Woof!

Não tem jeito: algumas séries ficam muito mais famosas pelos personagens secundários do que pelos principais. Talvez seja esse o caso de Stitchers (se chegar ao ponto de ficar famosa). Camille (Allison Scagliotti) faz os 41 minutos desse segundo episódio valerem a pena, sendo uma singela coadjuvante. Além de fazer parte do programa stitch (previsível), ela era roommate da Kirsten apenas para vigiá-la, relatar tudo que acontecia com a protagonista a seus superiores e dar um jeito de colocá-la no projeto (previsível). Muitas vezes nos apaixonamos por estes personagens, que são tão importantes quanto os principais na hora de estabelecer uma dinâmica nos diálogos – e também na própria história – fazendo com que o espectador crie um vínculo, a ponto de talvez desejar um spin-off apenas com aquela figura.

Kirsten e Cameron funcionam bem. Ele, nerd, charmoso e extrovertido, não decepciona. Ela é chata, mas a atriz se entrega e merece seu reconhecimento. Rola uma boa sintonia, uma leve química, mas não algo que nos faça perder o fôlego. PORÉM, ela cruza novamente o caminho do detetive Fisher, já que ambos trabalham no mesmo caso, e agora que ele sabe toda a verdade sobre o programa e integra, os fãs começaram meio que a shippá-lo com a Kirsten. Apesar de shippá-la bastante com o Cameron também! Teremos um triângulo amoroso? Dois personagens de personalidades totalmente distintas lutando pelo coração da mocinha. Clichê!

Sobre os cenários tanto do laboratório quando da rave improvisada: low budget. De fato, certos mínimos aspectos poderiam ser mais caprichados, a sala de stitch tem muita cara de ter ‘gato’ no sistema elétrico, a rave qual foram investigar o “caso da semana” era menor que meu quarto. Pensa naquela social que você faz com seus amigos. Então, fizeram algo menor que isso e tentaram me convencer que era baladão. Melhorem! Poderia ser mais bem trabalhado, sofisticado e natural.

Mesmo que o público alvo da série sejam adolescentes, não significa que a Kisrten deva ser sempre tão irresponsável e procurar solucioná-los por contra própria. Contra a vontade de sua chefe, ela foi atrás do traficante que matou a jovem na qual eles permeiam nas memórias na tentativa de desvendar o homicídio. Ela, nem os amigos, nunca treinaram para ser tão certeiros na função e resolver antes que o Fisher, que é detetive. Mesmo que o quarteto, Kirsten Camille, Cameron e Linus, tenham dado um fôlego na série agindo como ‘Os Quatro Espiões Demais’, o roteiro está gritando por sensatez.

Um dos comentários em minhas primeiras impressões sobre a série era sobre um incômodo em relação a como Kirsten absorve a memória do morto e vive suas lembranças em terceira pessoa. Faz sentido? Não, não faz. Se liga, tá feio, tá escroto. Faltou pesquisa (e muita). O roteiro é raso sim, mas a série é para puro entretenimento. Não é para ser levada a sério, além do que não apresenta nada revolucionário para a dramaturgia. É digna de Emmy? Nunca será. É uma grande decepção? Sigo aguardando pelo desenrolar. O episódio em questão melhorou em relação ao piloto, mas acho que ainda tem espaço pra crescer mais e mais.

Só pra não dizer que estou num mar de pessimismo com Stitchers: trilha sonora INCRÍVEL! Foi um ponto importante e que fez muita diferença.

P.S.: Aquela chefe bundona enrolou tanto a Kirsten, que as memórias do cadáver do Ed, seu pai de criação, passaram da validade. O que irá dificultar mais ainda a vida dela e a nossa na questão do envolvimento do pai com o projeto.

Um beijo pras travestchy!

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