ORANGE IS THE NEW SUITS…
Sem medo de parecer contraditório e sem mais delongas, vamos lá. Este foi decerto o finale mais marcante (e mais emocionante) que Suits já entregou. Mas foi também o mais novelesco (para o bem e para o mal).
Sim, meu sentimento diante de 25th Hour é bastante ambivalente. Tivemos uma tensão que nos manteve em suspenso durante todo o tempo, mas se usarmos algo além do coração, concordaremos que esta tensão se baseou exclusivamente na manipulação de nossos sentimentos. Pior, sem que o resultado final justificasse essa “sofrência” toda, já que todos os plots que podiam conduzir a um resultado catastrófico o fizeram: a saber, a prisão de Mike, o seu casamento com Rachel e a situação da Pearson Specter Litt.
Eu acho que tudo se desencadearia melhor se houvesse menos preguiça do texto em encher linguiça com a mentira de Harvey a Mike (que deixou Mike alegre, depois confirmou o casamento, depois precisou ser desmentida e depois precisou cancelar o casamento). Percebem a sequência lógica repetitiva e que mantém não apenas a trama como também os personagens num automatismo linear e unidirecional? Pior! A previsibilidade desse artifício. Estava escrito nas estrelas que eles usariam esse artifício de fazer Mike aceitar um acordo, tendo o júri o inocentado. Aquela conversa com o jurado zeloso da Justiça norte-americana, a referência a 12 Angry Men (Doze Homens e Uma Sentença) – originalidade quase nula. Não sei se estaria eu exigindo demais do show – ou, ainda, exigindo algo que ele não se propõe a ser – mas todo esse “miolo” do episódio foi anticlimático e expôs um traço imperfeito da série quanto à falta de sutileza e unidimensionalidade de sua narrativa.
Como era líquido e certo, de fato, Mike tomou para si toda a culpa e responsabilidade, assumindo seu crime e garantindo um acordo que deixasse ilesa toda a sua “família”. Tal acordo garantiu ainda que Harvey não pudesse fazer um acordo diferente – ainda que até o apagar das luzes ele tenha tentado uma forma de anular o acordo feito com Gibbs.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Exceto para menina Rachel que – COM RAZÃO, registre-se – reclama que Mike tenha tomado sua decisão pelo acordo sem consultá-la. As idas e vindas e todas as agruras destes dois já passaram de qualquer razoabilidade. E aqui não cabe em absoluto execrar a personagem de Rachel – que recebeu um boost de maturidade dos roteiristas nesta leva de episódios. Em nome do que a situação vivida pelo seu amado, ela enfrentou tudo e todos: a ira da família, arriscar sua formação, abrir mão do casamento dos sonhos. Pode-se argumentar que Mike se sacrificou para que ela não fosse prejudicada por ficar presa a ela. Mas eu ainda acho que nesse processo, Mike não priorizou Rachel, colocando-a em plano secundário em relação ao seu bromance com Harvey. E isto é imperdoável – especialmente ao ver Meghan Markle gloriosamente linda naquele vestido, tendo seu coração partido. O plot do casamento foi aquele em que a tensão do finale mais funcionou para mim – acho que porque diferentemente da prisão de Mike que me parecia certa, no casamento, eu não supunha qual solução seria aplicada.
Quanto à firma, aí que não tem jeito mesmo. Jessica, Louis, Harvey e Donna (talvez Gretchen) agora são os únicos membros da nossa gloriosa firma. Uma avalanche de demissões causada por uma brecha aberta na cláusula de não concorrência
Avaliando em perspectiva esta temporada agora concluída, ainda que Suits seja bastante previsível em sua essência e estilo, a série ousou em dar um passo que se impunha, que não podia ocorrer de modo diferente. Não haveria outra saída que fosse satisfatória senão a justa condenação de Mike. Agora, o que temos de perspectiva para a sexta temporada?
Cheguei a pensar até na cretina possibilidade de fazerem um salto no tempo dois anos à frente (tempo de pena de Mike), mas essa possibilidade já foi negada pelo showrunner Aaron Korsh. Sim, teremos Mike na prisão, trocando os ternos pelo uniforme laranja. #orangeisthenewsuits #prisonsuitsbreak, Possivelmente, o que virá com isso será uma difícil adaptação de Mike ao ambiente, ao convívio com os prisioneiros e à autoridade dos guardas. Mas certamente seus talentos cognitivos não passarão despercebidos. Será que ele pode ser recrutado para algum acordo com o governo que reduza sua pena?
Já a firma terá que encontrar algum novo sócio para se fundir – duvido que este seja Robert Zane, apostaria mais em um novo personagem introduzido – e certamente brigar! Rachel possivelmente em algum momento exploda diante de Harvey e Jessica, a quem ela culpará pelo seu sofrimento. E Harvey irá ter um novo associado? Não se pode negar que o show tem muitas possibilidades e nos resta torcer que sejam feitas as melhores escolhas narrativas!
É isso, pessoal! Bom hiatus para vocês!













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