Que Survivor é um jogo estratégico, social e físico todos sabem, mas, ao contrário do que muitos pensam, a capacidade de ser mega evil e bolar planos mirabolantes não é o mais importante para vencer. Na opinião de Jeff Prosbt, a qualidade que une os vencedores e grandes jogadores é o autoconhecimento e também a noção da percepção dos outros em relação a si mesmo. Conhecer a si mesmo, suas qualidades, seus defeitos e saber como os outros te enxergam, é uma tarefa muito mais complexa do que parece e são poucas pessoas que têm esta capacidade. Num jogo em que o seu destino, praticamente sempre, está nas mãos de terceiros e que os interesses sempre são conflitantes, coloco a experiência de vida ao lado do autoconhecimento como uma característica chave.
Não é atoa que, ao longo de 32 temporadas, os participantes mais jovens normalmente não têm tanta personalidade e maturidade para um jogo tão brutal. Assim, tivemos vários participantes novinhos que foram plantas, tímidos no jogo ou que foram massacrados por participantes mais experientes. Acredito que é neste aspecto que a temática de Millennials Vs. Gen X acerta e se afasta de um repeteco de Nicaragua, que opôs novos e velhos. A geração do milênio é realmente diferenciada e seus membros são mais ousados, mais irresponsáveis e vivem um momento em que os jovens têm uma capacidade maior de mobilidade social, de criar suas próprias empresas e de se afastarem das escolhas de seus pais. Isto só é tão bem refletido na temporada porque a seleção do elenco foi incrível e trouxe jovens que realmente tem uma certa experiência mesmo com a pouca idade. É aqui que Millennials Vs. Gen X se afasta do Australian Survivor por exemplo, desfilando uma diversidade de ótimos cativantes personagens. Bem diferente das pessoas genéricas e sem vida da versão australiana.
Adam, provavelmente, é o maior representante dos Millennials e de alguém que, além de conhecer o jogo muito bem, possui uma trajetória interessante e diferenciada. Tenho certeza que administrar um abrigo para moradores de rua é o tipo de ocupação que traz uma bagagem enorme e já diz muito sobre o seu lado idealista. Como vimos muito bem no segundo episódio, Adam é um super fã de Survivor e sabe exatamente tudo que deve fazer e não fazer, mas ele vai além disto. É comum termos participantes com o mesmo perfil de Adam que, apesar de conhecer o jogo muito bem, pecam na interação com outros, muitas vezes, porque passaram a vida fazendo coisas de nerd e não viveram o mundo fora da TV e internet como poderiam. Adam não vai por este caminho, vai bem na teoria e na prática também. Assim, vejo ele como o pacote nerd completo, alguém que tem conhecimento do jogo, vivência e que tem uma motivação e uma paixão que podem levá-lo bem longe.

