Seguindo com o gancho dado por Beat the devil, Exodus foi mais um ótimo episódio, expondo vários pontos que a série precisava nos mostrar e o melhor de tudo, assim como o anterior, este também soube criar suas próprias barreiras e fazer com que todos trabalhassem em equipe para contorná-las.

Já era de se esperar que Mary quisesse ficar no Universo Paralelo para ajudar o pessoal de lá. Enquanto que os filhos passaram a temporada inteira procurando pistas, recorrendo a soluções desesperadas para ter a mãe de volta, a mesma argumenta que não poderá voltar, pois sua presença é essencial para que o grupo sobreviva. Essa foi uma questão bem delicada e bacana a série chegar nesse ponto. Mesmo Dean se mostrando um pouco egoísta ao não compreender o ponto de vista de sua mãe, poxa… Os caras passaram mesmo por maus bocados para poder salvá-la, portanto, ouví-la dizer que nada daquilo valeu a pena soa sim como uma idiotice. Mesmo assim, é necessário admitir que largar a causa e ir embora com os filhos não é algo que combina com Mary. Logo, esse foi um tópico pertinente.

Sam mais uma vez teve uma ótima sacada: Levar todo o grupo de humanos que residiam ali para o outro mundo. Perfeito! Assim, fez com que o episódio tivesse uma meta a cumprir, chegar no portal e destacar mais uma das limitações que o grupo tinha: O tempo. Foi a maneira ideal de resolver tudo de forma satisfatória. Sendo assim, Exodus mostrou que não havia espaço para o drama e deu preferência ao que de fato importava. A própria edição de cenas nessa parte também foi bacana, permutando cenas entre as discussões familiares entre os Winchesters com as de Jack e Lúcifer, ambas consequências desses (re)encontros tão esperados.

Mesmo Jack tendo dado pouco as caras nesse segundo arco da temporada, é possível dizer que já o conhecemos bem. Portanto, vê-lo atordoado diante da chegada de seu pai e num momento bem delicado, foi bem convincente. Assim como Mary, Lúcifer também teve bons argumentos, principalmente levando em conta que para Jack, embora que ele soubesse que Lúcifer havia sim feito coisas ruins no passado, ele foi a pessoa que trouxe Sam de volta e provavelmente foi isso o que fez com que o garoto abrisse uma brecha para ele.

Lúcifer se fazendo de bonzinho e dando uma de cínico foi ótimo de se ver. Para nós, que há vários episódios o víamos sozinho e sem rumo, ter um contato com esse Lúcifer frio e calculista fez com que seu potencial de vilão e de diabo aumentasse nessa reta final. Também foi uma boa jogada omitir o fato de que estava com força total, fingir-se de vítima e no momento mais crítico, salvar o dia, como fez quando transformou os anjos de Miguel em poeira. Em contrapartida, Jack inicialmente ficou um pouco desconfiado sobre suas intenções, mas ao longo do episódio, foi se mostrando bem complacente e flexível frente às atitudes de seu pai, o que não é algo bom.

Outro ponto que a série prometia desde o retorno de Gabriel era nos dar mais amostras de sua interação com Lúcifer. Seria injusto tê-los de volta na mesma temporada e não fazê-los se encontrar para reviver o passado, certo? Por isso, eu gostei da atenção que o episódio deu aos dois. Mesmo estando mais fraco, Gabriel pondo Lúcifer contra a parede e lhe dizendo algumas verdades nos faz crer que a temporada com Asmodeus realmente o mudou muito. Antes o cara que mesmo com chances e motivos, tinha medo de enfrentar seus irmãos, em um episódio só mostrou que agora ele está forte o suficiente para não fugir mais de seus compromissos.

Quando falo que o episódio criou suas próprias dificuldades, refiro-me ao salvamento de Charlie e Ketch, que foi algo pendente desde o episódio 18 e que serviu bem a Exodus, que acabou por ter mais um problema a ser resolvido e com isso, mostrou-nos que o time Free Will trabalha muito bem como equipe. Boas sequências de luta foram mostradas, o que foi ótimo e outra versão de um personagem conhecido é mostrada no Universo Paralelo.

