A CW faz história com a primeira origem live action de uma super-heroína transexual.

Desde sua escalação para a atual quarta temporada de Supergirl, Nia Nal tem estampado sites de notícias sobre cultura pop e outros gerais. Primeira personagem transexual de uma série de super-heróis, interpretada por uma atriz transexual, sua importância é imensurável. Em Blood Memory Supergirl decidiu explorar o capítulo de origem dessa personagem, de uma maneira delicada, sentimental e muito respeitosa. E enquanto a CW faz história com sua diversidade e política de inclusão, a série da Garota de Aço de consolida como uma das figuras mais relevantes dentro da cultura pop recente – e talvez dos próximos 10 anos.

Como todo episódio de origem o da Dreamer não desviou dos pontos principais e de rotina da história que conta o nascimento de uma figura heroica. Conhecemos sua origem, relutância, aprendemos mais do seu caráter e suas motivações, essencialmente boas, tudo através de uma aproximação com sua família e uma herança atrelada a palavra destino. Tire a Sonhadora do foco e você pode inserir o nome de qualquer heroína ou herói. Estamos falando a origem padrão. Neste ponto, não tenho do que reclamar, já que essa característica do capítulo confere a ela uma espécie de “aval” da abordagem purista de histórias em quadrinhos e como elas transportam o mito da jornada do herói por séculos.

Seguindo a necessidade da Kara de dar um tempo de National City, após Alex ter pedido a memória, assim como o fato dos voos para a cidade de Nia terem sido cancelados e sua propensão a dormir no volante, Kara se oferece para levar a protegida para Parthas, cidade em que Nia cresceu. E é em Parthas que Kara encontra uma sociedade quase utópica em que alienígenas e humanos convivem em paz, até que os filhos da liberdade encontram algumas pílulas de ódio que lhes confere poderes destrutivos.

Já havíamos conhecido Nia anteriormente, assim como seus poderes, por isso a constatação de que estaríamos acompanhando uma história de origem após 11 episódios, me pareceu adequada. Este era o momento perfeito para continuar expandindo a participação da Sonhadora, especialmente depois de participações menores, mas interessantes. Eu ficaria bem confortável com ela e o Brainy casualmente flertando por toda a temporada, mas também preciso da presença da minha mais nova heroína favorita, Nia Nal.

O mais importante aqui é que Nicole Maines, atriz que interpreta Nia, sempre foi ativista da causa transexual, o que definitivamente ajudou a impulsionar a história, mantendo-a humana e relacionável. Não existem deslizes, ao contrário, até mesmo o momento de confronto é válido e não insulta. Atrelar a história de Nia ao fato de que o gene do ‘sonho’ só é passado para uma filha, foi simplesmente especial. Contudo é quando Maeve se sente colocada contra a parede, após perceber que o dom que ela almejava foi passado para a irmã, é que as coisas tomam uma direção que poderia ter surtido altamente clichê, rasa e superficial. Na verdade, a parte mais superficial foi a morte da mãe, assim como o surgimento da população de aranhas venenosas que soou extremamente apressada.

No lado do conflito entre Maeve e Nia, o que vimos é que é possível que até mesmo a pessoa mais aberta termine não reagindo de maneira adequada quando confrontada. É muito fácil você ser totalmente progressista quando não existem confrontos e conflitos, e bem mais fácil notar discursos preconceituosos e conservadores quando a individualidade (ou a sua percepção) é colocada em risco. Maeve se sentiu traída pela irmã, que optou por não compartilhar o fato de que ela havia herdado as visões, criando uma situação de desconforto e invasão daquilo que ela julgava seu por direito. Sua reação foi a de questionar a feminilidade da irmã, mostrando um lado totalmente oposto aquele cultivado dentro de casa.

É um tema sensível, que felizmente a série optou por manter, ao invés de buscar uma solução rápida no fim do episódio. Com isso Supergirl fez a ponte entre o problema de Nia e Maeve, com o de Kara e Alex, agora que a diretora do DEO não se lembra da origem alienígena da irmã, perdendo vários outros pontos de conexão na relação entre ambas. Colocar Kara ao lado de Nia, ciente de sua identidade secreta, também é uma excelente forma de potencializar a presença da Sonhadora, não a excluindo e sem a necessidade de saídas apressadas.

Gostei bastante do fato da série não ter apagado completamente a presença dos Filhos da Liberdade, que parecia ser o caso após a entrada da trama da identidade da Supergirl, assim como o retorno da Filha Vermelha. É importante entender que mesmo com a participação diminuída de Ben Lockwood, sua presença deverá permanecer viva por um bom tempo, especialmente pela transformação do seu legado. O ódio deixa sementes e Supergirl compreende a necessidade de permanecer cortando essas ervas daninhas.

> SMALLVILLE, uma série que me MARCOU!

O caminho de Nia Nal como a super-heroína Sonhadora já foi traçado, com direito a roupa, máscara e herança (com perda de um dos pais, quer origem mais clássica?). Impulsionando a relevância de Supergirl enquanto série, o resultado desta quarta temporada tem sido incrivelmente satisfatório, até o momento. Ainda temos algumas histórias no plano de fundo, com a Filha Vermelha entrando em colapso e nos garantindo um momento bem Smallville com a criação das pílulas de raiva, a conexão com o americano (Lex Luthor, possivelmente), e as experiencias da Lena sendo investigadas. Inclusive a presença de um James manipulador, que engana a repórter e acoberta o crime da Lena, é o traço mais complexo de personalidade do personagem. Em suma, Supergirl está acertando muito bem com sua trama atual.

REVISÃO GERAL
Nota:
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supergirl-4x11-blood-memoryImpulsionando a relevância de Supergirl enquanto série, o resultado desta quarta temporada tem sido incrivelmente satisfatório.