4.8. 15. 16. 23. 42.

O propósito do episódio da semana, fechado sobre Hurley, é o de desvendar essa sequência numérica. Conseguiu? Não. Não por incompetência, pois tivemos mais 40 fantásticos minutos, mas por escolha. Lost não se propõe a responder pelos seus personagens (ou espectadores!), se propõe a fazê-los questionar.

Após vencer na loteria, Hurley se vê numa onda de má sorte. O seu avô morre, a casa que comprou para a sua mãe queima e ele é confundido com um traficante de drogas. Talvez até mesmo a queda do avião tenha sido sua culpa. Entre uma linha de exposição e outra, o roteiro é eficiente em espelhar o azar do personagem e a trama, que faz de Hurley o sobrevivente com o background mais interligado à ilha, é interessante.

Gostei bastante de ver Hurley quebrar o seu comportamento e ir atrás de Rousseau, convicto e destemido. Como já declarei diversas vezes, ainda estou longe de entender o porquê de tanto amor pelo personagem, mas não posso negar que a sua aventura foi, no mínimo, envolvente. Mais uma vez, repleta de deslizes, como o patético momento em que a ponte arrebenta, porém envolvente. Sayid, Charlie e Jack participaram como convidados especiais, e de alguma maneira, a série está diminuindo o iraquiano no meu rank de sobreviventes prediletos.

Correndo o risco de soar como perseguição à personagem, mas o núcleo composto por Claire e (sustentado por) Locke só existiu para dar utilidade à grávida. Não que não tenha sido bonito, pois a revelação de que estavam construindo o seu berço para o seu bebê serviu para engrandecer ainda mais a Locke, porém no fim do dia… o único personagem exaltado foi o próprio Locke. O velho, aliás, está começando a me preocupar seriamente, pois não quero vê-lo se transformar num mero fanservice caricaturado.

Por falar em caricaturas, Rousseau continua terrível. Se possuísse fé religiosa, estaria pedindo aos céus para que ela deixe de aparecer. Só a mencionei, inclusive, porque pensei que seria injusto não comentar a façanha de Hurley, que conseguiu com carisma algo que talvez nem o próprio Sawyer conseguisse com violência.

Caso a minha impressão inicial esteja correta, Numbers será importantíssimo na compreensão da futura mitologia de Lost. O que são os números? Por que eles estão na escotilha? De onde veio a transmissão que os difundiu? Estão mesmo amaldiçoados? Perguntas, perguntas, perguntas. É como sabemos se um episódio de Lost deixou ou não a desejar.

Enquanto isso, no indecrifável epílogo da mente… 

(?): Será que as conexões entre os sobreviventes continuarão sendo tão bem pensadas? Hurley é um dos proprietários da empresa em que Locke trabalhava, não é?

(.): Fiquei surpreso, pois não imaginava que Hurley não fosse americano. Agora sim temos uma ilha inteiramente diversa, com negros, asiáticos, iraquianos, latinos, australianos, etc. Curioso de se ver, não?

(!): A série já nos vinha dando pistas de que Hurley era um milionário com as suas ‘dívidas’ com Walt.

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