É perfeitamente possível entender porque o outro Castiel é mau. Se lá é um mundo em que os Winchesters nem nasceram, o serafim provavelmente continuou obedecendo cegamente às ordens do céu, como quando não fazia resistência aos atos de Uriel. Considero uma boa surpresa, pois ninguém imaginava que Misha Collins desempenharia o Castiel reverso e mesmo que a série não tenha deixado claro o motivo de o anjo ter precisado chegar lá e fugir de carro, ao invés de se teletransportar ou porque um de seus olhos parecia meio nublado, cego, foi ótimo conferir o ator num estilo mais nazista, torturador, com destaque para as roupas, o sotaque e o estilo de cabelo.

Mesmo a luta com os anjos tendo parecido uma vitória bem fácil, foi boa. Todos os membros sumariamente eliminados, sem qualquer chance de que fugissem e que se reportasse a Miguel. Mais uma vez, isso deu um tom mais ágil a tudo e, rapidamente, o roteiro se encarregou de soltar a única ponta que havia ficado.

Fiquei sem entender porque na volta, todos não passaram pelo túnel onde os vampiros atacavam Sam. Não era aquele o único caminho? Bom, se havia outra alternativa, ninguém comentou nada, o que soou como uma falha, ou o grupo realmente passou pelo túnel, mas nada foi mostrado. Fora isso, a trajetória do grupo até o portal foi válida. Questiono-me se o próprio Jack não poderia ter aberto outra fenda e ter levado todos.

À medida que todos iam passando pelo portal, fiquei me perguntando se SPN iria mesmo deixá-los ir embora sem tomar nada em troca. O pessoal foi entrando pela fenda e eu: “Será?”. Mas justo quando faltavam apenas Lúcifer, Gabriel, Sam e Dean, Miguel finalmente dá as caras. O próprio fato de ele não ter aparecido antes na base dos humanos é estranho. O cara não sabia onde eles estavam refugiados, mas o cara é quase onisciente. Ele também não sabia sobre a fenda, certo? E ainda assim apareceu do nada, pronto para impedir seus inimigos e quem sabe, pegar uma carona para o outro mundo.

Diferente da maioria das lutas envolvendo anjos na série, vemos Lúcifer lançar uma onda de raios e seu irmão mais velho retribuir esses golpes. Esse sim, seria o momento perfeito para Gabriel e os Winchesters escaparem e com isso, fechar o portal. Mas preferiram assistir a luta entre os dois e após Miguel se reerguer, Gabriel escolhe não fugir à luta e confronta o irmão em mais um rápido, porém satisfatório embate.

Gabriel deveria saber que não seria páreo para Miguel, pois não estava nem de longe com força total. Mesmo assim, o cara foi corajoso e para salvar Sam e Dean ou impedir que seu irmão maligno cruzasse a fenda, ele se sacrificou. Nitidamente, ele sabia que não havia condições de vencer Miguel, mas apenas de atrasá-lo, por isso foi uma boa forma de deixar a série (será mesmo?). Caso antes já estávamos conformados em perdê-lo de forma digna quando ele ajudou a impedir o apocalipse, agora estamos mais ainda. Agora que Gabriel está morto, as expectativas para que Lúcifer ou Miguel do Universo Alternativo morram nessa temporada diminuem, a menos que Jack de fato supere seus poderes e arranje uma forma de detê-los.

Definitivamente, o episódio desempenhou bem sua função na temporada e com ele, a maioria dos pontos anteriormente elencados aqui, inclusive a Batalha de Arcanjos foram resolvidos e dado isso, a chegada de Miguel no Universo 1.0 será o ponto alto da finale, que tem tudo para caprichar nesse último plot restante.

Observações:

  • As duas lâminas de Arcanjo nas mãos de Miguel? Pura falta de sorte!
  • Sam abraçando Charlie – Melhor cena!
  • Achei que poderiam ter dado um enfoque melhor ao reencontro entre Mary e Ketch. Talvez tratem disso na finale.
  • Ao término do episódio, Dean afirmou a Castiel que Sam havia “cuidado” de Lúcifer. Será que ele achou que Sam havia matado Lúcifer?
  • Agora que Ketch topou com Rowena novamente, provavelmente ela o ajudará a viver por mais tempo e isso talvez se torne um plot na próxima temporada, por isso uma suposta execução do britânico fica remanejado para o 14º ano.
REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorGrey’s Anatomy 14×24: All Of Me [Season Finale]
Próximo artigoThe Good Fight 2×12: Day 485
supernatural-13x22-exodusExodus foi mais um ótimo episódio, expondo vários pontos que a série precisava nos mostrar.