A justa hora de dizer adeus. Ou será “até breve”?

Se sua trama estava bem assentada e com poucas perspectivas de caminhos, Suits optou por virar o tabuleiro e re-embaralhar as peças. Para tanto, não fez estardalhaços narrativos. Escolheu um caminho mais intimista, centrando em flashbacks, procurando estabelecer relações de causa e efeito com a trajetória interior dos personagens.

Assim, descobrimos sobre como foi a reação do “pequeno Mike” à tragédia da morte dos pais. O jovem ator traduziu muito bem elementos já conhecidos da personalidade do Mike adulto: sua inteligência e sua rebeldia com as “autoridades”. Aparentemente, o trauma da morte acidental e repentina dos pais o fez perder sua fé em Deus. Na verdade, por mais importante que tenha sido no episódio a figura do padre, a temática religiosa não foi suficientemente explorada, de forma a fazer nexo.

Na verdade, já com o Mike adolescente, vimos que seu problema foi realmente a egotrip em que ele mergulhou (só uma autoestima mais baixa que a posição do Vasco na tabela para explicar aquele cabelinho pseudo-displicentemente jogado na testa!). Fato é que o flashback de Mike foi meramente informativo: nos informou/relembrou de seus dramas. Entretanto, os traumas de sua história não têm relação direta com sua fraude. Aqui o padre manda muito bem ao enfatizar que Mike fez uma escolha, pela qual deve se responsabilizar e lidar com as consequências que ela está causando: para si próprio e para a moça que ama.

Já a história de Harvey, ainda que menos central, foi executada de forma satisfatória e mais coerente. Após um dia dedicado à terapia, nós acompanhamos que a traição de Mama Specter perdurou até a adultez dos filhos e que Harvey lidou com o dilema de esconder/revelar esta traição a seu pai.

Aliás, foi bastante cute a conexão entre Donna e Drª. Paula. Apenas verdades. De fato, Donna seria uma excelente terapeuta. De fato, Harvey não sabe o que está perdendo! =)

Mas quanto ao episódio, de forma geral, não posso dizer que gostei nem que não gostei.

Evidentemente, forçaram a barra na criação de um tom emocional, exagerando na trilha sonora e em certos gestos (especialmente, entre Louis e Jessica). Porém, houve total coerência nos gestos de “sacrifício” que Harvey e Mike fizeram em prol da “família” (a atual e a futura, respectivamente).

O ataque de Hardman/Soloff se tornou mais perigoso, com a proposição deste último de uma votação para destituir Jessica. A (auto)demissão de Harvey, atendendo à chantagem de Forstman, é a coroação da transformação interior pela qual Harvey passou nas duas últimas temporadas (de forma mais explícita, na atual). Harvey abre mão da vitória a qualquer preço, entendendo que tem horas em que é fundamental reconhecer o fracasso.

Já Mike não havia como fugir. Foi muito bom que o roteiro não tenha feito Rachel colocá-lo na parede e sim construído sua demissão como uma escolha interior: Mike colocando fim à sua fraude.

É verdade que muitos fãs estavam insatisfeitos com o prolongamento da ocultação da fraude de Mike. Pois bem: acabou! Da forma mais “trágica” possível. Enquanto já estávamos preparando nossos lencinhos metafóricos na despedida de Mike do escritório, ele é levado preso. Enquanto cliffhanger, até que essa virada funciona muito bem,

Muito bem, quem fez a denúncia? É o mistério que vai nos acompanhar até o ano que vem, no retorno do hiatus. Façam suas apostas: Daniel Hardman? Claire? Trevor? Forstman? Alguém que foi derrotado por Mike, ficou mordido e decidiu vasculhar? E de que forma isso vai afetar a Pearson Specter Litt? Serão também responsabilizados? Quem fará a defesa de Mike? Ele ficará preso por quanto tempo? Vai a julgamento? Fará um acordo com o governo, emprestando seu talento mnemônico para a defensoria pública ou a inteligência da CIA?

A escalada de consequências possíveis é muito grande. Nossa expectativa é que eles sejam trabalhadas da forma menos megalomaníaca e mais coerente possível.

Até janeiro, guys! =)

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