Sleepy Hollow soube decepcionar em sua segunda temporada, mas me prendeu em seu penúltimo episódio.
Que Sleepy Hollow andou mal das pernas não é novidade para ninguém. Agora, que ela conseguiria com seu penúltimo episódio da temporada, me segurar e ficar totalmente interessante, isso nem mesmo eu consegui prever. A prova cabal de que a série não precisava de um flashback de cenas, mas de fórmula. Se lembrar de como ela era na primeira temporada foi um dos pontos mais altos, que marcou não o despertar da Katrina, ou das bruxas de Sleepy Hollow, mas dos redatores, que embarcaram em um sono pesado, fruto dos nossos pesadelos.
Entretanto, mesmo com todos os acertos neste que abrirá o caminho para a conclusão e desenvolvimento do terceiro ano, que para mim deveria ter sido logo o último (episódio), para não corrermos riscos, Sleepy Hollow ainda precisará ser muito mais forte em seu season finale se realmente me quiser por mais um ano. É inegável, eu consegui ver em ‘Awakening’ tudo o que me fez amar a série lá no começo. Foi ao ponto, um pouco arrastada em seu começo, mas de forma alguma confusa, chata ou cheia de elementos soltos. Pela primeira vez em uns cinco episódios eu consegui ver uma real importância entre um flashback e a trama que estava sendo desenvolvida. Parecia que o brilho da inteligência dos redatores, que andava tão apagado, voltou a ficar mais forte. Tudo o que nós precisávamos era de algumas conclusões.
Katrina, porém, continua sendo problemática, mesmo quando está full on evil. Com certeza se tornou mais interessante, afinal, tudo o que eu mais queria era um motivo palpável para detestar a personagem. Ela poderia ter matado Abbie, a sangue frio. Vocês conseguem notar que o caminho trilhado por ela está beirando o não retorno? A morte de Henry ajuda muito e deverá cooperar com muita força no desenvolvimento dos personagens. Eu sempre disse, SH precisava de uma limpeza urgente. A morte do Irving que estava desprezado pelo roteiro foi a minha primeira brecha de esperança, seu retorno foi um chute nas partes baixas, espero que não se repita com Henry Parish, ou melhor, Jeremy. Foi um verdadeiro adeus, que permaneça assim.

Já a bruxa, essa foi tão negligenciada, que hoje poderiam colocar qualquer tipo de história para a personagem que com o mínimo de explicação e justificativa, se tornaria aceitável. Não é mérito, é bem o oposto. Tenho medo de ver novos personagens se juntando ao elenco na terceira temporada, medo de que o repórter que demonstrou interesse na Abbie apareça novamente, muito medo mesmo. Eu já conheço o padrão da série, apresentar personagens, mas dificilmente desprender algum tempo para alguém que não seja Abbie e Ichabod, que já funcionam como um só e até pensam de forma igual.
A primeira viagem no tempo a gente nunca esquece. E tudo o que eu peço é que não se esqueçam de manter a mitologia intacta e a integridade dos acontecimentos que nós já vimos, over and over again, nos incontáveis flashbacks da guerra da independência. Mas sabe qual é a cereja em cima do bolo? Ter Abbie e Ichabod se descobrindo novamente, com Abbie presa em um período hostil para negros e sem acesso a nenhuma tecnologia para facilitar sua vida no processo. Nada mais justo para a dinâmica dos dois personagens. Nada.
Me despedir do John Noble não foi fácil, felizmente sua presença enriqueceu muito um personagem que perdeu força durante a segunda temporada. É o diferencial, quando temos um ator que consegue passar tanta complexidade e fazer com que tudo pareça simples, aprofunda a importância da sua existência. Não que os outros atores não sejam bons, eles são, mas nenhum deles é John Noble, não é mesmo?
Com a tensão novamente em alta, eu só tenho boas expectativas com o último episódio, que me fez torcer novamente pela renovação. O sino? Bom, esse foi completamente um artificio para levar Katrina e Henry, juntos, para o local adequado para os desfechos do roteiro. Quem está preocupado com algumas bruxas aparecendo em Sleepy Hollow? Eu sei que não, já tenho uns demônios fugidos do purgatório para me preocupar, se não tiverem se esquecido deles, claro. O mesmo vale para o Irving, conseguiu a alma de volta, conseguiu se despedir e deixar uma brecha para que Jenny tenha algum sentido na história. Ou seja, não foi o plot central que me deixou feliz com a série, foi o jeito que ela lidou com a sua assinatura, que esteve tão fraca e quase irreconhecível.
Sleepy Hollow teve em seu ano de estreia vários momentos chave. Poucos na segunda temporada, quase inexistentes. Moloch e sua morte deveriam ter pontuado a temporada, para uma renovação. Temporadas mais curtas são o futuro das séries, chega de 22 episódios, chega de filler atrás de filler, chega de enrolação. SH que nunca enrolou e se caracterizou como uma corredora estável, hoje está lentamente sugando toda nossa paciência. Que fique aqui minha esperança renovada para o season finale, que tem tudo para entrar no rol de momentos inesquecíveis da série, se os redatores quiserem, claro.














