Polêmica, pessoal. Se houvesse um episódio de SPN capaz de gerar bastante polêmica, até hoje, seria Inherit the earth. Acompanhei algumas discussões – mesmo antes de assistir ao episódio com legenda – em grupos de facebook, telegram, youtube, twitter e muita gente soltou o verbo e não conseguiu se conter ao falar como foi sua experiência com o episódio. Primeiramente, houve choque, surpresa. Ninguém imaginava que a temporada iria se encerrar essa semana, de modo que coubesse ao episódio 20, apenas um epílogo. E depois, apreensão, expectativa. Pôr um desfecho numa série que já está há quinze anos no ar não é algo que acontecesse todo dia e como fãs, todos temos nossos anseios e projeções quando se trata de algo desse porte.

Já adiantando o meu aval, digo que não foi um desfecho tão bom, mas também não foi tão ruim. Não é novidade para ninguém que Supernatural há anos vem sofrendo um declínio em pontos de audiência e o próprio conteúdo, em especial dessas duas últimas temporadas, caiu bastante. Por esses motivos, já considero esse fechamento de arco como uma pequena vitória.

Inherit the earth teve uma dinâmica bem apressada. O episódio começou bem, mas merecia uma direção melhor – a do Robert Singer, já que, quer queira quer não, foi uma season finale. Digo, foi pertinente os irmãos, ao se darem conta da dimensão do problema, tentarem se render e o primeiro encontro com Chuck levou a problemática a um outro nível. Mas, depois disso, senti uma vibe meio apressada, como se tudo tivesse que ser concluído com pressa. Após a aparição de Miguel, tivemos o retorno de Lúcifer com a Ceifeira-Morte, a luta entre os arcanjos e aí já puxou o feitiço para invocar Chuck. Enfim, talvez se o episódio, por ser o “final da temporada” tivesse maior duração, teria ajudado, de modo a deixar o enredo mais fluido.

Um ponto interessante foi que Chuck, aos quarenta e cinco do segundo tempo, conseguiu tocar na ferida dos Winchesters como nunca. Salvar pessoas e caçar coisas sempre foi o combustível dos irmãos e ao expurgar todos os seres humanos da Terra fez meio com que eles perdessem a razão de viver e isso se mostrou um castigo bem pesado, se pararmos para analisar. Ponto para Chuck, que tornou o plot um pouco mais tenso.

Após isso, os irmãos ficaram sem rumo. Cogitei até uma eventual viagem até o Inferno e a participação de Rowena – não ficou tão claro se Céu e Inferno também sofreram esse purge – mas tivemos, o retorno de Miguel, que se “aliou” aos irmãos por não ter mais em que se fiar e Lúcifer, que apresentou uma proposta bem interessante, oferecendo uma nova Morte e com isso, a  possibilidade de leitura do livro que descreve o fim do Todo Poderoso.

Se o retorno de Lúcifer foi inapropriado na 12º temporada, agora foi mais ainda. Realmente, por essa eu não esperava e ainda mais num receptáculo que teoricamente foi incinerado por Jack. Bom, o que se pode dizer? Lúcifer não funciona bem na série se não for na pele do Mark Pellegrino e seu retorno, embora bem desnecessário a essa altura, reforçou muitos pontos sensíveis e interessantes em se tratando da mitologia da série, mais especificamente dessa temporada. No contexto todo, Chuck sempre funcionou como uma força do bem e Lúcifer, do mal. Mas, agora tudo mudou. Lúcifer “fez parte” da equipe na 13º temporada, para que um adversário em comum fosse combatido, Miguel pela primeira vez desobedeceu às ordens de seu pai, o próprio Chuck se revoltou contra a humanidade – o mesmo motivo pelo qual Lúcifer se tornou um anjo caído e agora, ver todas essas perspectivas sendo postas na mesa e Lúcifer, tendo enfim razão sobre Chuck e apresentando tudo isso com o brilhantismo que o Mark Pellegrino traz às cenas, foi algo bem peculiar e que rendeu alguns pontos a essa finale e outra, já chegamos até aqui, engolimos isso tantas vezes, por que não mais uma vez, certo?

Agora quanto à história de Deus ter entrado no Vazio e ter resgatado Lúcifer, para mim soou bem impertinente. A essa altura, como Chuck poderia ter acesso ao Vazio sem a interferência da Entidade? E por sinal, a ausência dela nesse desfecho também feriu um pouco as minhas expectativas. Ficou parecendo que sua participação em todo esse contexto se resumia única e exclusivamente a tirar Castiel da jogada. Ah, claro e também, ser usada como pretexto por Lúcifer em mais um retorno seu. Acho que o Vazio finalmente fez jus ao silêncio que tanto queria.

Outra falha grosseira para mim foi a facilidade com que Lúcifer se livrou da Morte. Algo bem diferente foi visto na 5º temporada, em que o próprio arcanjo temia a presença desse Cavaleiro e até certo esforço foi depositado para que ambos se aliassem. Não entendo como SPN fez isso, quando poderiam ter bolado alguma outra estratégia – ainda que forçada, como Lúcifer ceifá-la por trás enquanto a própria lia o livro – ou qualquer outro meio que não fosse tão descabido e que não soasse tão contraditório. Vai ver que por terem tratado a Morte como uma coadjuvante de quinta, pensaram que ninguém notaria.

