Supergirl apresenta sua Trindade maligna em Trinity.
Para qualquer fã da DC existe apenas uma conexão óbvia quando o nome Trindade é invocado, Superman, Batman e Mulher Maravilha. Para Supergirl, porém, trindade significa a união das três piores inimigas que a heroína já encontrou, Régia, Pureza e Pestilência. Com um episódio que parecia estar tomando as decisões enquanto acontecia, a desorganização surgiu com a proposta de colocar a série novamente nos trilhos. Mas Supergirl estava assim tão perdida em seu terceiro ano?
O movimento de matar duas destruidoras, uma após sua introdução no episódio anterior, é estranha. Parece uma jogada feita após a saída de Andrew Kreisberg, para ajustar a trama em algo mais centralizado em Régia, mas que soa extremamente apressado. Considerando que todo o longo prazo da temporada girou ao redor da união das três Destruidoras de Mundos, uma delas incluída no episódio anterior e outra sem qualquer peso após seu momento de destaque, perder ambas em Trinity não pareceu uma jogada inteligente, especialmente porque agora todo o tempo será dedicado a uma vilã que só funciona quando está totalmente separada de seu lado humano, e mesmo assim, sem qualquer complexidade além do mote da programação e do holograma que mais parece uma assombração.
A promessa de criar uma vilã como nenhuma outra, com aprofundamento e algo melhor desenvolvido que os antagonistas anteriores, foi falha. Sam é uma personagem que já está cansativa, mesmo dividindo sua personalidade com a máquina quase mortífera conhecida como Régia. A verdade é que temos uma “humana” sem muito apelo, além da eventual choradeira e uma antagonista que segue uma missão bem linear. Diferente do que propôs, Supergirl não conseguiu entregar em nenhuma instância a complexidade que havia prometido. O que temos, porém, é uma divisão básica e simples que deixa Sam, por vezes, irritante e Régia sem qualquer aprofundamento e tonalidade.
Trinity também ofereceu uma proposta bem estranha para seu episódio, fora da esfera das Destruidoras. Considerar que a consciência das hospedeiras humanas estava sendo enviada para uma dimensão sombria, que permite visitas, soa novamente como uma decisão criada para resolver problemas – e tirando o que existia nos bastidores, a série não parecia estar passando por esta maré de negatividade que forçou a mão dos novos produtores para um hiato gigantesco e uma mudança de trama tão relapsa. Deixe de lado a ciência e a abordagem deste episódio soou extremamente apressada, sem muita justificativa e que reforçou a ideia de uma narrativa desorganizada. Terminaremos tudo através de um viés religioso? Ao que tudo indica sim, já que seria a única explicação para a apresentação do Vale da Sombra e da Morte. É problemático? De forma alguma, mas precisaremos de uma boa pintura antes de consumir este John Martin. Só não temos tanto tempo.

Também tivemos o embate ético entre Supergirl e Lena Luthor, o melhor momento dentro do capítulo que deveria estar centralizado nas Destruidoras, mas que encontrou sua força na dinâmica entre aliados. Lena, criada dentro do núcleo cinza dos Luthor, conduziu diversos testes em Sam, da única maneira que uma Luthor consideraria, usando a violência e técnicas bem similares a tortura. Não por maldade ou possível chance de transformação em uma vilã, mas por realmente só conhecer aquela abordagem para a situação em que a amiga estava envolvida. E eu acredito que em nenhum momento Supergirl tentou passar a impressão de uma possível queda da personagem. Existe, obviamente, a questão da kryptonita sintética, algo que havia sido criado por Maxwell Lord na primeira temporada (lembra dele?). Esta é uma oportunidade para futuro confronto e para a introdução de um elemento capaz de ferir a heroína e que havia sido descartado no começo da segunda temporada.
O que realmente valeu foi o pequeno confronto de ideologia entre nossa protagonista, baseada no conceito de força através da união, e Lena Luthor, que aprendeu que só conseguiria seguir um bom caminho se optasse pelo isolamento – de sua família. É por causa delas que conseguimos um diálogo que serve, basicamente, para mostrar que talvez Lena não esteja tão ignorante ao fato de Kara ser Supergirl. Existe uma confiança que segue apenas um caminho, com a Supergirl optando por esquecer dos segredos que guarda da amiga, ao julgar que a imagem da salvadora é mais importante que o laço de amizade que a guia. Neste aspecto encontramos uma barreira para Kara e Lena, mas novamente, acredito que não seria o motivo para uma cisão entre ambas.
Claro que o episódio também tem ótimas batidas, como Alex finalmente ganhando um uniforme e arma especial – com direito a arma bumerangue (quem é Capitão América com seu escudo?) e Lena interagindo com a Legião, Brainiac em específico, mostrando que o alienígena não é humilhado apenas por Winn. A tortura psicológica de Sam no Vale de Juru também conseguiu criar uma excelente maneira de explicar a dor sofrida por aquela mulher no seu exilio forçado. Contudo, apesar de ter entregado ótimos momentos, Trinity ainda terminou assombrado por suas decisões rápidas. Ainda temos uma boa quantidade de episódios até a conclusão da temporada e acredito que a mesa irá virar novamente antes do fim. Resta saber se de maneira competente.















