mas acho que isto, no final das contas, nem será tão decisivo assim. Na sua temporada original, por mais que tivessem uma vantagem, Keith e Aubry passaram longe de ter chance no desafio. Como já disse no início da review, deixo nas mãos de Sophie a missão de destruir mais uma twist merda em Survivor.
Pela promo, não teremos um challenge da Edge of Extinction na merge como aconteceu na temporada 38. Pelo visto, será apenas um retornante da twist, o que pode ser justificado pelo número de participantes de Winners At War. Na season 38, o elenco tinha 18 participantes, adequando o tamanho do elenco para existirem 17 eliminações, o que é comum em quase toda temporada. Aqui com 20 participantes, seriam 19 eliminações, o que pode ser conteúdo demais para o número de episódios planejados. Prefiro que seja isto mesmo, quanto menos esta twist afetar o jogo melhor para mim.
Ranking Após “We’re in the Majors”:
1- Sophie. Sem a menor sombra de dúvida, Sophie foi a melhor jogadora da fase tribal. Ela é a única que sabe onde estão os dois idols do jogo, só fez aliados e não inimigos e preservou a sua falta de alvo. Neste episódio, ela nos deu mais uma amostra do seu jogo, uma vez que Adam nem desconfia que é ela quem tem o idol. Gostei também de como ela tentou encerrar o assunto do idol, insistindo que o tema estava apenas dividindo a tribo. É muito legal ver como ela continua fazendo um jogo que se importa com a união da tribo, o que a levou à vitória em South Pacific, ao mesmo tempo que se destaca bastante individualmente. É bem verdade que Sophie perdeu o seu escudo nerd, mas foi muito bem mesmo na ausência de Yul. Além disso, em termos narrativos, a eliminação de vencedor de Cook Islands indica que a dedicação da edição à dupla no início trata-se de um foco na trajetória de Sophie pela temporada, o que sempre é muito bom para ter chances de vencer.
2- Sarah. Está numa posição interessante, mas é uma das pessoas que deve ser perseguida em breve, visto que Sandra, Rob, Parvati, Yul e Tyson já estão fora. Estou muito satisfeito com o seu jogo até aqui e quero ver como ela se sairá agora que as coisas ficarão mais difíceis.
3- Nick. Não sei se a eliminação de Yul é uma boa para o seu jogo a longo prazo. Isto pode afetar a sua aliança com Sophie, mas imagino que ele não será um dos alvos na merge. Como disse em confessionais, pareceu mesmo ser o elo entre os 4 membros da tribo, o que mostra um bom jogo social.
4- Jeremy. Assim como Michele, teve um começo ruim, mas se recuperou muito rapidamente mesmo sendo um dos maiores alvos da temporada. Agora na merge terá a oportunidade de jogar como mais gosta, usando escudos e no estilo Voting Block. Acho que esta será a dinâmica da temporada de qualquer jeito e Jeremy é quem está mais acostumado com este estilo de jogo. Ele ainda tem uma excelente vantagem que pode salvá-lo num momento de perigo. Não vejo chances de vitória, mas pode fazer algum estrago ainda.
5- Denise. Mudou o seus status no jogo e pode competir de igual para igual com as grandes ameaças. Denise já tem uma boa história na temporada e ainda é uma das participantes com mais opções para o futuro.
6- Michele. Conseguiu se recuperar de um começo ruim e de uma swap de má sorte (pelo menos na teoria), é uma das pessoas com uma trama própria e não tem grandes motivos para ser votada nos próximos episódios. Eu só quero que o plot dela com Wendell seja esquecido no churrasco. Adoro De Férias com o Ex, mas não comprei muito esta história. As suas chances de vitória ganham um fôlego a mais com musiquinha empolgante embalando o seu confessional.
7- Adam. Fez uma fase tribal from the hero to the zero. Começou bem o jogo, mas foi pecando pelo excesso e na medida que as pessoas sabem que ele pode ser perigoso. Neste episódio, foi completamente enganado pelo seu sensor aranha, que não funcionou tão mal nem quando Miles Morales tinha acabado de ser picado pela aranha radioativa. De qualquer forma, chega à merge como um Free Agent, o que pode ser algo muito bom. Pela sua edição de destaque, sendo um dos principais narradores da temporada, vejo Adam com chances de ser o primeiro eliminado na merge, mas também de chegar ao Final Tribal Council.
8- Kim. Com uma fase tribal abaixo do esperado, mas dentro das dificuldades encontradas por alguém do seu calibre, acho que Kim terá que melhorar muito o seu desempenho para não sair nos próximos 2 ou 3 episódios. A boa notícia é que ela tem capacidade para tal e ainda possui um idol que pode salvar a sua vida.
9- Ben. Foi relativamente bem no jogo, conseguindo votar com a maioria em todas as oportunidades. Quero ver o que ele faz agora, que é cada um por si e ele deve ser um dos maiores alvos. É a minha principal aposta para eliminação, mas vem sendo a muitos episódios e ele nunca sai (lol).
10- Tony. Teve uma excelente fase tribal sem correr nenhum risco mesmo sendo Tony. Ele merecia uma posição no topo daeste ranking, mas fica em penúltimo porque é o maior alvo ainda no jogo. Penso que seria muito interessante se ele conseguisse unir Kim, Jeremy, Denise, Sarah e Sophie. Seria a aliança perfeita para ele, mas não sei se tem chance de ocorrer, uma vez que é bem mais seguro competir com os demais.
11- Wendell. Teve dois episódios terríveis e foi salvo por não ser uma ameaça tão grande quanto Yul e por suas relações anteriores ao jogo. A edição construiu uma imagem e Wendell completamente diferente daquela de Ghost Island e de uma forma ruim.
PS: Os brasileiros sobre ter o pior e completamente incompetente presidente da história:

















