Supergirl introduz sua terceira destruidora de mundos em Of Two Minds.
Até o momento a terceira temporada de Supergirl tem sido bem superior a suas antecessoras, especialmente quando consideramos o desenvolvimento da vilã do ano. Reign e as outras destruidoras de mundo conseguem, sem muito esforço, um desempenho superior ao de Astra e Nom, na primeira temporada, e Cadmus e a invasão Daxamite, na segunda. Contudo, este terceiro ano permanece incrivelmente instável quando não está desenvolvendo suas vilãs e mesmo quando decide coloca-las no holofote, melhorando a qualidade, ainda existem inconsistências que não ajudam na hora de considerar a trama como um todo.
Neste décimo sexto episódio a série tratou da introdução de Pestilência, a última destruidora de mundos e a única com compasso moral destoante de Reign e Pureza. Só que para manter sua premissa centralizada e não terminar com mais do que consegue mastigar, a série ofereceu respostas rápidas e saídas fáceis, além de um desenvolvimento deficiente para o confronto de ideais de Imra e Supergirl. O resultado, contudo, foi bem superior aos dois episódios anteriores, mas ainda sem o apelo emocional explorado anteriormente – especialmente nos capítulos em que a Reign literalmente reinou em National City.
Eu não sei exatamente quando Supergirl começou a produção de novos episódios após a saída de Andrew Kreisberg do seu papel de produtor executivo, mas talvez a mudança na aparência do Brainiac e a adoção de um look humano seja o indicador de que as críticas foram ouvidas. A verdade é que a Legião não tinha apenas este problema para lidar, apesar de ser, visualmente, o mais limitador. Imra, introduzida sem grande avanço, recebeu parte do episódio para lidar com a ameaça de Pestilência – que no futuro se tornará a Praga. A relação, que poderia ter oferecido muito, já que Imra se aproximou bem da situação de nossa protagonista, com a irmã morta devido a ação da destruidora de mundos no futuro, termina não desenvolvendo um diálogo interessante durante todo o capítulo.
Não existe nenhum aprofundamento da temática, que só esboça presença no final do episódio, quando Imra finalmente confessa seu motivo para ter planejado a morte da Pestilência. Acontece que ela perdeu a irmã e viu na oportunidade a chance de reavê-la, algo que conversaria intimamente com nossa heroína, afinal o relacionamento entre ela e Alex é a força motriz de Supergirl. Ao contrário do esperado, porém, Of Two Minds nem ao menos conseguiu trazer alguém para concordar com a Imra, deixando a personagem desprotegida e de certa forma bem irritante. Agindo como uma vilã contra os interesses de Supergirl e sua equipe, além de coloca-la na função da esposa que engana e mente, a produção continua operando uma espécie de culpa acumulada que poderá terminar com a partida da personagem, deixando o “espaço livre” para que Mon-El fique no presente. E essa ideia me desespera.

E após um episódio inteiro fazendo testes com Sam, Lena finalmente conseguiu oferecer mais luz a respeito da transformação dela em Reign. Algumas explicações soaram extremamente forçadas, principalmente quando considero a quantidade de evidências que Lena foi capaz de analisar naquele ambiente, sozinha. Sim, a Luthor é muito inteligente, mas o conceito de que Sam está sendo transportada para outra dimensão enquanto está desacordada e com Reign no comando é um alongamento que demanda muita fé no roteiro da série. Felizmente já tiramos este coelho da cartola, com Supergirl descobrindo a identidade da inimiga e possivelmente criando certa fricção entre ela e a amiga Luthor. O problema é que Lena é tão inteligente, que aceitar que a personagem não tenha conhecimento da identidade da Supergirl é não seguir o padrão desenvolvido até agora. Contudo, vejo em Lena Luthor o que a série gostaria de ter feito com Cat Grant, caso Calista Flockhart não tivesse decidido não continuar na produção após a mudança no local das filmagens. Ou seja, acredito que no final Lena terminará revelando que sabia da identidade da Supergirl desde o começo, algo que ajudaria muito a quebrar qualquer tensão entre elas.
A introdução da terceira destruidora de mundos, porém, foi satisfatória. Pestilência foi a primeira que realmente operou como vilã em dois fronts. Ela não está meramente sendo controlada, mas conseguiu convergir ambas as personalidades em uma só. A médica que abusa de seus poderes para tirar vidas, indo contra seu juramento, apresenta a única vilã do trio com uma motivação real. Por enquanto Reign e Pureza ainda não chegaram a este patamar. Criada para reinar e destruir é uma boa premissa, mas ainda demanda explicações mais elaboradas. O mesmo vale para Pureza, que por enquanto não ganhou nada para trabalhar sua personalidade.
> LA CASA DE PAPEL PARTE 3, O que vai acontecer?
Supergirl está se recuperando de um período muito complicado para sua produção e equipe, por isso compreendo um pouco da relutância e dos episódios com pouca conexão sentimental e coesão. Enquanto organiza a casa, porém, a série precisará se lembrar do potencial que tem nas mãos. Kara fala do seu emprego como se ele ainda existisse, também lida com sua identidade secreta sem tanta preocupação – andando vestida como Kara no DEO como se fosse a casa dela (lembra da casa da Kara?). Se na CBS a Supergirl mostrou como trabalhar a identidade de Kara Danvers, a CW veio para trabalhar a da Supergirl. O que falta agora é a coesão entre ambas as temáticas. Será que precisaremos mudar para a NBC?
Easter eggs e outras informações
– Satúrnia, a Imra Ardeen, não tem nenhuma irmã nas histórias em quadrinhos. Lá ela é casada com o Rapaz Relâmpago e tem dois filhos.
– Jesse Rath sem aquela maquiagem horrível é um sopro de ar fresco. O personagem, porém, não parece ser o mais inteligente no cômodo. E isso não é bom para o Brainiac.
– A cena com o Winn chorando foi horrível. Pior que ela foi o Mehcad Brooks tentando entregar emoção para o James.
– Supergirl não matou a mãe do Mon-El quando autorizou a Lena a detonar a bomba de chumbo no Planeta? A vida de um, a vida de todos…
– A melhor forma de combater a Purity é trazer o Diaz de Arrow para a Terra 38. Aparentemente ele tem um poder que desabilita o grito sônico de qualquer mulher.