A jornada de Adam em busca do idol foi muito boa e acredito que a edição cumpriu muito bem o objetivo em fazer a grande maioria dos fãs torcer para que ele encontrasse esta importante ferramenta no jogo. Algumas pessoas levantaram suspeitas em relação ao idol encontrado por David, uma vez que Adam encontrou primeiro uma pista para depois achar a concha em que o idol estava. Eu até acredito que a produção pode ter facilitado as coisas para que David, um ótimo personagem em perigo, encontrasse o idol. Entretanto, na minha opinião, nada impede alguém de encontrar o idol antes mesmo de achar uma pista, que, provavelmente, estava em algum lugar e não foi encontrada por ninguém. A reação de Adam ao encontrar o idol foi emocionante e achei bem bonito a paixão demonstrada em relação ao jogo e, sobretudo, quanto a sua mãe. Adam sempre sonhou em entrar em Survivor e, justamente quando ele conseguiu realizar este sonho, sua mãe foi diagnosticada com câncer. A situação poderia fazer outras pessoas desistirem do programa, mas Survivor serviu como motivação para a mãe de Adam continuar vivendo e possivelmente vê-lo encontrando um idol ou até mesmo ganhando a porra toda. Acredito que Adam está no caminho certo e tem boas chances de ter feito os últimos dias de sua mãe mais feliz, contando como ganhou ou, pelo menos, o quanto foi bem no jogo. Para quem não sabe, a mãe de Adam faleceu em maio, pouco tempo depois dele ter retornado de Fiji, e ele resolveu usar Survivor e a história da sua mãe como uma oportunidade para angariar fundos para a luta contra o câncer, criando uma fundação com o nome de sua mãe. Este é o espírito Millennial que os produtores queriam para a temporada e, surpreendentemente, eles acertaram em cheio.
Eu quis começar a review falando de Adam não, apenas, porque ele é um dos meus favoritos e teve um momento bem marcante no episódio, mas também porque ele traz um bom contraponto com o que aconteceu com Tia do Botox. Ao contrário de Adam, tia do botox usou a sua experiência de vida de forma a prejudicá-la, fazendo um jogo bem desastroso. É óbvio que Lucy foi bem mais ativa do que pareceu nos 3 primeiros episódios e sua edição invisível foi uma escolha narrativa de quem precisava contar bastante coisa em pouco tempo. Entretanto, Tia do Botox acreditou que poderia ser em Survivor o que é fora dele, não sabendo que bancar a ditadora não funcionaria num jogo em que as pessoas são livres para tirar quem bem entender.
Já vimos um participante impor uma ditadura e ser recompensado com o título de Sole Survivor, mas isso foi feito de uma maneira bem mais complexa. Se trata de um jogo de alguém diferenciado e que não é facilmente imitado. Muito diferente do que Tia do Botox fez, as regras arbitrárias foram vendidas como algo bom para a coletividade, em prol da aliança toda e costuradas por um jogo muito forte em que todos confiavam cegamente no líder da tribo. Já Lucy claramente mostrou que quis tomar conta do jogo e ser a ponte de comunicação entre Ken e David e o resto da aliança. Algo que beneficiaria apenas ela e concentraria todo o poder em suas mãos. Ao contrário do que acontece na vida, não existe hierarquia em Survivor e posições de poder podem mudar muito rapidamente. Lucy jogou Jessica aos leões para tomar o seu lugar sem sutileza nenhuma. Pecou muito no social e na maneira que tentou impor as suas estratégias. Para piorar, ela meio que entregou muito fácil sua sede por poder e seu desejo em mandar. Se tem uma coisa que um participante de Survivor não deve querer é ser visto como o líder e Tia do Botox fez justamente o contrário sem sutileza nenhuma.
Lucy está acostumada a mandar nos seus filhos, no marido e em seus empregados, muitas vezes sendo a vilã da história, mas fazendo as coisas acontecerem. Na nossa vida, são muitas as situações que precisamos bancar o chato para chegar num resultado, mas Tia do Botox tinha que entender que os colegas de tribo não são obrigados a obedecê-la como os seus filhos. Uma fórmula de sucesso na vida não se aplica tão facilmente em Survivor. Era óbvio que alguém não ia concordar com a sua postura e, ao menos, tentar criar uma resistência. Ken fez um plano muito bom, um tanto quanto motivado pela sua insatisfação de aceitar ordens da Tia do Botox, mas, mesmo assim, um bom plano para quem ainda precisava sair do bottom da tribo. O problema foi que Jessica não acreditou que Tia do Botox estava armando o seu blindside e contou tudo para ela.
