Que situação, hein?

Clara é a garota impossível. Aquela que espalhou seus ecos por toda a linha temporal do Doctor. Aquela que ajudou a impedir a destruição de Gallifrey. Aquela que esteve ao lado do Doctor na batalha mais importante da sua vida. Aquela que conseguiu um novo ciclo de regenerações para o nosso herói. Aquela que não consegue manter uma vida dupla sem levantar suspeitas.

Desde que iniciou seu namoro com Danny Pink, Clara tenta conciliar as suas aventuras na TARDIS com sua vida normal. Na visão da garota tudo estava perfeito: ela tinha um namorado, um bom emprego e ainda tinha o bônus de viajar pelo universo e ver todas as maravilhas que ele pode oferecer, mas como minha mãe sempre diz: “Nunca tente abraçar o mundo, não é tão simples quanto parece.” Clara deveria ter ouvido esse conselho. Embarcar na TARDIS é um compromisso que exige total entrega, afinal não é fácil viver todas aquelas aventuras, toda aquela correria. Não estou dizendo que Clara não consegue suportar essa “pressão”, pelo contrário, mas era óbvio que em algum momento haveria um choque de realidades que exigiria dela muito jogo de cintura para conseguir manter as responsabilidades que assumiu como professora/interesse romântico enquanto passeia toda feliz da vida pelo vórtice do tempo.

Por mais que Danny desconfiasse de alguma coisa, Clara estava conseguindo transitar entre essas duas realidades, mesmo que seu fôlego, corpo e aparência dissessem o contrário. Vida comum e a vida na TARDIS seguiam seus caminhos paralelamente, uma tendo influências mínimas na outra. Até agora. Clara sempre interferiu um pouquinho no universo e já era a hora do contrário acontecer.

E quem nós chamamos quando um desastre está prestes a ocorrer? Isso mesmo. O amiguinho da vizinhança, o Doctor. Para a alegria dos Whovians e para o desespero da garota, nosso mestre em disfarces (SQN) resolve se infiltrar no Coal Hill School (\o/) como o novo zelador John Smith (\o/\o/\o/) a fim de impedir que o Skovox Blitzer, a máquina de guerra mais perigosa já criada (Confere produção?), destrua todo o planeta.

Claro que essa ameaça só serviu como um pretexto para que a relação Clara/Doctor/Danny pudesse ser explorada.  Mais do que nos apresentar o novo Doctor, essa temporada também tem como objetivo trabalhar a personalidade da Clara, antes da sua partida. Na temporada anterior Clara esteve um pouco avulsa em meio a tantos acontecimentos: a saída dos Ponds, o especial de cinquenta anos, etc. Agora temos a chance de ver uma Clara mais próxima das companions anteriores, com todas as suas dúvidas, angústias e trejeitos. Uma das características que podemos notar na personagem é que ela não gosta de decepcionar ninguém, ainda mais os dois homens da sua vida. Por isso ela tentar manter em segredo para o seu namorado que o zelador é seu amigo e um alien. E esconde do amigo que seu namorado é um soldado. Revelações que poderiam afetar a relação que ela possui com eles, fazendo seu mundo desmoronar. Desapontá-los de alguma maneira poderia custar todo o amor e a amizade. É que mesmo sendo uma garota notável, Clara procura por aceitação. Aceitação que ela encontrou junto ao Doctor e Danny. E talvez seja essa a razão principal pela qual ela não abre mão de viajar na TARDIS. Mais do que ver as coisas lindas do universo, ela quer ser aceita e o com o Doctor ela consegue isso.

E o Doctor de Capaldi me encanta cada vez mais. É lindo ver que mesmo que por fora ele pareça um ranzinza sem sentimentos, ele é mais como uma criança carente e insegura. Seu medo de perder a Clara para o Danny, só porque o soldado pode ser tão bom para ela quanto ele consegue ser, é uma coisa tão bonita de se ver. Acho que vocês entendem o que eu quero dizer. É como ver uma criança que não quer abandonar um novo amiguinho, pois por mais que a relação seja recente, existe um sentimento verdadeiro ali. Assim como sua preocupação para que a garota encontre um par ideal. Como não ver a figura de um pai orgulhoso no momento em que Clara sai conversando com Adrian? Essa nova “encarnação” também quer ser aceita, principalmente por Clara, que esteve ali no momento da regeneração e que passou muito mais tempo com o Doctor anterior. Agradá-la é quase que uma obrigação. Perde-la não é uma opção. Assim a discussão entre o Doctor e Danny ganha um sentido maior do que só uma briga de egos. É como um pai/mãe defendendo a sua cria de uma possível “ameaça”.  Ao que parece nós temos uma família se formando. Ainda meio confusa e cheia de desentendimentos, mas que família não é assim?

Considerações finais:

– Doctor parece ter deixado um pouco de lado sua rixa com a Daiane dos Santos Danny. Logo poderemos vê-lo na TARDIS. Espero que não adiem mais isso. Já estamos na metade da temporada e ele ainda não merece o status de companion.

– Adorei a família da Courtney. Admiro pessoas que conseguem achar um lado positivo nas coisas da vida.

“Go away humans”. HAHAHAHAHA. Sutilezas de um Time Lord.

– Referências à River Song e ao 11º Doctor (<3).

Doctor: “…Why do I keep you around?”

   Clara: “Because the alternative would be developing a conscience of your own.”        

CLARA WINS

– Não consigo entender a insistência do Doctor de trazer a Clara de volta minutos antes dos seus compromissos. Se você possui uma máquina do tempo, pela lógica, você não deveria ter problemas com horários. Mas não vamos conseguir mudar essa característica, não é mesmo?

– #MissyChateada.

– Aprovo o sistema Clara Oswald de ensino. Apenas amadores pedem lição de casa.

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