
A morte é branca como a neve.
Spoilers Abaixo:
O cenário dos eventos geralmente é vermelho… Melhor, geralmente ele tem cores quentes. Varia do amarelo, para o laranja, para o vermelho… Nada é vivo, porém. Todas as cores são foscas, soam apodrecidas. O cenário nunca é limpo… Nunca é branco. Mas a fuga para as cordilheiras cobertas de neve contradizem essa máxima e situam a rebelião no espaço mais emblemático dessa narrativa. O jogo de gato e rato continua, e já contamina até os contornos antes protegidos.
Não dá pra entender um só episódio de Spartacus com adjetivos menores que “ótimo”. Ainda que o ritmo essa semana tenha repetido as tensões, isso é suprimido pela aula de estética subversiva que essa série dá. A tela abre com o título da semana dentro de um fundo branco, pela primeira vez. A neve límpida vai se tingindo de vermelho e um mar de corpos congelados e mutilados aparece para ocupar o layout. É extremamente chocante, mas é estranhamente belo também. Esse foi um dos episódios mais bem produzidos da série, principalmente no que diz respeito aos efeitos especiais.
Vale lembrar que essa repetição de tensões é correta. A rebelião, historicamente, foi um longo período de batalhas. Por várias vezes o grupo de Spartacus atacou e foi atacado. Isso foi resumido ao máximo no planejamento da série, e pelo que pudemos ver, a decisão foi a de situar realmente o programa na visão de Plutarco sobre o que aconteceu. A trincheira diminuiu muito o contingente do trácio, e foi preponderante para anunciar a decadência da rebelião.
Vocês devem ter percebido que o intuito da dramaturgia é apostar na troca de papeis constante entre Spartacus e Crassus, por isso, o episódio que representou mais um capítulo da separação entre Spartacus e Crixus, também representou o fortalecimento da relação entre Tiberius e o pai. De certa forma, a grande aliança do lado romano não é com Caesar, mas com esses laços de sangue. Eles que vão ser sempre mais importantes para Crassus, ao mesmo tempo em que embora não havendo laço de sangue, a relação entre Spartacus e Crixus se estremeça pelo desgaste e não pela traição.
Dois líderes, dois aliados, dois acampamentos. De lado romano, o frio é o estágio necessário para o enfraquecimento do inimigo, para o outro, o frio é a temperatura da condenação. Estranhamente, todos os rebeldes se negam à evidência de que não tem chances contra o aparato romano. Mesmo Crixus, que quer o embate, deseja isso por descontrole emocional pessoal, mas sem querer, adianta o destino certo de todos eles. O rigor do inverno também é o rigor da derrota iminente. Spartacus não tem nenhuma condição de administrar todos os seus seguidores, que agonizam no gelo, com fome, com sede, com medo… É claro que isso resultar em pânico, e em confronto.
Começamos a entender categoricamente, a razão pela qual Naevia Menos Feia e Mais Escrota foi mantida viva até aqui. Crixus é um animal, como bem dizia Lucretia, e suas ações e reações partem todas de seu coração e deu pênis. Crixus só conhece o ataque, nunca a defesa. E é claro que a única forma cabal de dar o start nessas reações, é a partir do sentimento dele por Naevia. Ela só resistiu até aqui por isso, exclusivamente pra isso, para perturbar e dividir Crixus. Ela foi seu bálsamo e será sua ruína, porque todos sabemos que as grandes histórias sobre amizade, terminam sempre amaldiçoadas por uma mulher.
Fica claro também, que Kore está aqui para servir ao mesmo propósito. Ela tentou aliciar Caesar, recuou na decisão de contar sobre o estupro, mas acabou mesmo se acovardando, e se juntando aos rebeldes. Pode parecer uma decisão extremada demais, mas será importante para manter a ponte entre os dois grupos, e para aumentar a expectativa do segredo com Tiberius, que obviamente que será revelado sob circunstâncias histéricas.
Por fim, a neve se pinta de vermelho de novo. Crassus se antecipou à Spartacus novamente, abrindo vantagem. Mas a humilhação fez o trácio começar a pensar como o inimigo, e com isso os rebeldes alcançaram uma nova e importante vitória. Com direito à cena incrível dos corpos servindo como uma ponte para o outro lado da trincheira (os vivos atravessam a fenda pisando nos seus mortos), e com direito ao olhar mordaz trocado entre os dois líderes.
De certa forma, estou meio perdido. Ainda faltam três episódios e por causa disso, acredito que a separação definitiva entre Spartacus e Crixus ainda vai acontecer. A batalha da trincheira era historicamente emblemática, mas as informações sobre a derradeira “última batalha” são muito desencontradas. Acho então que entramos no terreno categórico da liberdade poética. Três episódios, senhores… Os óbitos mais sofridos vão começar a acontecer.
Memórias de Lucretia: Caesar, sexualmente falando, o Gannicus romano.
Memórias de Lucretia 2: Gannicus, por outro lado, é imbatível. Nem no meio de uma tempestade de neve (O que devia significar o quê? Uns 20 graus negativos?) o homem deixa de “trabalhar”. Sibyl foi deflorada pelo pênis mais rápido do oeste.
Memórias de Lucretia 3: RIP Donar… E seu enorme “talento”.





















