Supergirl termina sua terceira temporada com a promessa de correção de sua trama.
Até a exibição deste último episódio e para ser totalmente honesto, até a conclusão dele, minha decisão era a de não retornar para a próxima temporada de Supergirl, pelo menos não escrevendo textos semanais para a série. Mas a verdade é que Battles Lost and Won fez um trabalho que eu não esperava da produção. Desde o retorno da série após o hiato e devido a problemas de bastidores, Supergirl passou por uma bem aparente reestruturação. Novos showrunners assumiram a produção, Jessica Queller e Robert Rovner, e muito da trama mudou, alguns pontos completamente, como foi o caso das outras duas destruidoras de mundos. Também tivemos a presença da cidade de Argo e a revelação de que a mãe da heroína, que nós acreditávamos estar morta, estava viva em uma porção do planeta Krypton, flutuando no espaço. Nada disso, porém, é parte do que vi no episódio como potencial para melhora.
Battles Lost and Won conseguiu mostrar que existiu a compreensão de que a série estava perdida, sem um foco definido e bem distante do que ela um dia já foi, lá nos primórdios do ano de estreia, na CBS. Exatamente por isso o último episódio esteve mais preocupado em acertar pontas, fechar arcos e preparar terreno do que com a finalização do arco da Régia. Sim, tivemos um pouco de ação aqui e ali, uma cena bem legal com a Supergirl e a Alura congelando uma onda gigante, mas o essencial do season finale esteve concentrado em um pedido de uma segunda chance. Não é à toa que terminamos o episódio com Kara e Alex sentadas no sofá, que há um bom tempo já não via as duas irmãs reunidas e comendo juntas, algo que era bem comum na primeira temporada e em parte da segunda, antes da chegada da Maggie.

E eu estou disposto a dar uma nova chance para a série, especialmente porque estas conclusões e potencial nova história realmente me deixaram com um pouco da esperança renovada. Mas, mesmo que o potencial tenha aparecido, ainda fica um pouco difícil defender o que foi feito com o arco da Sam. Não estou me referindo, porém, as saídas cientificas ou a decisão de ter a então experiência kryptoniana se tornando humana. Minha reclamação é principalmente para a saída fácil que o evento chocante, a morte de Mon-El, Alura e Sam, recebeu. Sim, voltar no tempo é uma jogada bem similar aquela do Superman, no filme de 1978, sem a necessidade de girar a Terra ao contrário, mas no final terminou soando mesmo como uma conclusão apressada, exatamente o padrão adota neste episódio inteiro e no pós hiato.
Outros pontos também precisam ser levantados quanto a conclusão deste episódio. O primeiro deles é a partida do Winn. Motivado pelo desejo do ator, Jeremy Jordan, de embarcar em uma “nova fase de sua vida”, a série decidiu enviar o personagem para o futuro, para ajudar a Legião em sua luta contra o “parente malvado” do Brainiac 5 – aquele que aparece em Krypton (série), mas não exatamente, se é que vocês me entendem. Dentro do que foi feito, um movimento que não é culpa da série, mas segue o desgaste do próprio ator, que já na Comic Con de 2017 veio se atrapalhando com os fãs da série, o desfecho foi agradável. Contudo, é preciso pontuar quão desconectada emocionalmente a Kara Zor-El está do restante dos personagens, um comportamento muito aparente nesta temporada.
Ao se despedir do Winn, Kara fala algumas palavras bonitas, mas quem chora é a Alex, que já se transformou em uma verdadeira manteiga derretida. Entretanto, este comportamento é condizente com a personalidade que a última filha de Krypton (nem dá mais para usar essa alcunha), apresentou desde o season première. Abrimos a temporada com a Supergirl falando que ela preferia ser a Supergirl, já que a Kara não estava em um estado de espírito feliz. E a série realmente seguiu esta abordagem, a distanciando emocionalmente de todo mundo, incluindo sua irmã Alex, seu melhor amigo Winn e seu “pai” postiço J’onn – já que o pai adotivo Jeremiah foi completamente esquecido no churrasco do Cadmus.

