Supergirl continua trilhando seu caminho político, com excelente resultado.

Adotar um tom mais político e de militância está fazendo da atual quarta temporada de Supergirl uma das melhores da série. Não mais centralizada na vida amorosa da Kara – ou de qualquer personagem, o roteiro finalmente conseguiu todo o espaço que precisava para criar excelentes momentos. E mesmo que Rather the Fallen Angel tenha terminado um pouco abarrotado, após ter dedicado um espaço para a história de James e Lena, enquanto continuava trabalhando a do Agente da Liberdade e Supergirl, Bunker Hill, dirigido por Kevin Smith, continuou o desenvolvimento satisfatório e apresentou uma espécie de agridoce conclusão para este arco de oito capítulos.

Rather the Fallen Angel, por mais estranho que possa parecer, é um episódio sobre o James e para o James, mas que não suga todo o ar da série, não como Children of Lost City na segunda temporada e boa parte da trama do Guardião na terceira fizeram. Tudo porque, felizmente, Supergirl tem novos personagens para “brincar” nesta temporada. Sendo Manchester Black o mais competente, até o momento – e falo isso com todo amor do mundo por Nia Nall.

Uma sequência um pouco mais sombria, o episódio também dedicou certo destaque para Lena e suas experiências. Foi um excelente momento para ver a personagem se aproximando do nome Luthor, enquanto se afastava completamente dele. Sim, ela está conduzindo uma experiência que pode (e deverá) terminar com um grande problema nas mãos, mas em nenhum momento o episódio deixou de lado sua humanidade. Este é um traço que a afasta bastante do irmão, que logo dará as caras na série. O problema é que o capítulo já estava bem cheio, com Supergirl e Manchester operando juntos, enquanto James tentava manter sua posição com os filhos da liberdade.

O foco, contudo, é inteiramente de Manchester. Dentro do conceito de heroísmo Manchester pode ser considerado tanto um anti-herói, quanto um vilão. Para Supergirl, porém, ele é um homem mau. A tortura, a enganação e a capacidade para o assassinato são elementos que não conversam bem com a temática de Supergirl enquanto heroína. Talvez em Arrow Manchester conseguisse um arco bem mais cinza, mas aqui na Terra 38 a violência que ele emprega é ruim. O problema é que em determinados pontos fica fácil compreender suas atitudes e até mesmo defende-las. Essa dicotomia está presente aqui no mundo real também. Várias pessoas, especialmente aquelas que já sofreram algum tipo de violência, defendem uma punição mais severa e por vezes violenta. Supergirl falhou um pouco em não explorar melhor esse assunto e a culpa foi inteiramente de um roteiro já cheio.

E apesar dos erros cometidos no episódio anterior, Bunker Hill é extremamente satisfatório em fechar várias amarras, apesar de ter lidado com Ben Lockwood com considerável pressa. A série já havia estipulado, desde o começo, que o grande vilão da temporada não era uma pessoa, apenas, mas o conceito do ódio e do medo operando dentro da vida de seres humanos comuns – como nós. É muito fácil manter um discurso pacifista quando a guerra não está a sua porta, difícil é você manter o seu discurso e militância quando você é o atingido. Essa foi a história de Ben.

Utilizando uma verdade que não canso de ler por aí, a arte realmente imita a vida. Um líder (mesmo o não político) que mantém um discurso de ódio e segregação, não pode esperar uma reação que não seja exatamente aquela que ele profere a todo momento. Quer seja um homem esfaqueado em um comício ou um com sua própria esposa refém de alguém que é fruto da violência que estes indivíduos defendem, é notável como o resultado na ficção ou na vida real, só pode ser um. Supergirl está em ótima forma e a mudança de produção fez um bem danado para a série. Muito mais do que apenas ter novas pessoas nos bastidores, temos também um conceito bem mais definido de heroísmo e luta contra o mal. A mensagem é bem clara e direta, sem espaços para questionamentos e derivações. Se você defende a violência contra pessoas (na série alienígenas) diferentes de você, talvez no fundo você apenas esteja alimentando a roda da violência com um novo tipo de medo, que consequentemente terminará impulsionando mais agressão.

Também fiquei feliz com o destaque dado a Nia. A personagem é muito boa e suas interações com o restante do elenco apenas enriquecem o conceito de humanidade que a produção tanto desdenhou no passado, ao centralizar tudo no DEO. Vê-la com o Brainy aprendendo a usar seus poderes, ou casualmente flertando, funciona muito bem para a dinâmica criada por Supergirl para seus personagens. Melhor ainda com suas cenas de ação, quando Nia usa seus sonhos proféticos para quebrar a corrente com a bala ou atingir Manchester com o gancho. Ela é uma personagem ótima de se torcer e muito necessária em uma série em que a protagonista beira a perfeição.

Minha única reclamação com o episódio, porém, está no próprio elemento que a série matou lentamente quando colocou Kara para viver mais no DEO do que no CatCo. Foram várias as vezes que Kara apareceu em seus trajes civis dentro da agência. Querer me vender que hoje a personagem ainda mantém sua identidade secreta intacta é pedir muito do telespectador. Contudo, ter a Supergirl fora do serviço ao país é exatamente o que precisávamos para realmente ter uma série da Supergirl e não uma mistura de Arrow com Flash, em que tudo gira ao redor de uma única locação e seus personagens raramente tem vida pessoal. Supergirl, assim como o Superman, não podem se afiliar a um país, já que a própria natureza dos seus poderes é algo muito maior e abrangente. Vê-la saindo do DEO é um alívio, especialmente se isso significa mais repórter e menos agente especial de capa.

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Sim, no final Lockwood foi preso, mas o fantasma do medo e do ódio continuam vivos. Supergirl pode ter vencido a luta, mas a guerra continua recebendo toda a munição que precisa para continuar viva. É um final bem muito bom para o vilão, que deverá voltar eventualmente – e precisa, já que Sam Witwer fez um excelente trabalho com o Agente Liberdade, mas que não me incomodarei se demorar algum tempo. A estrutura de dividir a série em vários arcos é excelente e ajudou bastante a manter um ótimo ritmo. Ainda temos a nossa Kara russa solta por aí e a ameaça a tecnologia que forçou Brainy a vir para o passado, então, se tudo demorar mais ou menos 8 episódios para se concluir e pudermos começar um novo arco, só terei motivos para comemorar.

REVISÃO GERAL
Nota:
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