Fiquei um tanto quanto impressionado primeiro com a falta de noção de Jessica e depois com o fato de Ken não ter virado alvo depois de assumir que tentou tirar Lucy. O Tribal Council foi sensacional e corou mais um bom momento da tribo Gen X. Quando Jessica perguntou para Ken se ela deveria confiar em 100% de tudo que ele fala, Ken deu uma resposta simples “Yes”, mas com o olhar ele consegue passar verdade de uma maneira impressionante. Não foi o suficiente para Jessica, que votou equivocadamente sozinha em Cece.
O Big Move de David foi um tanto quanto polêmico e dividiu opiniões. Na minha visão, David fez certo e virou o jogo de cabeça para baixo com uma jogada ousada e arriscada. Ficou claro que, apesar da saída de Paul, a aliança principal se manteve unida e só queria eliminar Jessica. Assim, depois que Jessica fosse eliminada Cece, David e Ken voltariam a ser os alvos. É óbvio que o ideal seria colocar Jessica a bordo sem usar idol, mas é justamente para isso que serve um idol, para usar estrategicamente visando uma posição mais confortável no jogo. Acredito que os críticos de David estão se apegando demais no fato de que teremos uma Swap no próximo episódio, porém, além de não ter como David ter certeza de que isso aconteceria, mesmo após a Swap a sua jogada ainda traz benefícios.
Jessica foi burra, foi enganada pela própria aliança e não soube identificar quem estava falando a verdade. Entretanto, depois deste Tribal Council ela não tem mais motivos para não confiar em David e Ken e pode ser uma aliada importante no decorrer do jogo. Uma swap costuma ser “salve-se quem puder” e David, Ken e Cece podem ser divididos pelo sorteio. Assim, ter Jessica com eles a partir de agora pode ser determinante para a sobrevivência da aliança nesta etapa do jogo. Além disso, por mais que David não saiba, ao usar o idol em Jessica, ele se torna o favorito para herdar a Legacy Advantage caso ela seja eliminada, algo que pode ser muito importante para alguém que está na briga pelo título de Sole Survivor.
Vi comentários de que David usou o idol muito cedo e poderia eliminar Jessica e usá-lo no próximo Tribal Council. O problema dessa interpretação, ao meu ver, é que David encontrou uma oportunidade de usar o idol com certeza do resultado. Sem Jessica na tribo, ele Ken e Cece voltariam ao bottom e ele não teria como saber em quem a aliança majoritária iria votar para usar o idol com precisão. O idol é uma vantagem individual que dá uma certa segurança para quem lhe possui, mas o mais inteligente mesmo é usá-lo como uma ferramenta para mudar sua posição no jogo, garantir os números e conquistar novos aliados. Neste sentido, David deu um show de coragem, arriscando bastante e jogando como gente grande. A jogada mais brilhante de todos os tempos de Survivor envolveu usar idol em favor de terceiros e, ao meu ver, foi uma jogada tão (ou mais) arriscada do que a de David. Survivor é um jogo individual, mas em que cada um depende do coletivo para ir mais longe e David deu uma grande demonstração de maturidade estratégica, mostrando o quanto pode ser valioso para uma aliança.
Não foi a primeira vez que alguém usou um idol para salvar uma outra pessoa, mas muito se surpreenderam porque David usou o idol para salvar alguém que não era sua aliada e ainda votou contra Cece. Para mim, isto é mais um motivo para usar o idol. David não usou o idol para salvar um aliado, mas para ganhar um, um número importante que faria falta contra Chris, Bret, Sunday e Tia do Botox se a tribo continuasse com esta formação. O que não ficou claro foi se David mudou de ideia durante o Tribal Council. Fiquei com a impressão de que ele não teve tempo de combinar com Cece o voto em Jessica depois que esta contou tudo para Lucy e se aproveitou da situação numa reação tomada nos 48 do segundo tempo. Por isso, talvez Ken tenha votado em Jessica, o que não deve ser um problema.
Estou falando que quero uma Swap desde que a temporada começou, porém agora que ela realmente vai acontecer fico com a sensação de que a temporada nem está precisando dela. Millennials Vs. Gen X vem se consolidando com um ótimo início e as duas tribos mostraram que não estão a passeio em Fiji. Tudo está tão bom que a swap nem é tão necessária como imaginávamos e o desenrolar dos fatos nas duas tribos seria interessante num próximo Tribal Council.
Minha reclamação é, mais uma vez, a previsibilidade. Sobretudo com os “Next Time on” e “Previously”. Está fácil demais saber qual tribo será a derrotada no Immunity Challenge e até mesmo quem será o eliminado assim que um episódio começa. Estou pensando seriamente em pular o “previously” do próximo episódio, porque realmente deixa tudo muito previsível. Eu amei o Tribal Council e toda a confusão, mas com certeza seria ainda melhor se eu não tivesse certeza que a Tia do Botox seria eliminada no final.
Ranking da Semana Sem Vergonha Nenhuma de inverter tudo:

