Skinheads em Los Angeles.

Dos oito episódios exibidos até agora, acredito que Skin foi o que trouxe o roteiro mais distinto, deixando de seguir a fórmula que Stalker vinha apresentando. As primeiras cenas perderam um pouco do clima de terror tão presente até o episódio sete e mostraram que Stalker consegue sair da fórmula que o seriado criou para si mesmo e mostrar tramas diferentes. Vimos aqui um personagem masculino sendo vítima de um stalker também masculino e, além disso, podemos dizer que o primeiro suspeito foi o responsável pela perseguição apesar de no final das contas a pior atitude ter sido de um vizinho de Mark. Outra escolha fora dos parâmetros que estávamos vendo até agora, quando nunca o primeiro suspeito era o culpado.

Logo nas primeiras cenas do episódio ficava claro que a história seria diferente das que estávamos vendo até agora. A imagem do pacato e lúdico subúrbio americano é algo que sempre entramos em contato tanto em filmes quanto em seriados, como se a paz reinasse na vida de cada uma daquelas pessoas. O que rapidamente é provado mentira por inúmeros motivos diferentes e quando surgem aqueles dois motoqueiros fica claro que a aparente pacata vida de subúrbio seria então completamente perturbada. E, pelo olhar trocado com Mark já ficava claro que aqueles personagens não pertencentes à cena da festinha do bairro estavam ali atrás dele. Neste momento pensei em diversas possibilidades para esta tensão entre eles, mas não imaginei que o episódio iria colocar os skinheads em foco e gostei bastante da decisão do roteiro de tratar de um assunto como esse.

Quando o quintal da casa de Mark e sua família pega fogo e podemos observar o motivo de tal vandalismo me surpreendi. A palavra nazi escrita na parede de sua casa e as tatuagens características da juventude hitlerista traziam uma pessoa completamente diferente daquela que poderíamos imaginar de Mark e sua família no subúrbio americano. O choque estampado no rosto de seus vizinhos ao observar seu corpo repleto de tatuagens nazistas, seguido do olhar de constrangimento de Mark para si mesmo, deixaram claro que aquela figura não fazia parte da ilusão de vida perfeita daquelas pessoas. Exatamente por esse motivo, e também por terem focado em personagens de outra raça durante a entrevista dos policiais ao bairro, que não foi inesperado quando um deles se virou contra Mark.

Porém, apesar de boas cenas iniciais e um início de história muito interessante, achei que o episódio não aproveitou muito bem a oportunidade que havia criado. Toda a história de Mark com seu antigo aprendiz, Chad, que há pouco tempo havia saído da cadeia acabou ficando sem finalização válida. Só porque obviamente uma bomba era mais urgente para se investigar, o caso do stalker principal desaparece? Quando o episódio terminou fiquei com a sensação de que estava faltando alguma coisa na história, já que o motivo principal da investigação foi deixado de lado. Assim que a bomba explode e quase mata o filho de Mark e seu amigo, o episódio passou a buscar apenas a resolução para esse fato e não mais buscar uma forma de parar o stalker de Mark.

A última menção que tivemos de Mark e Chad foi feita por Wilkes para Amanda quando os dois estavam em casa. Entendo que o caso foi passado para a divisão de homicídios que já os investigava em primeiro lugar, porém, ainda assim fiquei imaginando se não poderia ter terminado de um jeito diferente, apesar de ter gostado da cena em que o vizinho de Mark o captura e corta todas as suas tatuagens. Simbolicamente esse final foi ótimo e muito válido, mas gostaria de ter visto um pouco mais de Chad e Mark, o que não vai acontecer.

Mas, não foi apenas nesta questão que o episódio deixou a desejar. Com um assunto tão interessante para tratar e Beth e Ben, dois dos principais personagens do seriado, que não fazem parte da ideia da “supremacia branca” hitlerista, Stalker poderia ter aprofundado mais o assunto, envolvendo a vida pessoal dos personagens desta forma. Sei que o roteiro trabalhou essa questão no personagem de Ben, mas não funcionou de maneira nenhuma. Mais uma vez ele apenas mostrou o quanto sua personalidade é infantil, ou seja, as mesmas atitudes que vimos dele com Jack. A única cena de Beth interrogando Chad e sua cara de repulsa com ele foi muito melhor do que os ataques de Ben.

Não só o roteiro escolheu não aprofundar essa questão falando mais da vida de Beth e Ben, como colocou Jack como o principal personagem a ter sua história abordada. O personagem ainda foi colocado para bater de frente com Wilkes durante a investigação. E aqui preciso dizer que o roteiro vem conseguindo trabalhar Jack muito melhor do que nos primeiros episódios. Sua arrogância e piadas infames e desnecessárias parecem estar sob controle e o personagem vem melhorando um pouco a cada episódio exibido. Desta vez ao bater de frente com Wilkes fiquei do lado de Jack, assim como Beth também ficou, e me surpreendi com isso, já que tinha uma certa implicância com o que o seriado vinha mostrando de sua personalidade. Espero que o personagem continue nessa lenta transformação e siga cada vez melhor no caminho em que já está.

Aliás, transformação, essa foi a palavra chave do episódio para ter colocado Jack no centro da trama e não Beth ou Ben. Jack foi aproximado de Mark o tempo todo, uma aproximação feita pelo próprio personagem que, como um mantra, dizia que acreditava que alguém realmente consegue mudar. Ao mesmo tempo em que tentava convencer os outros da mudança de Mark, Jack mostrava que estava tentando convencê-los de sua própria transformação, talvez tentando convencer a si mesmo. E o resultado deste episódio foi muito positivo para o personagem. Não só ele conseguiu conversar direito com Amanda, que agora parece aceitar sua presença e os dois vão tentar manter uma relação profissional, a maior conquista de Jack foi uma que nem mesmo sabe, mas que nós já sabemos: a conversa de Wilkes com Amanda.

A personagem finalmente admitiu para outra pessoa que Jack é o pai de seu filho e, mais importante do que isso, sabemos que a criança estava escutando a conversa dos dois, descobrindo que seu pai está por perto. Agora, o roteiro com certeza vai trabalhar uma trama do filho de Jack tentando encontrá-lo para que eles possam ter uma relação e Jack jamais conseguirá dizer que não, mesmo sabendo que essa decisão não partiu de Amanda e sim do próprio filho. Vamos ver agora se essa suposição realmente será o caminho escolhido pelo roteiro ou vamos ver uma inovação por parte de Kevin.

Porém, o episódio não terminou por aí e vimos ainda outra importante parte da história de Beth. Não vimos neste episódio nenhuma menção da personagem sobre o fato de alguém poder ter invadido a sua casa. Sei que isso não faz parte de sua personalidade e imagino que ela só falaria sobre isso com Tracy e, como esse episódio foi focado em Jack, provavelmente apenas no próximo que veremos mais sobre Beth e seu misterioso passado. Mas, acredito que Beth possa perceber que o ursinho é mais uma indicação de que alguém esteve em sua casa e mexeu em suas coisas. O ursinho foi utilizado como mais um símbolo do seu passado que, por mais que ela não queira, está sendo trazido à tona por Perry. Em poucos segundos vimos o desespero de Beth ao observar os dois bichinhos lado a lado e mal posso esperar para ver o que vai acontecer no próximo episódio.

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