Supergirl inicia o crossover da DC com Crisis on Earth-X, Part 1, um episódio que não é totalmente dela, mas completamente ótimo.
Para quem não é fã do Arrowverse e optou por não acompanhar nenhuma outra produção da DC CW, além de Supergirl, Crisis On Earth-X, Part 1 pode soar um pouco (muito) estranho. Entretanto, para o fã ávido que consome todos os produtos da casa e se empolga com Flash, Arrow e o time de Legends of Tomorrow, a decisão de fazer do episódio especial um evento em 4 partes e que já começa unindo todo mundo, a partir dos minutos iniciais, irá figurar como um acerto bem grande. A primeira parte, de quatro, exibidas em dois dias, começa aqui e as expectativas continuam bem altas após essa animada introdução.
Claro que o episódio não começa com total força e lentamente observamos a apresentação de cada time de personagens. Supergirl está lutando com um Dominador, com uma ótima menção ao crossover do ano passado, Invasion!, enquanto o Arqueiro Verde está lutando contra alguns ninjas (?), Flash contra o Rei Tubarão e as Lendas brincando de Robin Hood no passado, na floresta de Sherwood. São pequenas cenas, mas que agregam bastante a sensação de nostalgia, de um período em que estes personagens não precisavam se preocupar com o panorama geral de grandes vilões e futuros sombrios.
Na verdade, o grande acerto deste crossover é exatamente o desprezo do que anda colocando as produções da casa para baixo, a pressão. Existiu uma sensação de liberdade bem grande, para todos os personagens. Sim, ainda temos a noção de que Kara e Mon-El estão separados, apesar da breve aparição do daxamita. Também sabemos que Oliver está enfrentando problemas com a justiça e o FBI, assim como a tentativa de separação da matriz Nuclear de Jax e Martin Stein. São pequenos lembretes de que existe um mundo fora da união destes heróis, mas a pausa necessária para o casamento West-Allen é um alívio bem grande.
Em se tratando de um episódio de Supergirl, o oitavo episódio não foi bem centralizado em Supergirl, ou com tanto foco assim em personagens desta série. Tivemos Sara e Alex se conhecendo, de várias formas e Kara contando sua história para Barry, além de um momento bem cheio de ternura entre os dois, reforçando que super-heróis podem manter uma amizade sem qualquer necessidade de briga de ideais, ou algo do tipo. Para ser bem sucinto, da mesma maneira que o episódio foi com o núcleo de Supergirl, a melhor abordagem neste primeiro capítulo realmente esteve na maneira que Kara e Barry mantiveram uma conexão especial desde que se encontraram pela primeira vez, durante o ano de estreia de Supergirl.

A força deste primeiro capítulo não é, apenas, a luta no final do episódio, que com certeza foi uma das melhores sequências de ação com vários personagens que eu já vi no Arrowverse, e usualmente todas essas séries gostam de incluir, além dos heróis, diversos sidekicks em seu meio. Apesar de ter me deliciado com Supergirl lutando de vestido rosa de rendinha e usando o seu thunderclap para finalizar a Overgirl, a melhor parte do episódio com certeza veio das interações entre estes diversos personagens.
Sara e Alex com certeza figuram entre as favoritas para o prêmio de melhor pareamento desta primeira parte. Graças a um problema de agenda na temporada passada, apenas Melissa Benoist conseguiu “escapar” da produção de Supergirl para aparecer em Invasão! Agora, com um pouco mais de espaço para planejamento e discussão de valores contratuais, que expandiram a participação da dupla dos capítulos costumeiros de suas respectivas séries, para mais três, conseguimos um encontro que muitos estavam esperando desde que Alex (Chyler Leigh) revelou sua orientação sexual para a audiência de Supergirl. E o momento compensou totalmente.
