A muda da discórdia foi plantada em Sleepy Hollow.
Usar fogo contra fogo as vezes acaba se provando a única e mais inteligente saída. E foi exatamente isso que vimos em ‘The Kindred’, o episódio que eu julgo como a verdadeira season première dessa segunda temporada. Enquanto ‘This is War’ se mostrou uma extensão da season finale da temporada passada, esse segundo episódio demonstrou exatamente o caminho que será trilhado a partir de agora. Moloch continua sendo o principal perigo, mas divide o campo com Henry e o Cavaleiro no quesito pedra no sapato dos protagonistas.
Olha, correndo o risco de soar repetitivo, mas sem me importar nem um pouco com isso, elogio mais um episódio de Sleepy Hollow. Simplesmente adorei ‘The Kindred’, que serviu não apenas de resposta a minha pergunta e de alguns de vocês (nos comentários), mas como entretenimento puro para quem gosta de se divertir na frente da TV. Finalmente as forças do bem receberam aquela ajudinha, mesmo que para isso tenha sido necessária a invocação de uma criatura nada bonita e agradável aos olhos, o Cavaleiro com cabeça, inimigo mortal do outro, sim, aquele que não tem cabeça.
E ao que parece, minha teoria da review passada acabou se confirmando. Ao não aceitar o resgate e decidir ficar com o Cavaleiro e Henry, Katrina acabou assinando embaixo do testamento que diz que não existe espaço para ela dentro do clube do Icky e da Abbie. E vejam só, a muda da discórdia também foi bem plantada nesse falso triângulo. Eu sei, alguns de nós (eu incluso), preferem Ichabod com Abbie do que com a bruxa sem sal, que nem parece pertencer a mesma série, mas o romance e a fidelidade de Ichabod não permitirão que isso ocorra enquanto a esposa estiver viva. Logo, a sacada inteligente de lançar a famosa torta de climão na amizade entre ele e a policial foi inteligente, mas ao mesmo tempo com aquele ar canastrão que só uma boa série pode imprimir.
Fiquei extremamente satisfeito com o que aconteceu com o Irving, satisfeito e ao mesmo tempo triste. Gostei muito do caminho que estão preparando para o personagem e saber que ele terá seu destaque na temporada e não será apenas abandonado no manicômio é um alívio. SH sempre se mostrou uma produção bem coesa, apesar das loucuras de cada episódio. O capitão Irving, interpretado pelo brilhante e divertidíssimo (recomendo o twitter dele), Orlando Jones, sempre foi muito superior a qualquer outro personagem secundário da série. Me parte o coração ter que aguentar a nova detetive, mas acredito que esse mal é extremamente necessário para balancear os problemas sobrenaturais com os reais, afinal, até mesmo SH precisa de um freio no roteiro.

Vamos agora tirar um momento especial para discorrer sobre o humor da série, que pasmem, mesmo quando mais centralizado a uma cena, não perde o brilho que mantém desde seu episódio piloto. Preciso dizer o quão engraçada foi a cena com o Ichabod no banco? Engraçada e real, porque, assim como ele, eu também acho uma sacanagem muito grande essas correntinhas na caneta. Desde o começo, uma das coisas que mais me instigou a continuar com SH, depois da loucura, foi a comédia boba e divertida que ela entrega. Parte disso se dá pela química entre os personagens, com Abbie e Ichabod falando da indústria do casamento e outra parte é a capacidade desses atores, que não me canso de elevar.
Mas verdade seja dita, não foram só flores, meu medo acabou de mudar consideravelmente. Se na review passada o temor era não conseguirem dosar a presença de Irving e Katrina e acabarmos jogados semanalmente a uma alternância dos dois, agora eu me preocupo com outro ponto. A possibilidade de que a nova xerife acabe reprisando o papel do Irving na primeira temporada, indo do ceticismo à crença fervorosa. Não precisamos disso, precisamos sim da xerife para dar uma abalada e para que mais mudas da discórdia sejam plantadas, mas reciclar o plot com o mesmo tipo de personagem seria uma sacanagem muito grande.
Chega a ser engraçado, mas vejam só onde estamos. Katrina está mais uma vez presa, dessa vez por vontade própria, Jenny, enclausurada e Irving fora do cenário por enquanto. Aos poucos tudo se alinha para exatamente onde começamos ano passado. Com um diferencial, certo? Nossos olhos estão abertos. Sim, acabei de usar a frase do próprio Ichabod para fazer meu ponto valer e não me envergonho nem um pouco. Agora nós sabemos exatamente o que a série é capaz de fazer e quem é quem dentro desse mix. Ou seja, com essas complicações nós só temos a ganhar, mesmo que tenhamos que aguentar vários diálogos clichê da KatriZZzzz e seu filho rebelde.
Falando nele, Henry, digno de uma personagem recalcada de novela mexicana, dando o velho truque da alma vendida por acidente. Olha, se esse menino/idoso não começar a se comportar logo, vou torcer muito para que o capiroto o deixe de castigo. E fico sempre extremamente confuso com ele. Se por um lado eu quero que Henry volte para o lado do bem, por outro eu amo essa versão bad ass do John Mito Noble. É tão estranho comemorar o fato do vilão não ter conseguido o que queria e ao mesmo tempo ficar triste porque isso pode acabar fazendo com que ele sofra depois. E olha que eu nem acho que a ideia dos redatores é essa, estão fazendo um esforço bem grande para deixar Henry cada vez mais desprezível. Imagino que eles saibam que mudar a visão que temos do velhinho bondoso que foi Walter Bishop não será fácil.
Para mim, esse segundo episódio foi sim melhor do que o primeiro. Elevou e manteve presa a minha atenção, que confesso, deu umas escapulidas no episódio passado. É engraçado ver o quão perdida e real essa série é. Se ao nos colocarem uma nova personagem eles mostram que o mundo real ainda existe, logo eles lançam em contrapartida uma nova criatura, para deixar em destaque que surtada é uma característica que Sleepy Hollow não pretende abandonar nunca. Sabe quem ganha com isso, né? Nós. Não sei do que os redatores são capazes a longo prazo, só posso dizer a respeito do que já vi e sendo assim, abro um sorriso só de imaginar as loucuras que ainda vão se desenvolver diante de nossos olhos.
Ps. Imagina você, perdendo a cabeça e tendo que vê-la desfilando nos ombros de outro? Eu estaria possesso de raiva. Te entendo Abraham.
Ps². Moloch é o diabo mais contido e compreensível da ficção. Você não me libertou? Tudo bem, fica pra próxima. Bem amável, né?
Ps³. Torci pro monstro, torci pro Kindred Ovo, fiquei aliviado por ele não ter morrido.
Ps4. Em qual outra série você pode assistir a uma batalha entre um Cavaleiro sem Cabeça, um com cabeça, mas morto e o cavaleiro da morte com uma espada em chamas? Só em Sleepy Hollow.















