Criada em 1999 por Geoff Johns, e inspirada em sua irmã Courtney, que morreu em 1996, Stargirl aka Courtney Elizabeth Whitmore, é a mais nova heroína da DC a receber uma série para chamar de sua (e seus outros seis coadjuvantes, como é de praxe). Bem mais colorida e centralizada em uma cidade pequena ao melhor estilo anos 1950, Stargirl é praticamente uma fusão entre Supergirl e outra série da CW, Riverdale. É a mistura perfeita entre ensino médio e superpoderes, de uma maneira bem parecida com a de Tom Welling em Smallville. Inclusive, Geoff Johns esteve envolvido com a série em suas últimas temporadas, além de assinar como produtor em filmes como Aquaman e Mulher Maravilha 1984.

E aí fica fácil entender o motivo que levou Stargirl a ser exibida também na CW. Além de ter uma identidade muito mais próxima ao do Arrowverse, o serviço de streaming da DC, o DC Universe, não conseguiria se encostar no lado mais colorido com sua proposta de explorar, justamente, um ambiente mais diferente daquele apresentado por produções como Legends of Tomorrow, Supergirl e The Flash. Bem mais colorida e com um clima que evoca mais de Smallville do que de Titans, o encaixe de Courtney na emissora foi uma ótima ideia – além de mostrar que a força do DC Universe nunca chegou ao ponto que a Warner planejou, especialmente agora com o lançamento do HBO Max, que coloca todo mundo junto, em um multiverso interligado, mas não totalmente.

Conforme estabelecido no crossover da CW, Crise nas Infinitas Terras, Stargirl não está na mesma Terra de Titans, Doom Patrol, ou do Arrowverse. Localizada na Terra 2, Courtney vive em um mundo que conhece abertamente a existência e legado dos super-heróis, mas que não parece muito preocupado em trazer nomes e referências grandiosas o tempo todo. Logo na cena de abertura temos um vislumbre do passado, com a Liga da Injustiça invadindo o quartel general da Sociedade da Justiça e levando todos aqueles heróis a um fim bem desagradável (claro que alguns devem surgir eventualmente, mas por enquanto os trataremos como mortos).

E é muito interessante comparar Stargirl com Smallville, por exemplo, que não apenas tem Johns no comando, como também contou com a direção de Glen Winter, diretor de 7 episódios da série do jovem Clark Kent (incluindo a primeira parte de Absolute Justice, que contou com roteiro de Geoff Johns e mostrou vários heróis retratados em Stargirl). Se Smallville demorou muito para introduzir o conceito de super-heróis aos seus telespectadores, dezenove anos depois essa necessidade quase não existe mais. O nicho conquistado por produções baseadas em histórias em quadrinhos já está mais do que consolidado no mercado, com filmes faturando bilhões na bilheteria mundial e colocando personagens antes desconhecidos do grande público, em um patamar de lucro invejável. Logo, o roteiro de Johns é bem direto e entrega cor, fantasias e explosões antes de acalmar.

Entrando então no aspecto técnico, a primeira grande cena de ação, antes de conhecermos mais da protagonista e sua família, se mostrou muito satisfatória. Claro, não é uma grande cena ao estilo Vingadores Ultimato, mas estamos falando de televisão e para o que se propôs, ver o show pirotécnico na mansão da Sociedade da Justiça foi uma excelente forma de começar. Com esses heróis da Era de Ouro mortos, cabe ao sidekick Pat Dungan (Luke Wilson), encontrar o novo portador do cajado cósmico, uma missão dada pelo próprio Starman (Joel McHale de Community). Definido o objetivo, começa a imersão na vida da jovem Courtney.

Courtney Whitmore é uma adolescente americana típica, dos cachos dourados a aversão ao novo marido da mãe, a jovem já começa sua vida precisando mudar de cidade, longe de todos que conhece e sem a relação com o pai que tanto almejou. É um clichê básico que não acrescenta nada, mas também não machuca. Na verdade, o grande trunfo de Stargirl foi a escolha de Brec Bassinger como protagonista, que carrega um lado rebelde, mas consegue ser doce. A maneira que o roteiro trabalhou a relação de Courtney e sua mãe, o padrasto e as mudanças típicas da idade, aqui auxiliadas por um cajado cósmico com identidade própria, foi satisfatório e elevou bastante o piloto. Piloto esse que não segue bem a estrutura que já estamos familiarizados e decidiu ir com bastante calma, até mais do que eu queria.

Usualmente em séries de super-heróis é bem comum, até a conclusão do primeiro episódio, já termos tudo definido, pelo menos no núcleo central do protagonista. Stargirl, por outro lado, decidiu ir com mais lentidão e deixou o aspecto grandioso para os próximos episódios, afinal, a série já teve uma abertura cheia de adrenalina. Contudo, ao decidir focar exclusivamente em Courtney, não consegui muitos traços de como a história irá se desenvolver futuramente, tão pouco qual o papel dos coadjuvantes, que já deram as caras, mas não exalaram muita personalidade além da primeira e silenciosa impressão – tinha uma líder de torcida que me lembrou a Cordelia em Buffy, mas tirando isso, faltou mais um pouco do núcleo escolar além da insistente decisão de colocar quase todos os profissionais da escola como possíveis vilões e membros da Sociedade da Injustiça (o mesmo movimento em Riverdale de rotular 98% dos adultos como vilões).

Stargirl não começou como Supergirl, onde praticamente tudo já estava definido até o fim do primeiro episódio, contudo mostrou que, assim como a “irmã”, estará disposta a trabalhar temas mais maduros, como por exemplo a menina que estava sendo hostilizada por fotos nuas vazadas. A série é uma boa adição ao universo de super-heróis da telinha, mas precisará dedicar um tempo especial para realmente mostrar a que veio. Já temos um mercado bem lotado, então algumas coisas precisarão se distanciar do que já foi apresentado, caso contrário Stargirl corre o risco de cair no mesmo buraco que Titans, onde tudo parecia exatamente no lugar certo para funcionar, mas simplesmente não deixaram a produção solidificar sua identidade.

REVISÃO GERAL
Nota:
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stargirl-primeiras-impressoesStargirl não começou como Supergirl, onde praticamente tudo já estava definido até o fim do primeiro episódio, contudo mostrou que, assim como a “irmã”, estará disposta a trabalhar temas mais maduros, como por exemplo a menina que estava sendo hostilizada por fotos nuas vazadas.