1- David. Foi o principal nome da temporada na fase Millennials Vs. Gen X, é extremamente carismático e o favorito para vencer no momento. Como já disse, acredito que ele fez um Big Move muito bom e que acertou ao ousar ao invés de se agarrar na falsa segurança que um idol pode dar. Quem arrisca não petisca e é este tipo de jogo que eu sempre valorizei. David ainda é o participante que tem tudo para se dar bem com os Millennials e acredito que ele se colocará numa posição de poder até a merge.
2- Ken. É um ótimo jogador, o pacote completo, e teve bastante airtime. Ken é, com certeza, um dos favoritos ao prêmio e para voltar como herói numa futura temporada. Ken está fazendo um jogo honesto e de bom moço e gosto de como ele se apresenta aos outros. Achar alguém ponta firme como ele seria o meu sonho se eu estivesse participando. Eu confiaria nele e por isso respeito bastante a sua postura. O problema para Ken será a merge e o alvo que alguém tão forte, prendado e gostável sempre tem.
3- Adam. É o único participante a ter um idol no momento e teve aquele tipo de confessional falando da vida pessoal que os vencedores costumam ter. A grande maioria dos vencedores recentes encontrou um idol em sua trajetória, o que mostra um pouco como os jogadores mais agressivos são aqueles que procuram mais o idol e consequentemente tem mais chances de encontrar. Acho que Adam está bem cotado no momento e espero que ele ainda dure bastante. Depois da história com sua mãe, duvido que ele não tenha conquistado uma torcida bem grande. É outro que eu penso que participará mais uma vez num futuro próximo.
4- Michelle. A Louca da Bíblia continuou sumida e isso não quer dizer muita coisa. Continuo colocando Michelle entre os favoritos e entre aqueles que tem potencial para fazer grandes jogadas. Talvez ela tenha se reservado um pouco devido a Sexta-Feira Santa ou algo do tipo. Vamos ver como ela se porta após o swap.
5- Jay For Pay. Outro que apareceu bem pouco, mas que não tem motivos para cair muito no ranking. Estou apostando que os Millennials vão se manter unidos após a mistura de tribos e Jay ainda é uma pessoa forte nos challenges, o que pode fazê-lo não ser o alvo de Chris, Bret ou Ken, pessoas que valorizam a força da tribo.
6- Cece. Dependendo da sorte ou falta dela, acho que Cece corre um risco de não chegar até a merge, porém acredito que ela continuará sobrevivendo mesmo sem fazer muito esforço e será arrastada por um bom tempo ainda.
7- Hannimal. Realmente acreditei que Hannah não viu que Adam estava com o idol, mas pelo visto, mesmo que ela visse, isso não seria um problema tão grande. Ela desejou boa sorte na busca.
8- Michaela. Rainha dos challenges apenas. O Reward challenge foi espetacular e Michaela mostrou que além de ter uma força bruta descomunal é uma pessoa prática e de atitude. Ela traça um objetivo e passa por cima de qualquer obstáculo. Com certeza uma das personagens principais da temporada. A minha favorita de Millennials Vs. Gen X. Continuo achando que ela ainda não sossegou e vai flipar mais algumas vezes ainda. Não vejo a hora de vê-la interagindo com os Gen X.
9- Will. Não sou capaz de opinar.
10- Zeke. Dá um belo salto no ranking, mas não foi por nada que ele fez e sim por que outros tinham que cair um pouco. Zeke ainda é a decepção da temporada para mim, mas estamos muito no começo e ainda acredito que ele vai se destacar.
11- Jessica. Mulher, melhore. Que a jogada de tirar Paul era ruim a gente já sabia, mas Jessica continuou a fazer más escolhas e precisa agradecer a David pela sua tocha ainda estar acesa. Ela mereceria ficar numa posição pior pelo seu desempenho, mas como ela está na maioria dos Gen X fica acima dos demais.
12- Chris. Acho que eu não tinha dado conta o quanto este cara é grande e forte. É tipo o abominável homem das neves. Chris é uma das minhas apostas de eliminação no próximo episódio, já que existem grandes chances de Jessica, David, Cece ou Ken entregar a sua cabeça para os Millennials.
13- Bret. Está numa posição ainda pior que Chris, que pode ser poupado por ser forte demais e mais útil nos challenges.
14- Sunday. Eu comecei a perder minha paciência com esta mulher. Monday é muita inexpressiva. Talvez o jogo comece para valer com a Swap e Sunday seja mais ativa, mas até agora ela vem sendo uma decepção também. Será que teremos a aliança Deus é Fiel com Monday, Will, Michaela e Michelle?
15- Taylor. Acredito que Taylor e Figgy são os dois que mais precisam torcer por uma boa sorte no sorteio. Se eles caírem na mesma tribo e conseguirem manter os Millennials unidos, estarão seguros, mas em tribos separadas aquele que for ao Tribal Council correrá um risco enorme.
16- Figgy. Me impressiona o quanto Figgy é inteligente e boa nos puzzles. Sua dupla com Michelle já garantiu dois challenges para a tribo e em ambas as ocasiões elas começaram o quebra-cabeça depois dos Gen X. Sinceramente, eu não desgosto dela como a maioria, detesto apenas o casal como um todo. Torço para que ela e Michaela caiam na mesma tribo por motivos de quero barraco. Acho que ela faz um jogo péssimo e tem tudo para se ferrar o quanto antes, mas não torço para que saia antes da merge.
PS1: Por que vocês ainda não eliminaram a Figgy?

PS2: É segunda-feira.

PS3: O retorno de um clássico dos anos 90. A Banheira do Gugu está de volta. Uba uba ubaê uba uba uba ubaê.

PS4: Ken fazendo cosplay de Tia do Botox.

PS5: Uma Gen X mais participativa que Sunday.

PS6: CBS vai produzir remake de Amigas e Rivais.

PS7: Sobre Sierra voltar em Survivor Game Changers

PS8: E, por fim, o que achamos da jogada de David.
