Depois de uma trajetória bem instável com Maggie, indo da descoberta até o noivado e rompimento, Alex estava precisando de um pouco de espaço para realmente encontrar seu ponto de estabilidade. Obviamente o encontro entre ela e Sara terminou um pouco desajeitado depois, mas completamente compreensível. Sara é a segunda mulher que Alex já ficou, a primeira após o rompimento. Por estarmos tratando de um relacionamento que terminou por diferenças e não por falta de amor, ou traição, é fácil entender toda a confusão sentimental que Alex se encontra no final do episódio. Entretanto nem mesmo a maneira desajeitada que ela reage ao encontro com Sara na igreja consegue tirar quão poderosa foi a cena em que elas rasgam o vestido ao mesmo tempo para enfrentar os nazistas.
Outras interações que fizeram o episódio valer a pena foi a de Rory e Caitlin, após seu breve encontro com Nevasca, além dos pequenos momentos de “normalidade” que estes personagens enfrentaram antes da invasão dos nazistas. As mulheres na manicure, os rapazes trocando conselhos e experimentando ternos, com Barry se assustando com a beleza do Oliver, são pequenos momentos que compensam a união destes personagens, que viajaram de longe, outras cidades, dimensão e período, para um casamento e a celebração de amizade.
Crisis on Earth-X, Part 1 é exatamente o que eu espero de um crossover gigante com super-heróis, vilões e uma adaptação de história em quadrinhos. Cheio de sentimentos, a primeira parte do evento faz uso de clichês antigos, como por exemplo, o do casamento que não dá certo, para entregar interações ótimas, um grupo de vilões com muito a oferecer e uma verdadeira festa de elementos como ação, comédia e aventura. Apesar de ter funcionado como um conjunto de séries em um só, ao invés de um episódio de Supergirl propriamente dito, e entendendo as limitações de ter o restante do elenco da série em outra Terra, os traços existentes nesta primeira parte conseguiu compensar a espera pela Crise. Quando penso em um encontro de heroínas e heróis, se unindo para qualquer tipo de evento, quer seja um casamento, ou o embate com um time de doppelgangers nazistas, o que eu quero é diversão. E diversão é o aspecto mais forte aqui.
Easter eggs e outras informações em Crisis on Earth-X, Part 1:
– Enquanto está enfrentando o Dominador, em sua Terra, o time do DEO passa rapidamente pelas possíveis raças do alienígena que Supergirl está enfrentando. Entre eles, os Czarnians. Lobo é o último desta espécie e já teve uma breve menção na série antes, quando em Truth, Justice And the American Way, da primeira temporada, Alex comenta sobre o perigo de um caçador de recompensas cósmico e Kara e J’onn falam “ele”, com tom de desprezo.
– Por falar no Dominador, não acho que tenha sido uma mera coincidência um ter aparecido em National City ao mesmo tempo que Mon-El. Nos quadrinhos a Legião tem diversos embates com estes alienígenas e não é difícil imaginá-los perseguindo o time através do espaço (e tempo).
– Vale mencionar que a Terra-X tem o céu vermelho, em uma ótima conexão com as várias Crises da DC, usualmente anunciadas pelo evento. Para quem acompanha The Flash, ‘céu vermelho e crise’ são complementos que acompanham a produção desde seu episódio piloto.
– A armadura do Guardião (James Olsen) da Terra-X é mais próxima da versão usada pelo personagem na nona arte, com o elmo amarelo.
– Vocês também notaram a garota bem animada no casamento do Barry e da Iris? Bom, a atriz que se parece muito com Candice Patton (Iris), pode ser a filha do casal, saída direto do futuro, Dawn Allen, vinda do século 30 (o mesmo século da Legião, que atualmente está em Supergirl), ou XS. XS, Jenni Ognats, é uma velocista membro da Legião e neta de Barry Allen.
– O padre vaporizado já foi um super-herói conhecido como O Maior Herói Americano. A série foi ao ar pelo canal ABC, entre 1981 e 1983.
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– E para quem não percebeu, entre as menções a Homem Aranha e outros, a Marvel existe como ficção no universo destes personagens da DC.















