Sleepy Hollow nunca esteve tão normal.

E para quem se apaixonou pelo ar louco e cheio de exageros, talvez normal não seja tão atrativo assim. A série está buscando sua nova identidade, mas a maneira adotada ainda está bem longe de caracterizar uma nova possibilidade para nós, amantes de Abbie e Ichabod. Infelizmente eu sinto que chegará o momento em que nem mesmo a interação mais valiosa da série conseguirá me segurar, e digo isso após um episódio em que o foco ficou entre Icky e Katrina, sem que essa parceria tenha prejudicado o andamento destes quarenta minutos.

Um bom episódio foi apresentado. Mediano, no total, mas com uma dinâmica bem diferente. Abbie e Ichabod deu lugar a Katrina e Ichabod, que até conquistou, mas ainda não conseguiu apagar totalmente tudo o que já sofremos com os dois. E quando digo sofremos, não estou me referindo ao tempo separados, ou as provações, mas sim a dinâmica de casal que de fato, nunca funcionou para a série. Tudo isso aliado a um dos maiores problemas com a produção, sua inabilidade de criar novas histórias sem que elas soem como ideias requentadas em uma fórmula já batida, e olha que ainda estamos na metade do segundo ano.

E a falta de ideias novas por parte dos redatores persiste, pior, se arrasta para Katrina, fidelizando assim o modos operandi da série, em que tudo o que acontece no presente tem uma conexão direta com o passado. Já está bem cansativo ter que ficar aguentando flashbacks que explicam exatamente tudo o que os personagens irão, novamente, dizer alguns minutos depois. Mesmo que Michelle Trachtenberg, a eterna Dawn Summers/Georgina Sparks tenha aparecido na pele de Abgail Adamns, esposa do segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, a retomada de uma história conectada a Katrina no passado, fazendo referência a um assassino que estava preso em um quadro, não enriquece em nada a trama, só repete um padrão que destaca a falta de criatividade da equipe por trás de Sleepy Hollow.

Eu já disse antes, não custa absolutamente nada uma preocupação maior em desenvolver uma história que não tenha conexão nenhuma com o período de independência dos Estados Unidos, ou os momentos de solidão da Katrina. Se a proposta pede um retorno ao período passado, que seja com um paralelo que enriqueça nosso conhecimento e ofereça uma expansão daquilo que já conhecemos. Katrina se beneficiaria muito de uma história centralizada apenas nela. Que tal nos mostrar alguns momentos em que a senhora Crane, grávida, precisou lidar com alguns problemas sobrenaturais? Mas sem que exista a obrigatoriedade de repetir no presente, o mesmo monstro, com o mesmo problema.

Digamos que este episódio tenha começado o processo de limpeza de imagem da Katrina, que assim como um artista, precisa pagar suas penitências através de uma remodelação junto aos telespectadores. Sendo essa explicação para a total ausência do cavaleiro da morte, nosso nada estimado e já não muito temido, Abraham. E é então que a renovação da série peca extremamente. Se existe uma nova Sleepy Hollow, o ideal é que os problemas pertinentes as tramas levantadas durante a fase Moloch, se encerrem.

Sendo assim, o grande erro de Sleepy Hollow se tornou seu apego ao passado e sua falta de capacidade em criar novas histórias. Pittura Infamante não foi um episódio ruim, ele mostrou essa nova fase da série em seu “novo normal”, que de normal, nós sabemos que não tem nada. Porém, essa diminuta SH, sem os escândalos e cenas esdrúxulas da primeira temporada, acabam prejudicando muito quem se apaixonou pela loucura. Afinal, quem não se lembra da criança possuída? Ou da arvore vingativa que mais parecia um personagem saído de Senhor dos Anéis? Lembram-se das cabeças decepadas pelo cavaleiro que se tornaram lanternas? Por onde andam os maçons que contribuíram para alguns arcos, mas que depois desapareceram? E o coven da Katrina? Existem muitas pontas soltas na série e cada vez mais somos conduzidos por novos caminhos, passando aquela impressão de que as coisas perdidas, realmente, não poderão ser localizadas tão cedo, quem sabe, nunca mais.

PS. Todos os amigos do Ichabod, que nós não conhecemos até o episódio começar, acabam morrendo. Chegou a hora de encontrar alguma amizade mais firme, né, senhores redatores?

PS². Ninguém percebeu, mas o retorno do Irving e sua absolvição pode significar um problemão para sua filha, a verdadeira assassina (mesmo que sem culpa) dos policiais, durante a possessão.

PS³. Hawley sumiu, mas deu a localização das balas capazes de deixar qualquer coisa morta, realmente morta. E minha vontade de ver uma horda de zumbis em Sleepy Hollow atingiu um nível nunca antes imaginado.

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