“Atenção roteiristas de Superstore da Cloud 9. Lamento informar mas a nossa segunda temporada não foi tão boa como a primeira. Have a heavenly day”.

Superstore não conseguiu ser tão envolvente como na temporada inicial, infelizmente. Tivemos algumas barrigas, por mais que elas foram curtas, e uma nova estética de filmagem foi apresentada neste ano: as externas. Não digo as externas relacionadas ao estacionamento da Cloud 9, mas sim em relação a outros cenários, que foi algo muito estranho de se ver queridos leitores. Como assim Marcelo?

A série se situa e manda muito bem quando o assunto é a loja e os seus funcionários, mas a partir do momento que começa a se contextualizar os familiares e o passado dos personagens, parece que Superstore não sabe como se conduzir e vimos isso nesta segunda temporada. Em outras palavras, os roteiristas começam a contar uma storyline, mas logo a interrompe, como por exemplo, o agora ex-marido de Amy, o Adam. Ele foi introduzido temporada passada, foi deixado de lado por vários episódios e retornou ao final da atual temporada de forma drástica, sem uma reintrodução. Poderia ter existido uma linha do tempo, em que o seu aparecimento em cena tivesse uma maturação e depois uma semi-conclusão, mas não foi o que ocorreu. Outro exemplo são os filhos adotivos de Glenn, que poderiam ter rendido muito mais que apenas um episódio, ou alguns poucos caso levemos em conta o flerte de Jonah. E o que dizer dos pais de Amy que apareceram do nada e sumiram sem explicação? Pareceu algo muito improvisado, meio que surgiu a oportunidade da locação do cenário ou a agenda dos atores ficou livre naqueles dias e decidiram filmar tudo correndo. Muito estranho isso, confesso que dá até um tom meio amador à série, não sei, talvez esteja crítico demais.

Todavia, o casamento de Cheyenne no penúltimo episódio foi muito bem feito, surpreendentemente. Acho gostoso e esquisito assistir os personagens interagindo em locais fora da loja, como se eles não tivessem uma vida pessoal. Igual aquela sensação quando você é criança e vê a sua professora fora do horário de aula e percebe que ela é gente como a gente. Não sei se já passaram por algo assim antes, caso não me perdoe pelos meus devaneios pessoais e vamos falar da parte boa: Sandra e Dina! Sem brincadeira, America Ferrera que se cuide, pois as duas personagens estão incrivelmente boas por mais que Sandra nem faça parte do elenco principal. Ela brilhou neste segundo ano e Dina vem atraindo cada vez mais carisma e tom cômico, demarcando uma grande distância entre ela e os demais personagens medianos. Outros que também foram excelentes são o Jonah, Glenn, Murtle, Mateo e Cheyenne. E de quem estou ficando com medo? A própria America.

Superstore
Superstore

O quão importante é Amy para a série? Perguntem-se leitores. Claro, ela é relevante e a sua vida é a mais explorada por ser a protagonista, mas acredito que os personagens citados no parágrafo acima são mais interessantes que Amy. Pode ser por eles caírem em um estereotipo forçado (Sandra como a coitadinha, Mateo como egocêntrico, Dina como uma pessoa fria, Jonah como o politicamente correto) e Amy não ser um personagem cômico. Ela traz uma carga pesada em cena e parece estar sempre estressada. Não é uma caça as bruxas com a personagem, mas Betty Suarez faz uma falta enorme na Cloud 9.

Foi muito válido tentar trazer um pouco mais da vida fora da Cloud 9 de alguns personagens e acredito que todos temos curiosidade em saber mais sobre Dina, Jonah, Garret, Sandra, todavia tenho a impressão de que os roteiristas estão guardando essas histórias para o futuro, quando ficarem sem ideias (ou pode ser falta de orçamento agora mesmo). As joias da série estão nos próprios personagens e enquanto as mentes por trás de Superstore tiverem criatividade em continuar a criar storylines envolventes com eles, a série terá episódios de qualidade. Palmas para o flerte entre Jonah e Amy ter sido focado e dado um passo a frente. Acredito que Adam deve continuar pois ainda tem muitas histórias a serem contadas envolvendo-o assim como os demais romances que parecem estar surgindo, mas rezo pra que a série não se torne uma produção voltada para relacionamentos amorosos, afinal, já temos as produções de Shonda Rhymes pra isso.

No ranking, a primeira temporada continua no topo. A segunda teve uma queda de qualidade se comparada a anterior (como o episódio baseada nas Olimpíadas), mas no todo, foi satisfatória. E o que esperar da terceira? O que vocês acham?

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P.S.1: de onde surgiu a brincadeira com o crachá de Amy? Tem alguma razão por trás, perdi alguma coisa?

P.S.2: Bem morno o retorno de Cheyenne depois da gravidez. Poderiam ter feito algo especial;

P.S.3: Adoro as cutucadas que os roteiristas fazem com o corporativismo bilionário das empresas de varejo norte-americanas e a falta de direitos dos trabalhadores.

REVISÃO GERAL
Nota:
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superstore-season-2No ranking, a primeira temporada de Superstore continua no topo. A segunda teve uma queda de qualidade se comparada a anterior (como o episódio baseada nas Olimpíadas), mas no todo, foi satisfatória.