Exatamente por ter separado sua protagonista de sua base que a série esbarrou em outro problema bem grande, Mon-El. Uma adição que não precisava existir na temporada, mas que pelo menos nos apresentou a Legião, Mon-El agiu como uma espécie de âncora sentimental para Kara, o que não deveria ter acontecido em hipótese nenhuma, já que eles não chegaram a desenvolver um romance – por motivos de homem casado – e tão pouco abordaram uma amizade que justificasse Kara abandonar o planeta e levar ele como acompanhante, assim como a dependência emocional dela e a falta de uma relação mais humana para a heroína. Felizmente Mon-El se despediu, encerrando uma trajetória que não fez nenhum bem para a Supergirl. Sem ele, a série fez exatamente o que sempre foi muito boa, abraçou o relacionamento de companheirismo entre as irmãs, fechando o arco de ambas no sofá, dividindo uma pizza.
Supergirl também mudou o status quo de outros três personagens. J’onn decidiu abraçar a visão de mundo do seu pai, abdicando do controle do DEO e deixou Alex como a diretora, uma função que a permitirá perseguir o desejo de ser mãe sem precisar se arriscar tanto no campo. E por último a revelação de James como o Guardião para o restante do mundo aka National City. Bom, estes três desfechos foram interessantes e guardam promessas para a próxima temporada, o que por si só é muito bom. Não que James e seu Guardião sejam interessantes o bastante, mas pelo menos sem ele na CatCo a abordagem para o ambiente deverá mudar – felizmente anunciaram o retorno do ambiente jornalístico, caso contrário eu iria declarar o fim da empresa de mídia com a “saída do armário” do rapaz Olsen. Mas, o que deverá chacoalhar bem o próximo ano é a presença de uma Supergirl “paralela”, oferecendo não apenas uma abordagem já vista na HQ do Superman, ‘Red Son’, mas também a chance de termos, finalmente, a Poderosa. De qualquer forma, Supergirl conseguiu demonstrar um desejo de se reorganizar e sem alguns personagens e com a promessa de retorno as origens de outros, eu acredito que a série conseguirá.
Easter eggs e outras informações
– O movimento de voltar no tempo para resgatar a vida de seus companheiros não é nenhuma novidade para quem acompanha a família Super. Em Superman, o Filme de 1978, após a morte da Lois o Superman voou para a atmosfera e girou o planeta ao contrário até voltar no tempo. Aqui a Supergirl foi um pouco mais cientifica.
– Superman Red Son é uma HQ que conta a história de como seria o Superman se ele tivesse caído na Russia soviética ao invés dos Estados Unidos. Com a Kara aparecendo na Sibéria, é de se esperar uma espécie de adaptação deste arco.
– Para quem reclamou da ausência do Superman, ele estava em Madagascar salvando o mundo dos efeitos da terraformação criada pela Régia.
– O parente malvado do Brainiac é a mais conhecido pela versão verde do personagem, aquele tido como colecionador de mundos. Em algumas versões apontado como uma inteligência artificial criada em Krypton, Brainiac é, na Era Moderna, um cientista Coluano.
– Quanto a nova versão da Supergirl, ainda fica pendente saber se aquele é um “clone” criado pelo Harun-El, ou uma criação da interferência com a viagem no tempo.
– Nada impede, porém, que essa nova versão termine adotando a alcunha de “Power Girl”, a Poderosa.
– Além de temporadas decepcionantes, Supergirl já tem mais uma característica similar a do Flash, ambos não têm medo nenhum de estragar a linha do tempo.
– Seria interessante termos o retorno da Indigo, já que a ameaça da próxima temporada envolverá a presença de inteligências artificiais.
> 13 REASONS WHY: Temporada 3, precisa? (Um papo sincero)!
– Inclusive, a declaração de que o Brainy não poderá voltar para o futuro por causa do banimento de qualquer IA, que não seja o “parente malvado”, faz com que a origem do personagem fique um pouco confusa. Ele é uma IA ou um Coluano? Nos quadrinhos Indigo é conhecida como Brainiac 8, enquanto o Brainy é o 5.