Senti falta de uma reação concreta de Jack à volta do pai. Nem pareceu que eram pai e filho, na verdade, ainda que a ligação entre eles não fosse tão forte. Senti falta desse traço de interação entre eles dois, mas por outro lado, após a finale da 5º temporada, temos Miguel estabelecendo contato com Lúcifer mais uma vez, o que tornou aquele encontro no bunker, de certa forma viável para o andamento do plot e para uma das sacadas que fez com que os Winchesters tivessem sucesso na hora H. Além de também, ser no mínimo legal, ver enfim, Lúcifer morrendo pelas mãos do irmão. Bem, existia uma promessa de que quando os dois se enfrentassem, aconteceria um apocalipse, mas Lúcifer morreu e nada aconteceu. Vai entender.

Após a realização do feitiço que trouxe Chuck de volta às cenas, descobrimos que ele próprio manipulou os Winchesters ao deixar que Miguel se aproximasse, mas melhor ainda foi saber que os irmãos nunca confiaram cegamente em Miguel. O desfecho em si pode não ter agradado a maioria, mas o roteiro ao menos foi coeso nesse e em alguns outros pontos, como por exemplo, mesmo com o livro da Morte aberto, a série foi relutante com a condição de que apenas a Morte poderia lê-lo. Até estranhei quando Dean veio com a fanfic de que Sam estava trabalhando em uma suposta tradução e já estava aqui com o dedo no teclado pronto para listar isso como mais um ponto negativo, mas depois tudo foi explicado. Mesmo aberto, o conteúdo do livro não poderia ser lido. A minha expectativa era de que o próprio Chuck soubesse disso quando enviou Lúcifer ou que Miguel se atentasse para as mentiras dos irmãos, já que teoricamente ele é um ser semi-onisciente. Mas, seriam detalhes muito específicos para serem tratados num plot que já estava marcado para finalizar essa semana.

E com relação à forma como as coisas se desenrolaram em “Inherit the earth”, creio que vocês, assim como eu, esperavam mais. Tudo vinha se desenrolando numa crescente com Unity e Despair, de modo que todo mundo tava se preparando para algo mais elaborado. Refletindo um pouco aqui, consegui chegar a algumas conclusões. Menos mal que não escolheram ir em frente com o plano mais óbvio e incoerente, que seria Jack se fortalecer a ponto de ficar mais forte que Chuck e com isso, vencê-lo. Diante disso, o roteiro engrenou por uma linha mais simplista, mesmo apresentando um desfecho morno. Uma situação que aparentemente seria indissolúvel foi resolvida rápida e fácil demais, porém não deixou de ser válido a fuga do óbvio ao ver que a solução se baseou mais em enganar Chuck ao invés de simplesmente o matar.

Em suma, tudo o que SPN fez nessa finale foi simplesmente jogar com as peças que tinha – a essa altura, não restavam muitas – diante de uma situação que previa um leque com pouquíssimas soluções para um desfecho factível. Queria sim ter visto muitas coisas legais acontecendo, talvez uma participação de Rowena ou da sister Jo, mas o que se pode fazer? Unity e Despair já haviam preparado a cama, Inherit in Earth apenas nos forçou a deitar nela e aceitar um destino que já estava traçado. Com a baixa dos personagens recorrentes e a do próprio Castiel no último cliffhanger, não tinha muito mais o que se contar, inclusive, foi ótimo que esse 15×19 tenha encerrado de uma vez esse ciclo. Se tivessem enrolado mais um episódio para que no fim, chegassem a um desenredo desses, eu iria ficar mais chateado ainda.

Um outro ponto curioso é que, mesmo com a ordem sendo restabelecida, os Winchesters não pediram a Jack para trazer Castiel de volta e nem mencionaram o personagem. O que vocês acharam disso? Enxerguei isso mais como um ponto positivo do que negativo. Um circo todo foi montado nessa partida de Castiel, que vem sendo esperada pelo público desde a temporada passada. Um diálogo – que mais pareceu com uma declaração  e inclusive, gerou muitos burburinhos nas redes sociais – que em tese teve uma carga dramática considerável não poderia ser passado para trás. Claro, não vamos esquecer que SPN é mestre nesse tipo de coisa, mas menos mal que não fraquejaram nesse ponto também. Ou seja, a série atacou seu ponto nostálgico mais interessante ao fazer com que os irmãos voltassem à estaca zero se concentrando em caçar monstros e adorei a última cena com os flashbacks dos personagens que marcaram a história de SPN e os irmãos dirigindo.

Já soube por aí que o episódio 20, intitulado por “Carry on” será um especial de duas horas. Não sabemos ainda qual será o formato específico deste último. A promo foi bem superficial e pelo menos até o momento, não há fotos promocionais. Mas creio que terá o depoimento de vários dos atores que formaram o show nos últimos anos e talvez, uma caçada de despedida para os irmãos Winchester. O que vocês acharam? Encontro vocês aqui semana que vem para a última review de Supernatural!

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorAmarElo – É Tudo Pra Ontem, documentário de Emicida pra Netflix ganha trailer. Confira!
Próximo artigoA Fazenda 12×08-09: Oitava e Nona Semanas
supernatural-15x19-inherit-the-earthUm fechamento de arco prematuro e apressado.